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Fechamento do ano: como organizar um portfólio na Educação Infantil durante a pandemia?

Com formatos variados diante de cada realidade, o documento deve fazer uma retomada e registrar as atividades realizadas em 2020

POR:
Paula Salas
Crédito: Getty Images

O portfólio na Educação Infantil, que pode ser individual para cada criança ou para todo o grupo, é uma importante ferramenta pedagógica para acompanhar a trajetória das crianças durante o ano. "Ele traz a memória do que foi realizado. É o momento de revisitar as aprendizagens e do professor pensar sobre sua própria prática pedagógica", explica Camila Bon, consultora pedagógica de Educação Infantil.

Documentar as atividades dos pequenos na Creche Baroneza de Limeira, conveniada da rede de São Paulo, sempre fez parte da rotina da professora Amanda Grispino, responsável pelo ateliê de artes. "Quando estávamos presencialmente fazia bastante registro e fotos mostrando os processos. Contava os detalhes da proposta e do que aconteceu", relata. Antes da pandemia, ela costumava enviar um relatório quinzenal contando para as famílias as propostas que foram realizadas.

Baixe um modelo para avaliar o trabalho com as crianças

Com a ajuda de educadoras da CMEI Fúlvia Rosemberg, de Curitiba, elaboramos um PDF para você preencher ou se guiar na hora de relembrar as propostas desenvolvidas e a relação construída com as famílias a distância.

Amanda vai organizar os portfólios por turma neste ano – ela atende todas as crianças de 2 a 5 anos. “Foi difícil engajar as famílias, por isso não vou fazer o relatório individual. Mas, no fim, até que tivemos sucesso e retorno. Conseguimos chegar nas casas e fomos construindo essa troca”, explica. No documento, ela apresenta o contexto do grupo, revisita as atividades que foram realizadas para construir a narrativa do trabalho e, no lugar dos registros que ela mesma fazia acompanhando as atividades, incluiu os materiais enviados pelas famílias. Nessa retrospectiva, a professora conta que também inclui informações como: a proposta das atividades, os objetivos de acordo com a Base Nacional Comum Curricular, e a organização do espaço ou os materiais utilizados.

Este é o segundo portfólio das turmas que Amanda está preparando durante a pandemia. "Não fica do jeito que fazia antes. Está com pouca mão nossa da documentação que normalmente fazemos, mas está contemplando o que recebemos das famílias", diz. Para agregar a experiência pelo lado de quem vivenciou a prática das atividades, a consultora Camila sugere que o professor pense em formas de incluir perspectivas das crianças, pais e responsáveis na construção do documento. "Ouvir as crianças e incluir o olhar das famílias dentro desse processo é importante", diz. Ela sugere que sejam incluídos comentários sobre o que foi observado na participação e no desenvolvimento das crianças durante o ano.

Para complementar o que o professor observou das devolutivas, é possível enviar para as famílias um formulário que colete percepções. "É possível perguntar aos responsáveis o que a criança mais aprendeu e pedir que eles comparem como a criança estava no começo e como está agora para perceber o desenvolvimento", sugere Leninha Ruiz, professora da pós-graduação do Instituto Vera Cruz e formadora de educadores em diferentes redes de ensino. Dessa forma, a partir das respostas e dos registros enviados é possível reconstruir o percurso dos pequenos neste ano.

Em um ano como 2020, vale a pena fazer um portfólio?
Apesar das mudanças e adaptações, Amanda vê que é essencial manter a construção desse material para fechar o ano. "É um portfólio diferente, porque trabalhamos o que recebemos, mas ainda assim precisamos manter essa ponte com as famílias [e retomar como foi o percurso]", diz. O material é disponibilizado para todas as famílias, independente das entregas dos pequenos. Desta forma, quem não participou pode saber o que foi trabalhado e se engajar nas próximas atividades. “É importante fazer a sistematização do que foi realizado. Fazer esse registro no portfólio é diferente de só falar na reunião de pais”, aponta Leninha.

O trabalho realizado por Amanda também é feito por todas professoras da creche, cada uma da sua forma.  Célia Pastório, diretora pedagógica da Baroneza de Limeira, conta que a orientação dada foi incluir todas as propostas conforme a adesão de cada turma e contar como cada grupo respondeu às atividades. "Indicamos trazer todo o contexto, as ações da escola e de cada turma", conta Célia. Para dar conta dessa narrativa anual, os materiais reúnem formatos diversos, desde relatos até vídeos e fotos.

5 dicas para selecionar as produções dos pequenos

Ferramentas digitais e vídeos são boas opções, mas por que também não envolver as crianças e famílias na construção de uma pasta ou caixa física com fotos, desenhos e outros registros deste ano?

Leninha também sugere que sejam feitos textos simples e claros para apresentar o que foi feito durante o ano. "É necessário ter clareza dos objetivos da atividade para focar os comentários nesses pontos", indica. O portfólio pode ter formatos e informações diferentes. O essencial é que ele retrate o percurso e contexto daquela criança ou grupo.

3 DICAS PARA PENSAR NO PORTFÓLIO DE 2020 NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Para manter a boa prática independente do contexto do ano, separamos indicações para levar em conta na montagem do portfólio das suas turmas

1. Foque na narrativa do percurso das crianças
Independente das mudanças de formato que tenham sido necessárias para adequar a documentação, do material ser on-line ou físico, da necessidade de incluir outros tipos de registro ou de não conseguir documentar da forma que faria normalmente, o mais importante é resgatar o percurso da turma ou da criança, e contar essa história dentro do contexto da turma. Para tal, selecione as atividades mais relevantes, explique brevemente a proposta, quais eram os objetivos, os registros mais pertinentes e uma reflexão de como os pequenos participaram e interagiram dentro da proposta. Tudo isso em uma linguagem acessível para as famílias. “O portfólio tem que contar alguma coisa para a família sobre o percurso daquela criança”, explica Leninha. E, pensando que as professoras não puderam acompanhar de perto o desenvolvimento das atividades, para construir o resultado da turma, é possível pedir o apoio das famílias e das crianças.

2. Valorize todo o retorno e participação das famílias e crianças.
A diretora pedagógica da Baroneza de Limeira indica que esses portfólios reúnam todo o material possível para contemplar as diferentes iniciativas que foram realizadas. "A gente procurou valorizar tudo que foi vivido pelas crianças e famílias", conta Célia. Dessa forma, foram contemplados os registros enviados e as trocas sobre o desenvolvimento da criança. Como gestora, ela ressalta como é importante estar em contato com os pais e responsáveis para entender quais são as questões das famílias, o que tem sido positivo e quais as inseguranças e dificuldades para entender a trajetória que foi realizada neste ano. O professor Evandro Tortora explica como utilizar esses registros enviados pelos pais e responsáveis

3. Invista em ferramentas digitais para preparar o material
É provável que todos os registros disponíveis do trabalho deste ano estejam publicados em uma plataforma digital, redes sociais ou enviados por WhatsApp. Pensando em incluir registros multimídia – vídeos, fotos, áudios ou até arquivos – para enriquecer o registro do percurso, ferramentas como o Google Drive, Dropbox ou Padlet permitem reunir todos esses formatos. A professora Amanda compartilha que para enviar atividades para as crianças de contação de histórias e construir os portfólios, aprender a mexer nesses recursos foi essencial. “Eu aprendi a editar vídeos e usar outras ferramentas para deixar o portfólio mais bacana, criar vídeos com as fotos que mandaram".