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Transição entre etapas: como planejar esse momento em 2021

Confira dicas da professora Selene Coletti para organizar a transição das crianças da Educação Infantil para o Fundamental 1 e desta para os Anos Finais

POR:
Selene Coletti
garota de mãos dadas com responsável, no fundo a escola
Foto: Getty Image

Em um dos “Contos de enganar a morte” (que eu adoro!), Ricardo Azevedo escreveu que “o tempo passa correndo feito um rio que ninguém vê”. E, realmente, em 2020 o tempo correu e nos mostrou diferentes possibilidades de trabalhar, ensinar e aprender, e, desta forma, chegamos ao final do ano. Neste momento, estamos organizando anotações, finalizando registros, percursos e até já começamos a repensar o próximo ano, que também traz muitas incertezas. E para os alunos que irão iniciar uma nova etapa? Muitas são as incertezas e desafios também.

Hoje, quero conversar com vocês sobre a transição dos alunos que começarão um novo momento na jornada escolar: a criança que chega da Educação Infantil e também aquela que sai do 5º ano para o Fundamental 2. Duas realidades distintas, mas que possuem pontos em comum como o desafio de se adaptar ao novo.

Da Educação Infantil para o Fundamental 1
A criança protagonista que aprende a partir de experiências significativas em suas interações e brincadeiras não teve muito tempo de vivenciá-las presencialmente na Educação Infantil junto dos amigos e professor.  A pandemia chegou e esses momentos ficaram restritos a casa de cada pequeno. É bem verdade que elas desenvolveram outras habilidades como a comunicação. Ver as crianças conversando via WhatsApp, por exemplo, compartilhando as experiências em casa, mostram o quanto elas desenvolveram a linguagem oral.

Baixe ficha de transição da Educação Infantil para os Anos Iniciais

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Esse aluno espera no 1º ano uma continuidade daquilo que vivenciou na Educação Infantil, ou então se enche de um certo receio já que escuta de sua família “a brincadeira da escolinha” acabou. Triste ouvir isso, mas essa já é uma outra conversa!

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) propõe a continuidade das experiências vividas numa perspectiva de aprofundamento e ampliação. Os professores do Fundamental 1 precisam ter isso em mente, o que implica em rever a sua forma de trabalhar com essa faixa etária. Sendo assim, é necessário um trabalho com as crianças que chegam nessa etapa e com os professores dos 1º anos. Mas como fazer isso?

Dicas para fazer a transição para o Fundamental 1
É importante que as crianças conheçam a nova escola.  Aqui em meu município uma coordenadora envia vídeos da escola para a qual seus alunos “migrarão” e eles têm a oportunidade de conhecer o espaço escolar antes do primeiro dia de aula. No ano seguinte a segurança aumenta! Essa é uma dica bastante legal e que poderá ser adaptada para os tempos atuais.

Você pode começar o processo de transição, ainda a distância, enviando vídeos pelo WhatsApp dos ambientes da nova escola, gravando um áudio contando como será a rotina, abrindo espaços para a conversa na qual os pais também poderão participar. Isso ajuda a minimizar a ansiedade das famílias. É claro que as “novas” escolas precisam também se organizar para receber essas crianças, tanto fisicamente como pedagogicamente. Uma reunião online entre os coordenadores das duas escolas para falar sobre o trabalho feito com os pequenos e quais estratégias foram usadas neste ano diferente, permitirão focar no pedagógico e já esboçar pontos para a avaliação diagnóstica a ser planejada para 2021.

As secretarias municipais de Educação também poderão organizar rodas de conversa online com os professores da Educação Infantil e com aqueles que atuam no 1º ano contando o trabalho realizado nesse período de aulas remotas. Terão muitas experiências para compartilhar, pois a grande maioria se superou!

Outra dica é a leitura atenta dos relatórios de cada criança, embora, dependendo da organização de cada sistema de ensino, poderá acontecer em 2021, quando os professores já souberem com qual turma irão trabalhar. Redes menores, que já tiverem se organizado, poderão adiantar esse momento.

Pensar na continuidade da aprendizagem é fundamental e ganha uma importância ainda maior no atual cenário. Em 2021, será necessário rever estratégias do 1° ano e buscar por meio das interações e brincadeiras, sugerido na BNCC da Educação Infantil, e da análise dos relatórios, repensar o que será proposto e como será feito.

A transição do aluno do 5º ano para o Fundamental 2
Se pensarmos nas marcantes mudanças físicas, emocionais e comportamentais da adolescência, que acontecem com a “criança” que sai do Fundamental 1 e entra no 2, entenderemos as dificuldades de adaptação que ela enfrenta diante de tantas “novidades” no novo ciclo.

A realidade do Fundamental 2 é muito diferente dos Anos Iniciais. São muitos professores, cada um com um jeito de ensinar, mais componentes curriculares. Já no fundamental 1 os alunos têm um forte vínculo com o professor “da classe”, que é a sua referência. Nessa mudança, as trocas constantes e os 55 minutos por aula não contribuem para formar esse laço.

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O texto da Base que mencionei mais acima, quando falava da Educação Infantil, pode ser adaptado para essa realidade no que se refere à continuidade e aprofundamento do que se trabalhava no Fundamental 1 e na proposta de diálogo entre as etapas. Esse é um bom momento para uma conversa com os professores de ambos os ciclos, sejam da mesma escola ou de escolas distintas. Essa será uma forma dos novos professores conhecerem o aluno que frequentava o 5º ano e, assim, estabelecer essa continuidade.

Tive uma coordenadora que promovia as trocas de experiências entre os professores de cada “ano”. Cada um de nós contava sobre a rotina, facilitando compreender as necessidades da classe, e era um momento carregado de trocas. Promover algo nesse sentido é uma boa dica e contribuirá para que o professor possa fazer um exercício de empatia, procurando entender o aluno que chega no 6º ano.

Mediando esse encontro, as equipes gestoras também precisam ajudar os professores a compreenderem que é preciso uma forma diferenciada de trabalho com esta etapa, procurando estar mais próximos das “crianças”, tecendo os vínculos. As aulas duplas irão ajudar com a abertura para esse novo olhar desse profissional.

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Nessa parceria entre os professores poderá ser produzido, a muitas mãos, um guia para a turma que mudará de ano, apresentando o espaço da nova escola, os professores, os componentes curriculares, a organização dos materiais e os horários, apontando as diferenças entre os Anos Iniciais e os Finais. Ou seja, buscando ensinar o aluno a aprender, um grande desafio para o professor também, não é mesmo? Mas são situações possíveis de acontecer ainda este ano. 

No que se refere aos alunos é possível promover uma roda de conversa virtual. Eles podem levantar suas dúvidas e curiosidades sobre o 6º ano a serem respondidas pelos novos professores. Outra possibilidade é a de enviar as perguntas pelo WhatsApp e responde-las em uma vídeochamada feita com os professores. É uma forma de diminuir a ansiedade do primeiro dia.

Vale uma reunião online, ou presencialmente, tomando todos os cuidados sanitários, com as famílias dos alunos para que eles possam acompanhar e ajudar nessa fase, além de incentivar a presença dos responsáveis na vida escolar.

Você, professor e professora, que atua em uma dessas fases mencionadas, já deve estar com o olhar para 2021. Espero ter contribuído para que haja tempo para planejar o ano letivo seguinte e a enfrentar o desafio do período de transição.

Agora, nos vemos no ano que vem! Foi muito bom dividir esse espaço com vocês durante um ano tão atípico como 2020 :)

Um abraço e até mais,

Selene

Selene Coletti é professora há 39 anos na rede pública. Atua na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos tendo trabalhado do 1º ao 5º ano. Recebeu, em 2016, da Fundação Victor Civita, o Prêmio Educador Nota 10 com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada do município. Atualmente é formadora da Educação Infantil, na Prefeitura de Itatiba.

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