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Coordenador: como estruturar um bom calendário de formações para 2021?

Apesar das incertezas, temas como ensino híbrido e planejamento baseado nas habilidades prioritárias da BNCC já podem ser previstos com o objetivo de pactuar que os desafios da sala de aula serão contemplados no aperfeiçoamento profissional

POR:
Camila Cecílio
Crédito: Getty Images

Se a formação continuada de professores sempre foi elemento importante para alcançar bons resultados, preparar docentes para o que vem pela frente em um ano atípico como 2021 se tornou uma missão ainda mais imprescindível e desafiadora para coordenadores. É o que pensa Karine Rezende, orientadora pedagógica responsável pela formação de 12 professoras da Educação Infanti na EMEIPI Profª Márcia Aparecida Faria, de Caçapava (SP). A educadora tem sentido as dificuldades de organizar um cronograma de formações diante da instabilidade causada pela pandemia. “É uma situação que mexe muito com o nosso emocional”, conta.

Na rede municipal em que Karine atua, as aulas seguem de forma remota desde 6 de fevereiro. Desde o ano passado, por conta da pandemia, os encontros com a equipe no horário de trabalho coletivo (HTC) são realizados virtualmente, uma vez por semana. Dúvidas, necessidades, anseios e angústias de toda a equipe são algumas das pautas das reuniões. A partir desse diálogo, ela já tem conseguido elaborar alguns temas que farão parte do calendário de formações deste novo ano letivo. Mas, afinal de contas, vale a pena organizar uma agenda de formações?

Para Camila Zentner Tesche, coordenadora de Programas Educacionais na Secretaria Municipal de Educação de Guarulhos (SP) e formadora da rede, além de organizar os trabalhos e informar os professores sobre quais serão os próximos estudos, antecipar os temas dos encontros é crucial para reafirmar a importância do carácter formativo em horário de serviço. “Este espaço é uma conquista docente e, ao organizar uma agenda de formações, há mais chances de que esse espaço seja aproveitado para o que foi destinado: o aperfeiçoamento profissional para os desafios práticos da sala de aula”, defende.

Apesar da importância de ter temas mapeados, em contrapartida, planejar formações para o ano todo pode não ser um bom caminho, ainda mais em um cenário imprevisível, como o que estamos vivendo devido à crise sanitária da covid-19. “A escola é dinâmica, novas necessidades e desafios podem surgir durante os próximos meses”, lembra Camila. Por conta disso, a formação não pode estar descolada nem da prática, nem da realidade da comunidade e nem dos assuntos atuais que estejam permeando a dinâmica escolar.

Seja flexível

Isso é essencial para que as formações tenham mais êxito. Considere a pauta no momento mais adequado e mantenha a escuta ativa para recalcular a rota sempre que a equipe apontar novas necessidades. Para isso, volte o olhar para a prática, para a realidade dos alunos (considerando se eles têm acesso à internet e a equipamentos eletrônicos, por exemplo), e para os interesses dos professores. Se um assunto urgente aparecer no meio caminho, avalie a possibilidade de priorizá-lo, mas tome cuidado para não quebrar compromissos estabelecidos com os professores previamente sem recombinar como será encaminhada a pauta em questão. 


É o que faz Joice Lamb, coordenadora pedagógica na EMEF Profª Adolfina J. M. Diefenthäler, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. “Não terei condições de saber se as questões que vou tratar no futuro serão importantes para aquele momento”, pontua. Por isso, ela que atua na formação de 15 professores do Fundamental 2, considera temas macros a serem abordados, mas não organiza um calendário para o ano todo. Sua dica é organizar a agenda por mês e mapear no calendário letivo quantas formações haverão no ano. Isso também servirá para tranquilizar os professores no sentido de que terão mais oportunidades de falar e serem ouvidos. A partir daí, a coordenação pode elencar alguns temas que já estavam previstos para serem trabalhados, como ensino híbrido e planejamento baseado nas habilidades prioritárias da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e garantir espaços para as demandas que surgirem pelo caminho. 

Outro ponto levantado pela gestora é que os temas das formações não podem “vir da cabeça do coordenador” só porque achou o assunto importante. “Quando a temática vem de mim não é muito interessante, a formação acaba não se conectando com os professores e acabamos o ano com um monte de formação que não chegam a lugar algum”, observa. Por isso, além de discutir com toda a equipe, é essencial que as formações estejam alicerçadas dentro do Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola, com base nos projetos e desafios que estão previstos para a escola e foram elencados em conjunto com o grupo.

Curso NOVA ESCOLA Coordenador Pedagógico: do planejamento à formação

O que você vai aprender:
- O papel do coordenador pedagógico na formação continuada
- Diferentes estratégias formativas
- O planejamento da formação continuada
- Como elaborar uma pauta da formação continuada

Como você vai aprender:
Videoaula – Aulas, ao vivo e gravadas, com o propósito de ilustrar, reforçar e complementar o conteúdo do curso.
Na prática – Vídeos em sala de aula que permitem a reflexão sobre as situações didáticas e a prática.
Acervo Nova Escola – Indicação de reportagens, planos de aula e todo acervo de Nova Escola sobre o tema do curso.
Materiais complementares – Reportagens, entrevistas, artigos, referências bibliográficas etc.
Ferramentas – Ver exemplo de uma Rotina Semanal; roteiro para desenvolvimento de uma proposta de projeto para sala de aula; pautas para reuniões pedagógicas.

Se os encontros formativos forem online, ferramentas como o Google Sala de Aula (Classroom) podem ajudar na organização, uma vez que serve tanto como sala de aula quanto como sala dos professores virtual. A plataforma possibilita ainda o compartilhamento de textos, vídeos, cronograma das formações, avisos e notificações, por exemplo.

Como boa parte das interações têm acontecido de forma online, procure não extrapolar o tempo de tela. “Uma reunião online é mais cansativa que uma presencial porque não tem olho no olho, não tem aquele movimento todo”, ressalta Camila. Então, estabeleça e respeite os limites de horário para garantir a maior interatividade possível.

É provável que ao longo da jornada de formações continuadas o coordenador se depare com temas que não tenha tanta familiaridade e faz parte da rotina do formador também se formar. Buscar materiais em fontes confiáveis e referências bibliográficas são sempre boas dicas. “Por mais que muitos professores pensem o contrário, o coordenador não é uma pessoa que sabe sobre tudo, não é um especialista de todos os assuntos que acontecem na escola”, lembra Camila. “Nessas horas, o que temos que fazer é buscar quem sabe falar sobre o tema”, acrescenta Joice. E, muitas vezes, esse alguém está na própria equipe. Aqui, a sugestão é procurar identificar entre os professores se há quem domine o assunto em questão. Outro caminho, é checar se a secretaria disponibiliza formações sobre o tema ou se pode indicar alguém para colaborar com os professores da escola na discussão do assunto.

3 dicas para levantar temas com a equipe docente

“Quando a gente levanta os temas com os professores, conseguimos mapear questões desafiadoras que estão enfrentando. Essas angústias, geralmente, os problemas são comuns entre as turmas e podem servir de tema para os encontros”, aponta a formadora Camila. A seguir, confira três dicas para colocar essa ideia em prática: 

1 - Divida a responsabilidade com a equipe. Pergunte sobre quais assuntos os professores querem aprender. Faça uma reunião prévia para ouvi-los e entender o que consideram importante para o momento. Depois de construir a pauta coletivamente, monte o cronograma junto com eles, com sugestões de bibliografias, oficinas, estudo de caso, e outros materiais que possam apoiar o estudo do tema. 

2 - Observe os problemas que têm chegado até você. Se você, por exemplo, percebeu que os professores estão reclamando demais dos alunos, que há muitos conflitos, desinteresse ou pouca participação nas aulas, pode ser que, dessas situações, surjam alguns temas para serem debatidos junto com a equipe. 

3 - Localize parceiros para a formação. Às vezes há tópicos que precisam ser discutidos, mas que o coordenador não domina e, por isso, não se sente confortável para introduzir e explorar as dúvidas dos colegas. Por isso, procure na própria equipe se tem algum professor que pode ajudá-lo com o assunto ou mesmo se a secretaria pode colaborar.

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