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Carta aberta de uma alfabetizadora aos secretários de Educação

Professora Mara Mansani compartilha pontos de atenção e sugestões para uma boa gestão da pasta

POR:
Mara Mansani
garota com lápis na mão escrevendo em uma folha
Foto: Getty Image

Depois das eleições de 2020, muitas redes de ensino municipais começaram o ano com novos gestores, em outras cidades continuam os mesmos mandatos. Em geral os secretários de Educação são escolhidos pelos prefeitos, nomeados em cargos de comissão, conhecidos também como cargos de confiança. Não temos uma cultura de escolha democrática para esse importante cargo na Educação, além disso nem sempre são levados em conta requisitos essenciais para essa decisão como a formação e experiência na área, por exemplo, o que pode comprometer toda a Educação de um município.

Pensando em todos esses desafios, reuni algumas sugestões e pontos de atenção que os secretários de Educação precisam saber daqui para frente. Vamos lá?

1. Ouça os professores
Além de se basear em dados, pesquisas e estudos científicos, um dos pontos que podem fazer a diferença para uma boa gestão é levar em consideração o que falam os professores da rede, ouvir  suas  necessidades, anseios, reinvindicações e sugestões. São os educadores que estão na linha de frente, vivem e fazem a Educação acontecer no dia a dia das escolas, ou seja, têm propriedade para falar. Esse é um bom caminho para uma gestão colaborativa e também para firmar a responsabilidade de todos . Muitas ações necessárias na Educação nem sempre demandam grandes investimentos financeiros, mas dizem mais respeito a organização e gestão dos profissionais, dos espaços e tempos.

Não dá para alegar que essa escuta efetiva só é possível em redes pequenas, pois há vários caminhos para criar e estabelecer isso, ainda mais hoje com uso das tecnologias e metodologias inovadoras. É importante também não somente ouvir, mas em pensar possibilidades de concretizar ações a partir dessa escuta a favor da Educação e da equidade. Espero que essa escuta efetiva dos profissionais seja permanente e não apenas um ato de início de gestão.

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2. Formação dos professores é essencial
A alfabetização é um capitulo muito importante na gestão das redes. Ela é a base para o sucesso na trajetória educacional dos alunos. Uma alfabetização mal gerida pode comprometer toda a Educação do município, mas alfabetizar não é somente colocar um professor em sala e escolher uma metodologia. Por isso, a formação em serviço dos professores é fator primordial para avançarmos na qualidade de todos os segmentos e em especial na alfabetização no município. Tenha atenção a esse importante ponto! Foque em formações de qualidade, que não sejam superficiais, mas pensam a homologia de processo, que se aprofundam no estudo e reflexões.

3. Saúde mental e física dos educadores merecem cuidado
Ética, respeito e valorização dos professores! Espero que os profissionais possam se sentir como pertencentes de suas redes, não se sintam acuados, tristes e deprimidos, pressionados em ações autoritárias, mas, sim, que tenham o apoio, valorização e orientações necessárias para exercer suas funções com qualidade, responsabilidade e prazer. Isso demanda uma gestão que leve em conta a importância do papel do professor. Que os secretários e secretárias levem em conta o bem-estar, a saúde física e emocional dos educadores.

Para esse ano especialmente, devido a continuidade da pandemia do coronavírus, os secretários e secretárias de educação têm ainda mais desafios! Há uma grande insegurança e preocupação dos professores com o retorno presencial das aulas. Como voltar com segurança sanitária e saúde para todos? Protocolos de saúde, ações intersetoriais, equipamentos de proteção, adequação dos espaços, novas organizações das turmas, comissões de acompanhamento, treinamentos e comunicação boa e transparente são alguns dos elementos que devem ser colocados em prática. Uma boa gestão frente a rede pode trazer respostas e um norte a seguir, principalmente quando não temos ainda a previsão de vacinação para os profissionais da educação.

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Lembro da primeira reunião entre professores e a secretária de Educação, em uma rede que trabalhava, que disse ao assumir o cargo: “agora vocês vão ter de trabalhar!”. Uma fala infeliz e em um município que já trazia bons resultados.  Atitudes como essas podem minar um trabalho que pode ser desenvolvido de forma colaborativa e com a responsabilidade de todos.

Espero realmente que os gestores das redes do Brasil a fora façam um bom trabalho. Levem em consideração os pontos que levantei acima. E vocês, queridos professores, quais são suas sugestões e pontos de atenção que gostaria de dizer ao gestor da sua rede de ensino? Conte aqui nos comentários.

Um grande abraço e até a próxima,

Mara

Mara Mansani é professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF, no livro “Muda o Mundo, Raimundo”. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

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