Educação Infantil em 2020 e as mudanças causadas por uma pandemia

Leia as reflexões do professor Evandro Tortora sobre o atual ano letivo e relembre alguns momentos

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Evandro Tortora
professor evandro tortora cumprimento uma das crianças da sua turma com o cotovelo, conforme manda os protocolos de segurança da covid-19
Professor Evandro Tortora cumprimentando uma das crianças da sua turma. Foto: Arquivo pessoal

Acredito que todos nós concordamos: 2020 foi um ano atípico. Todas as instituições de Educação Infantil junto das famílias se reinventaram para poder dar conta das demandas que esses novos tempos nos colocaram e continuam colocando. Novas práticas de interação com as crianças precisaram surgir e a Educação Infantil ganhou um novo formato em meio a pandemia.

Convido você, neste texto, a olhar para trás e relembrar alguns pontos marcantes de um 2020 difícil para as crianças, famílias, professores e professoras Brasil a fora! Nesse olhar para o passado é possível avaliar nossas ações e planejar ações futuras para nossa interação com os pequenos.

Começo de 2020, tudo tão diferente
Em fevereiro deste ano, estávamos todos nós iniciando o ano letivo e planejando o acolhimento das crianças em mais um ano. Lembro dos choros e risos das crianças ao conhecerem a escola. Que memória boa!

Dando andamento ao trabalho, estávamos realizando nossos planejamentos anuais, pensando nas crianças que acabamos de conhecer, nos inteirando das suas brincadeiras favoritas, adaptando as salas para melhor acolhê-las, ouvindo as famílias e suas necessidades... Por aqui, na nossa coluna, eu iniciava minhas discussões com vocês por meio de um diálogo sobre BNCC e planejamentos na Educação Infantil.

Conheça melhor os campos de experiência

Entenda os pontos essenciais sobre a proposta da Base Nacional Comum Curricular para a Educação Infantil e se inspire em práticas reais para cada campo proposto pelo documento

 

Essa era a maior das preocupações naquele momento, não é? Refletir sobre assuntos que, para muitos de nós, pareciam novidade como os “campos de experiência” e os “direitos de aprendizagem” em situações práticas. Mal sabíamos que tudo isso iria ganhar uma nova configuração e novos desafios estariam por vir.

Uma pandemia atinge o mundo e a Educação
Fomos afastadas e afastados do nosso contato com as crianças e em março iniciava-se uma discussão sobre como fazer uma Educação Infantil em tempos de pandemia. Porém, antes mesmo de pensarmos em propostas de interação com as famílias, com objetivos que se aproximassem daqueles planejados para o contexto presencial, a tremenda desigualdade social que assola nosso país nos lembrava que havia muito o que fazer para das suporte às famílias das nossas crianças.

Essa é uma lição que não pode ser esquecida! Apesar de conhecermos as dificuldades das nossas crianças, ficava ainda mais claro ainda que a ação de cuidar, indissociável da ação educativa, ganhava relevância com os conhecimentos sobre como é a vida das crianças no ambiente externo à escola. Em outras palavras, um diálogo com a assistência social tornou-se imprescindível para dar suporte às tantas famílias que precisam de ajuda.

A dificuldade quanto ao acesso às tecnologias também causou um impacto grande nas ações que desenvolvemos com as crianças. Precisamos buscar as melhores formas de conseguir conversar com as famílias e, quando foi o caso, apresentar para gestão escolar nossas dificuldades durante esse processo.

O papel do Whatsapp e de outros recursos digitais 

Veja como a professora Sandra e outros educadores se reiventaram para se comunicar e acolher os pequenos na pandemia. Além disso, confira uma sugestão de atividade da professora para trabalhar com as crianças pequenas e bem pequenas.

Ah, e quanta dificuldade, não é mesmo? Aprendemos muito sobre edição de vídeos, criação de sites, administração das redes sociais... Tantas coisas que, inclusive depois da pandemia, são ferramentas importantes para aproximar as famílias das nossas práticas. Nesse ponto, esse período nos deixa um legado importante: a tecnologia pode ser uma importante aliada para nos aproximarmos das famílias! Os grupos de WhatsApp e páginas das escolas em redes sociais podem continuar a fazer parte das nossas rotinas, seja em tempos de educação presencial ou remota, como forma de convidar os familiares a conhecerem mais da nossa prática.

Voltando a falar sobre cuidar e educar, vale a reflexão sobre o quanto as ações educativas de prevenção ao coronavírus foram importantes às nossas crianças. Acredito que eu não tenha sido o único a sugerir aos pequenos que reforçassem o cuidado de lavar as mãos e intensificassem os hábitos de higiene nesses contextos de pandemia.

Nesse ponto, as crianças deram um show! Nas minhas conversas com as famílias, era comum que elas reportassem os cuidados que os pequenos começaram a reforçar após nossas conversas no grupo de WhatsApp. As crianças entenderam muito bem a importância de se cuidar para cuidar do outro... Uma lição que muitos adultos ainda não entenderam.

Porém, se eu pudesse eleger uma palavra para esse ano eu escolheria empatia. Tentar entender os contextos das famílias e das crianças, as dificuldades que muitos de nós passamos, só é possível, a meu ver, quando exercitamos a empatia, sem pré-julgamentos, mas procurando sentir o que o outro sente. Passa por esse sentimento o contexto de planejamento das ações docentes e, só assim, conseguir cativar as famílias para o desenvolvimentos das ações que propomos às crianças.

Esses são alguns dos tantos desafios que vencemos neste ano! A resiliência dos professores ganhou destaque nesse contexto e, por esse e outros tantos motivos, digo o meu muito obrigado por usarem de seus próprios recursos, reclusos em suas próprias casas, esforçarem-se ao máximo para não abandonar as crianças nesses tempos difíceis e fazendo o possível para tornarem-se presentes na vida de cada criança.

Aprendemos e discutimos muito sobre um possível retorno e estou bem otimista com relação a este momento. Estamos bem próximos de uma vacina e não vejo a hora de voltar a trabalhar presencialmente com as crianças! Acredito que eu não seja  único, não é?

Um abraço carinhoso e até breve,

Evandro

Evandro Tortora é professor de Educação Infantil há 7 anos na Prefeitura Municipal de Campinas, licenciado em Pedagogia e Matemática e doutor em Educação para Ciência pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Bauru. Além da docência na Educação Infantil, tem experiência com pesquisas na área da Educação Infantil e Educação Matemática, bem como desenvolve ações de formação continuada para professoras e professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental.