7 boas formas para se comunicar com a comunidade escolar

Apostar em caminhos variados para estabelecer as trocas é a forma de atingir um maior número de famílias

POR:
Paula Salas
Ilustração: Getty Images

O primeiro ensinamento que a suspensão das atividades escolares presenciais trouxe é que, quando estamos longe, uma boa comunicação é essencial para que as coisas funcionem. Com as escolas fechadas, quem não tinha uma forte parceria e proximidade com as famílias já encontrou na comunicação o primeiro desafio do ensino remoto. Para alcançar a comunicação e se adaptar ao novo momento, foram muitas tentativas de meios e formatos de mensagens. Como resultado, muitos passaram a combinar formas de se comunicar para aumentar o engajamento dos alunos e das famílias. Abaixo, reunimos sete sugestões digitais e impressas que diferentes professores e escolas públicas desenvolveram para manter a conversa entre a comunidade escolar:

1. O clássico WhatsApp

Esta é provavelmente a ferramenta mais utilizada durante o ensino remoto. Não apenas por ser mais conhecida, mas pela sua acessibilidade, já que muitas operadoras oferecem pacote de dados móveis que inclui gratuitamente a ferramenta. Essa facilidade tornou o WhatsApp uma estratégia comum entre as escolas.

Os formatos e usos são variados. É possível, criar grupos por salas em que apenas os administradores (gestão e professores, por exemplo) podem postar comunicados ou enviar as atividades, enquanto as dúvidas são tiradas em conversas individuais. Também há os grupos abertos em horários determinados pelos professores para o atendimento dos alunos, e os grupos convencionais de WhatsApp, que estão sempre abertos para envio de mensagens.

Camila Esteque, professora na EMEI Professora Maria Thereza Fumagalli, em São Paulo, optou por entrar em contato com todos pais e responsáveis para perguntar se gostariam de participar do grupo da turma. Aqueles que toparam, ela incluiu – quem não autorizou, ela continuou enviando no privado. Pelo grupo, eram enviados lembretes sobre as atividades postadas no Google Classroom, abertos espaços para tirar dúvidas ou compartilhar registros. "Os pais e responsáveis começaram a falar entre si e se ajudavam. O WhatsApp nos aproximou bastante e facilitou a comunicação", diz a educadora. Uma dica que a professora dá é usar todas as funcionalidades da ferramenta. Camila percebeu que uma das funcionalidades que as famílias mais utilizavam era a facilidade de poder enviar áudios, no lugar de digitar.

WhatsApp: vá além das mensagens

Para quem é útil: Professores do Fundamental 2 e Gestores escolares

Qual o objetivo: Conhecer estratégias pedagógicas e recursos tecnológicos para possibilitar o uso do WhatsApp no ensino


2. Vídeos no Facebook e em outras redes sociais

A página da escola EMEI Estrelinha Azul, em Campo Bom (RS), foi um dos canais de comunicação que deram certo. A coordenadora pedagógica da escola Marisa Alff conta que eles decidiram publicar um vídeo para falar sobre a saudade utilizando os registros das atividades do início de 2020.  A partir do bom desempenho do formato, eles começaram a fazer outros vídeos reunindo os registros das atividades remotas compartilhados pelas famílias. O WhatsApp também era utilizado pela escola para o envio dos vídeos, o que engajou as famílias a participar das propostas e compartilhar os resultados. Além disso, foi a forma também que as professoras encontraram de dividir informações ou explicações importantes com a comunidade escolar, como, por exemplo, o funcionamento da retirada de materiais na escola.

Uma estratégia que funcionou na EMEF Infante Dom Henrique, em São Paulo, foi realizar lives para passar as informações mais importantes. Quem estivesse acompanhando ao vivo poderia interagir e fazer perguntas, mas, quem tivesse disponibilidade naquele horário, poderia assistir depois. Tanto o Facebook quanto o Instagram permitem fazer transmissões ao vivo que ficam posteriormente salvas no perfil.

Elabore uma aula online com ferramentas do cotidiano

Objetivos de aprendizagem:

Espera-se que, ao final deste curso, o cursista seja capaz de:

- Realizar aulas e propostas utilizando WhatsApp, Facebook e Instagram

- Interagir com os alunos e gerenciar tarefas de casa utilizando ferramentas tecnológicas 


3. Comunicados em papel

Não é preciso ter acesso à tecnologia para conseguir manter as famílias atualizadas. Um caminho encontrado por algumas escolas é espalhar aos arredores da escola – no portão da escola, por exemplo, ou nos mercados e comércios próximos frequentados pelos alunos e suas famílias – comunicados com as notícias mais relevantes para a comunidade escolar. Diferentes instituições de ensino se utilizaram dessa estratégia, como a escola rural EMEIEF Boa Vista do Sul, em Marataízes (ES) e na EMEIF Professor Moacyr Pinto Santiago, na pequena cidade de Pariquera-Açu (SP). Este formato pode ser utilizado para transmitir as novidades e informações relevantes como, por exemplo, compartilhar o cronograma das entregas de atividades impressas, avisar sobre uma reunião de pais e responsáveis ou trazer atualizações da retomada presencial das aulas.

Em Santos (SP), o professor Anderson dos Santos Andrade elevou essa proposta ao máximo e teve a ideia de projetar na parede do sambódromo da cidade, próximo da escola, uma mensagem para as famílias sobre o início das atividades remotas. Não é necessário ir tão longe, mas é possível diante dos recursos disponíveis garantir que todas as famílias estão recebendo as mensagens essenciais.

4. Telegrama e ligações

Existem outras alternativas analógicas. Pode parecer ultrapassado, mas a velha carta (ou telegrama) e ligar para as famílias pode ser o melhor caminho para garantir o vínculo. A primeira estratégia foi utilizada pela EMEF Infante Dom Henrique, em São Paulo (SP) depois de saberem que a rede municipal tinha disponível nos correios um valor para o envio de telegramas. A escola aproveitou esse direito para acessar as famílias que não haviam conseguido contato por outros meios.

Já na EMEI Estrelinha Azul, quando começaram a enviar as atividades para serem realizadas em casa, as educadoras ligaram para todas as famílias para perguntar como estavam e explicar a nova forma de trabalho e as alternativas que a instituição de ensino estava disponibilizando. Uma dica valiosa para quem optar pelas ligações é tentar horários variados para aumentar a probabilidade de encontrar os pais e responsáveis disponíveis para conversar e registrar as preferências para futuros contatos.

5. Enviar recados com os kits escolares

Muitas redes garantiram a entrega nas escolas do kit merenda e das atividades impressas para quem não tivesse acesso às iniciativas on-line. Nos momentos que os pais e responsáveis vão à escola fazer a retirada dos materiais é uma oportunidade de contato ou de envio de recados impressos. Por exemplo, a coordenadora pedagógica Marisa conta que junto com os kits que eram enviados para as famílias na EMEI Estrelinha Azul, eles colocaram bilhetinhos com mensagens como “sentimos sua falta no nosso encontro virtual” ou "queríamos ter visto como ficou determinada atividade” como uma forma de incentivar a participação das famílias nas atividades. O meio também pode ser uma oportunidade para até mesmo um boletim com as notícias importantes da instituição de ensino.

6. Jornal da escola criado pelos alunos

E se fosse seu filho contando as novidades da escola? Em Racharia (SP), Priscila de Medeiros, professora de 4º ano na EM Lazara Nogueira Severo Lins notou uma queda no engajamento dos alunos e suas famílias após os primeiros meses de ensino remoto. “O único contato que tínhamos era pelo WhatsApp. Os interessados entravam em contato, os outros, não. Mas o interesse dos alunos caía cada vez mais”, lembra a educadora. Em agosto, ela decidiu propor para suas turmas um projeto que unisse todos: criar um jornal da escola. A iniciativa era optativa. No início, dos 46 alunos, 21 se interessaram em participar. Até dezembro, o grupo aumentou e chegou nos 31 participantes.

A professora apresentou aos alunos a base teórica para ajudá-los com o trabalho de construção das reportagens. Com reuniões periódicas, trabalho em dupla e produção dos alunos, a primeira edição do Lazinha News foi lançada em outubro. Ele continuou sendo publicado quinzenalmente até o final de dezembro. Os temas eram variados e partiam do interesse dos alunos. Muitas reportagens e entrevistas trouxeram notícias da escola, as medidas de prevenção da covid-19, os planos de volta às aulas presenciais, entre outros assuntos de interesse da comunidade escolar.

O resultado foi tão positivo, que passou a ser compartilhado não apenas entre as turmas do 4º ano, mas por todos os grupos de WhatsApp da escola, nas redes sociais da instituição e junto com o kit merenda. Com isso, todas as famílias receberam as edições impressas do jornal. A iniciativa, além de gerar muita aprendizagem, aproximou a comunidade, aumentou o engajamento e trocas entre as famílias.

7. Busque (ou crie) outros caminhos possíveis

Existem muitas estratégias possíveis para criar uma boa comunicação. Entender as necessidades e possibilidades das famílias e alunos pode ajudar a entender o que melhor atende a sua comunidade. “Tem que estar aberto ao novo e se reinventar. Estamos passando por um processo de renovação, buscar dialogar constantemente e a escuta é muito importante”, afirma Marisa.  Pensando nisso, é possível que para sua comunidade o ideal seja apenas um meio de comunicação ou mesclar algumas estratégias que listamos anteriormente – mas também pode ser algo completamente diferente sugerido por um aluno, responsável ou mesmo inspirado no trabalho de outra escola. O importante é estar aberto a inovar e testar.

É possível, por exemplo, utilizar outras redes sociais para além do Facebook, utilizar o Ambiente de Aprendizagem adotado na sua rede, outros recursos digitais ou até mesmo criar um aplicativo para se comunicar com seus alunos. Essa última foi a saída encontrada por Fabrício Antunes, professor de física em Aracruz (ES). Ao perceber que os seus alunos tinham dificuldade de acessar o Google Classroom, ele criou o aplicativo Física em Casa com atividades e dicas para o Exame Nacional do Ensino Médio.

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