Melhores livros de 2020: 13 obras que marcaram o ano

Equipe de NOVA ESCOLA indica quais leituras mais se destacaram nos últimos 12 meses

POR:
NOVA ESCOLA
Crédito das fotos: Divulgação/Composição: Duda Oliva

O fim de ano vai se aproximando e na televisão, redes sociais, grupos de amigos, o clima de retrospectiva fica cada vez mais vivo! Aqui no Leitura de Cabeceira não poderia ser diferente, não é mesmo? Em 2020, os livros, além de vários benefícios que já conhecemos, nos ajudaram a enfrentar o isolamento social. As narrativas nos levaram para outros lugares, culturas e nos apresentaram para novos personagens sem precisar sair de casa. 

Para fazer um resumo das nossas leituras, convidamos toda a equipe de NOVA ESCOLA para contar qual obra foi mais marcante este ano e trouxemos uma seleção, bora conferir? 

A autobiografia de Martin Luther King
Quem indica: Fernanda Passos, gerente de experiência do usuário
“Neste livro temos a história de Martin Luther King contada por ele mesmo. Um homem que transformou a luta pelos direitos dos negros nos EUA (e no mundo) e, o mais incrível, de maneira pacífica! Um homem normal, com família, medos e responsabilidades se posicionando e confrontando o sistema, sem nunca quebrar suas convicções.”

Demian, Hermann Hesse
Quem indica: Gustavo Bittencourt, gerente de produtos NOVA ESCOLA

“Demian é um livro sensível e profundo, que conta a história de um jovem que busca entender melhor quem ele é e o que quer fazer da sua vida. A escrita do alemão Hermann Hesse é fluida e nos envolve com uma certa facilidade com a história, a gente termina o livro querendo mais e mais páginas! O livro é um convite para olhar pra dentro, através da relação do protagonista com diferentes personagens e situações. Indico sua leitura, porque combina muito com a situação que vivemos, onde somos obrigados a nos isolar e conviver conosco, a principal mensagem do livro é que olhar para dentro é a única forma de encontrar as respostas que precisamos.”

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E Foi Assim que Eu e a Escuridão Ficamos Amigas, Emicida, e Seja Homem - A Masculinidade Desmascarada, Congolês JJ Bola
Quem indica: Patrick Cassimiro, coordenador de experiência do usuário
“Este ano prometi para mim mesmo ler mais autores LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queers, intersexuais, assexuais, e outras orientações sexuais e identidades de gênero) e negros. Nas leituras que fiz, recomendo dois livros, pois foi impossível indicar apenas um. O primeiro é o E Foi Assim que Eu e a Escuridão Ficamos Amigas, segundo livro escrito pelo rapper Emicida para o público infantil. Com ilustrações e muita cor, ele ensina para as crianças a relação do medo, da coragem e o quanto o diferente mais nos aproxima do que nos distancia. Minha outra indicação é da obra escrita pelo Congolês JJ Bola, Seja Homem - A Masculinidade Desmascarada. O autor discute o papel do homem na sociedade, desmonta essa ideia de que homens podem chorar e nos convida a refletir sobre toxicidade, fragilidade, força e amor.”

Filhos de Sangue e Outras Histórias, Octavia Butler
Quem indica: Dayse Oliveira, analista do pedagógico
“Eu não conseguia sair desse livro! A literatura fantástica e o mundo da ficção me atraíram desde criança — lembro bem de me esconder no banheiro da escola para ler mais algumas páginas de Agatha Christie. Vejo nesse tipo de literatura um convite para embarcar em outras dimensões, uma experiência realmente sensorial para se descolar da realidade. Filhos de Sangue e Outras Histórias foi um desses encontros esperados e inesquecíveis. Octavia Butler, autora do livro, é consagrada na ficção científica e uma das precursoras no que conhecemos como afrofuturismo. Nesse livro, ela compartilha contos que partem de questões cotidianas e ditas universais, como família, poder e amor, guiando nossos olhos até um ofegante desfecho. Indico especialmente o segundo conto do livro: O entardecer, a manhã e a noite - que costura uma história de afeto entre humanos e extraterrestres, nos levando a pensar no modo como estabelecemos nossos laços.

Flores Para Algernon, Daniel Keynes
Quem indica: Paula Peres, coordenadora de criação
“Escrito em 1959 por Daniel Keynes, a obra é o diário de um homem com uma deficiência mental, que participa de um experimento científico e tem sua inteligência super desenvolvida até se tornar "o homem mais inteligente do mundo".

O interessante é que, por ser um livro escrito em forma de diário, o leitor percebe o desenvolvimento no intelecto de Charlie, narrador e personagem principal da obra, somente por meio da maneira como ele escreve. No início, as palavras contêm uma série de erros ortográficos, pontuação e até mesmo indicam raciocínios simples, quase infantis, e uma inocência que faz de Charlie um ser humano encantador e envolvente. Conforme as páginas vão passando e a inteligência de Charlie se desenvolve, sua escrita e pensamento crítico também, e ele se distancia daquele ser humano puro e inocente para descobrir os segredos do mundo, mas demora a entender como funcionam as pessoas e até ele mesmo.”

O Conto da Aia, Margaret Atwood
Quem indica: Gabriel Farias, analista de experiência do usuário
“2020 foi um ano que me fez mergulhar em questões sociais. Li alguns livros sobre raça e gênero que me fizeram refletir bastante! Um dos mais interessantes foi O Conto de Aia, que descreve um futuro onde ideais teocráticos e totalitários tomam o poder e causam retrocesso em vários direitos conquistados pelas mulheres. Lembrei bastante das minhas avós enquanto lia e foi duro pensar que elas podiam se encaixar em algumas das situações descritas no livro... Enfim, não é uma leitura leve, mas vale muito a pena!”

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O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams, e  O amor dos homens avulsos,  Victor Heringer
Quem indica: Juliano Dias, analista de marketing
“Esse ano estava atrás de leituras que me fizessem exercitar minha imaginação e de narrativas que mergulhassem em dramas fictícios ou reais. Por isso, comecei lendo O guia do mochileiro das galáxias, responsável pelo atraso em alguns anos e que me fizeram perder o ponto nas linhas da CPTM, não via a hora de voltar para o trem para ler. Já o drama ficcional como O amor dos homens avulsos foi um acordo em ler mais escritores LGBTQIA+ e esse livro foi devorado em dias. História triste com alegrias simples e emotivas, pontuando a fragilidade dos amores e como eles nos marcam.

Oz, de L. Frank Baum
Quem indica: Duda Oliva, ilustrador e analista de Design
“Uma brincadeira divertida que comecei a fazer comigo mesmo foi pegar livros que foram adaptados para outras mídias, lê-los e imaginar um universo visual diferente daquele que já foi traduzido. Comecei com Harry Potter, me forçando a criar uma Hogwarts diferente dos filmes, com outros Harrys, Hermiones e Dumbledores. Em julho resolvi visitar a Terra de Oz fingindo não saber quem é Judy Garland. A viagem para lugares distantes e encantados, os caminhos dos Reinos de Porcelana e o tour da Cidade Esmeralda com olhos de quem (finge) não conhecer o clássico de 1939 ganham um sabor agridoce em face do momento de isolamento que vivemos e, talvez por esta razão, a leitura tenha sido tão preciosa pra mim. Nas linhas de L. Frank Baum encontramos uma prosa leve e uma narrativa cheia de corações de feltro e cérebros de palha, artifícios literários que não apenas incitam a imaginação como nos acolhem e envolvem.” 

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Pequeno Manual Antirracista, Djamila Ribeiro
Quem indica: Letícia Alves, analista de marketing
“No livro Pequeno Manual Antirracista,  Djamila Ribeiro nos ajuda a entender as origens do racismo e o que podemos fazer enquanto sociedade para combate-lo. É um livro pequeno (como o próprio nome já diz), extremamente didático e prático — eu amo livros práticos!  Em uma leitura de algumas horas, você passa a compreender a prática cruel do racismo e como mudar isso é uma luta de todas e todos, que deve estar presente no nosso dia a dia se quisermos um mundo mais justo e igual. É um daqueles livros pra vida!” 

Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo
Quem indica: Paula Salas, repórter do site de NOVA ESCOLA
“Esta foi a minha primeira experiência com a autora mineira. Quando terminei só consegui pensar: por que demorei tanto para ler Conceição Evaristo? Então se você ainda não teve nenhuma experiência com sua obra, recomendo que quando puder separe um tempo para essa leitura. Para começar, indico Ponciá Vicêncio, um livro curto e intenso, que já apresenta características que permeiam a obra de Conceição. A narrativa faz uma viagem entre o passado e presente para apresentar a protagonista Ponciá desde sua infância até a idade adulta. A obra discute questões identitárias, ancestralidade e as relações familiares enquanto conta os sonhos, decepções e andanças da personagem principal. É um livro poético e delicado, mas sem ser truncado. A leitura flui! Sem dúvida, um dos melhores livros do ano. O próximo da escritora será Becos da Memória, que já está separado na minha cabeceira para 2021.”

Um Estranho numa Terra Estranha,  Robert A. Heinlein
Quem indica: Gustavo Ribeiro, analista de comportamento do consumidor 
“Um marco para a ficção científica de sua época, Um Estranho Numa Terra Estranha (1961) retrata com ilusória simplicidade a história de um humano criado em Marte retornando à Terra. O homem precisa reaprender a viver de acordo com as novas “normas sociais” as quais não estava habituado. O livro provoca, consequentemente, o pensamento do leitor às novas perspectivas em muitas das situações pautadas (comumente ao redor de temas sensíveis como sexo e religião). Sua leitura é uma fresca aventura por palavras já amareladas pelo tempo (apesar de nada ofuscadas e extremamente atuais), trazendo questionamentos precisos e reflexões necessárias. Empatia em palavras!” 

Gostou das indicações da nossa equipe? Se o seu livro não estiver nessa lista, nos conte nos comentários qual a leitura que marcou o seu ano :) 

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