Inclusão na literatura: conheça 5 livros para incluir na sua cabeceira

Narrativas diversificadas proporcionam representatividade e ampliação da visão sobre a experiência de pessoas com deficiência

POR:
Paula Salas, Ana Paula Bimbati, Duda Oliva
Crédito: Getty Images

Em nossa última indicação da Leitura de Cabeceira, falamos sobre a importância da diversidade nas obras e autores que escolhemos. Há muita riqueza em diversificar cenários, gêneros, histórias sobre pessoas negras, mulheres e também sobre pessoas com deficiência. Não é de hoje que a Educação inclusiva deve ser um ponto a ser defendido na escola. No dia 3 de dezembro celebramos o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, por isso nesta semana trazemos 5 sugestões de livros que falam sobre inclusão. 

Confira abaixo nossas indicações e duas dicas de bibliotecas digitais acessíveis para encontrar materiais diversos: 

1. O Livro Negro das Cores, de Menena Cottin (Editora Pallas - 2011)
E se um livro para crianças optasse por apagar a luz e omitir paletas vívidas e aquarelas? Com esta premissa, a obra explora um universo onde o tato se torna instrumento de leitura não apenas daqueles com alguma deficiência visual, mas de todos que estão dispostos a redescobrir imagens através do toque. Feito inteiramente em tinta preta (com o texto branco), braile e ilustrações em relevo, a genialidade do livro não está apenas na sua inusitada ideia de leitura, mas em propor falar de cores sem usá-las. 

As páginas brincam com o significado das diferentes tonalidades, os objetos e como as cores nos fazem sentir, estimulando que pensemos nestes tons de uma forma mais subjetiva e menos visual, amparados pela experiência tátil da leitura. Através de suas páginas, o livro não apenas convida o leitor a uma nova forma de "enxergar" o mundo, mas permite que todas as crianças troquem experiências e exercitem a empatia.

Curso: Como desenvolver atitudes inclusivas em sala de aula

Este curso tem como objetivo oferecer subsídios para que o professor coloque em ação estratégias que ampliem o olhar para a diferença, focando na recepção de alunos com deficiência, nos processos de socialização e avaliativos.

2. Não somos Anjinhos, de Gusti (Editora Solisluna - 2018)
É comum romantizar a infância e alimentar a crença de que as crianças bem pequenas são inocentes, perfeitas e “abençoadas”. Quando falamos então dos pequenos com alguma de deficiência torna-se quase impossível escapar dos clássicos "como é lindinho" ou o sempre na moda "é uma benção". Contudo, essas visões da infância não deixam de estar equivocadas: as crianças são, de fato, adoráveis. Anjinhos, porém, aí já é outra história…

Cansado da forma excessivamente infantilizada com que geralmente são tratadas os pequenos com síndrome de down e inspirado nas experiências cotidianas com seu filho Malko, que tem a mesma síndrome, o ilustrador-autor conta o dia a dia de um garoto brincalhão com a mesma deficiência. Gusti traz um personagem que ri a beça, rabisca as paredes, gosta de abraço, puxa o rabo do gato e que por vezes come demais da conta, mas que nunca deixa de ser uma criança como qualquer outra.

BIBLIOTECAS ACESSÍVEIS 
Encontrar materiais acessíveis para os alunos com deficiência nem sempre é fácil. Por isso reunimos aqui duas dicas valiosas: 

Biblioteca da Fundação Dorina
Com mais de 3 mil títulos disponíveis, a biblioteca disponibiliza livros em formatos como braile, audiolivro ou com recursos digitais acessíveis (por exemplo alto contraste ou aumento de fonte). Nesse acervo digital, você encontrará desde livros juvenis como A culpa é das estrelas, de John Green, até clássicos como O Alienista, de Machado de Assis ou Til, de José de Alencar. 

Livros acessíveis no Mais Diferenças
Outro lugar para encontrar livros acessíveis é a biblioteca do Mais Diferenças. Com mais de 60 livros disponibilizados em formatos variados, os materiais são baseados nos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem, ou seja, as obras devem ser acessíveis para pessoas com diferentes tipos de deficiência. 

3. Pássaro Amarelo, de Olga de Dios (Editora Boitatá - 2016)
Todo mundo já teve vontade de fazer algo que não conseguia. A invejinha da amiga que sabe andar de skate ou de ver o irmão mais velho saber desenhar e você não. E se você fosse uma ave que nasceu com asas menores que a de seus colegas e não conseguisse voar? É essa história que a autora aborda de forma franca e divertida! Evitando pieguice e optando pelo humor para tratar de temas como diversidade, a leitura propõe um olhar de modo mais gentil para as deficiências que todos nós - em algum grau - possuímos, e sobre superá-las juntos.

Inclusão: um direito antes, durante e depois da pandemia

Neste Nova Escola Box são apresentadas iniciativas e possibilidades para refletir e garantir uma Educação inclusiva mesmo a distância.

4. Serei Sereia?, de Kely de Castro (Editora Kapulana)
Inaê, protagonista dessa história, é uma criança com deficiência física. Com os desafios do dia a dia, a menina encontra em sua mãe o apoio e inspiração para enfrentar os obstáculos. Durante a narrativa, sua mãe lhe conta para a pequena era uma sereia antes de perder o movimento das pernas. As ilustrações mostram Inaê como uma boneca e dão um brilho ainda mais para a obra. Uma leitura carregada de representatividade e que pode ser sugerida para toda turma!

5. Daniel no Mundo do Silêncio, de Walcyr Carrasco (Editora Moderna, 2ª edição 2019)

Da coleção Todos Juntos da Editora Moderna, o livro conta a história de Daniel, um menino de 7 anos que perde a audição. Dessa forma, ele precisa aprender a se comunicar de outra forma e aprende a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Na narrativa de Walcyr Carrasco, com ilustrações de Ana Matsusaki, acompanhamos a experiência do garoto para se comunicar com as demais pessoas. 

O personagem entra em uma escola regular e acaba encontrando dificuldades para ser incluído na turma pela barreira da comunicação - e a falta de ter um intérprete de Libras para o acompanhar em sala de aula. Acompanhe nesta comovente (e realista) história o mundo do silêncio do Daniel e descubra se ele e a turma conseguem superar a barreira do silêncio.

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