Como usar avaliações e atividades para fechar o ano e planejar 2021?

Professores contam suas experiências nesta reta final e trazem dicas práticas para reunir e usar as informações no dia a dia

POR:
Ana Paula Bimbati
Foto: Getty Image

“A gente precisa fechar o ano letivo de 2020 e isso impacta em fazer um diagnóstico para entender o que foi feito, quais foram as habilidades ofertadas e, destas, quantos os alunos conseguiram aprender”, diz a professora Valéria Marques de Oliveira, consultora e especialista do programa Formar, da Fundação Lemann, mantenedora de NOVA ESCOLA. O propósito do diagnóstico é verificar o percurso de aprendizagem dos alunos, identificar aqueles conhecimentos que precisam ser reforçados e buscar pistas relevantes do que será necessário trabalhar no próximo ciclo.

Antes de iniciar o diagnóstico – no ensino remoto ou para quem já retomou as atividades presenciais –  é importante considerar o contexto da sua escola ou turma: os currículos foram alterados por conta da pandemia? Houve uma priorização de habilidades nas atividades ofertadas ou elas foram escolhidas de forma aleatória? Toda a turma teve acesso ao que foi disponibilizado de material neste ano? Para este último tópico, a sugestão de Valéria é que os professores façam um mapeamento mais individualizado em relação aos alunos e aos respectivos conteúdos que tiveram acesso ao longo de 2020.

Dicas para se organizar nas informações

1. Reúna as informações em pastas por aluno ou turma
Graziella Ferraris Moro, professora de Língua Portuguesa no CEMPRE Benedita Ferreira Lopes, na rede pública de Mogi das Cruzes (SP), sugere organizar os portfólios, atividades feitas e diagnósticos por estudante ou turma em pastas do Google Drive. Além da facilidade em ter as informações concentradas em um único lugar, é possível acessar do computador da escola, de casa, ou até mesmo do celular. 

2. Faça prints de conversas e comentários relevantes para o aprendizado
Se você está atuando no ensino remoto com a sua turma, deve receber milhares de mensagens com dúvidas, respostas, compartilhamentos de ideias e discussões de conteúdo entre a turma. Graziella indica que essas informações são ricas para abastecer o diagnóstico de cada aluno e para auxiliar no planejamento em outras etapas pós-avaliação. Para isso, ela tira prints do WhatsApp ou até mesmo de comentários feitos em plataformas como Google Classroom para consolidar mais indicadores para análise. 

3. Crie um sistema simples para sistematizar os diagnósticos
A professora Valéria sugere que os docentes criem planilhas com todas as informações diagnosticadas. No documento, a especialista em avaliação indica a criação de rubricas como “cumpriu a atividade proposta”, “cumpriu parcialmente” ou “não cumpriu”. Para quem precisa de algo mais visual, é possível fazer com as cores do semáforo: verde, amarelo e vermelho. Na planilha é possível colocar links das pastas do drive, caso você tenha seguido a dica 1.

Como usar a avaliação diagnóstica em 2020?
Após reunir as atividades, avaliações e outros materiais de diagnóstico da turma é hora de partir para análise. Com um planejamento flexível, Graziella e a professora Ana Rita Macedo de Lacerda, dos Anos Iniciais do Fundamental da EE Barão do Rio Branco, em Manaus (AM), têm usado as atividades neste fim de ano para replanejar as últimas semanas de aula. “Vou me reinventando a partir das necessidades dos alunos. Aplico um simulado toda quinta-feira, que me dá essa visibilidade”, explica a educadora de Manaus.

Conheça 7 sugestões para fazer o diagnóstico

É necessário saber o quanto a turma avançou na aprendizagem no ensino remoto ou presencial. Abaixo você confere sete pontos, trazidos em NOVA ESCOLA BOX, para se atentar na hora de produzir o diagnóstico dos alunos.

A turma de 5º ano de Ana Rita está se dividindo em dias presenciais e remotos. Ela aplica os simulados da classe de forma dirigida, ou seja, com acompanhamento e pequenas intervenções de apoio. “Nosso plano é flexível e os resultados vão guiando o trabalho”, explica. “Se, por exemplo, tem um descritor do Saeb que apenas 10 de 15 alunos acertaram, eu vou entender mais profundamente o que preciso mudar para garantir a aprendizagem de todos”, conta. Se reunir com outras colegas também a ajuda a pensar nessa nova forma de levar o mesmo conteúdo.

Graziella, em Mogi das Cruzes, segue a mesma linha de Ana. Ela está trabalhando apenas na modalidade remota de ensino e apresentou aos alunos o conteúdo sobre conjunções. Na devolutiva da turma, percebeu que ainda havia muitas dúvidas sobre como utilizá-las. A partir disso ela criou novas aulas e teve um retorno de sucesso. Para professora esse é um momento também para refletir sobre seu próprio trabalho. “É no diagnóstico que a gente vai entender se aquela proposta pedagógica funcionou ou não”.

Dica extra para um ano de pandemia
Em um momento sensível, como a de pandemia, que impacta a saúde física, emocional e até mesmo economicamente os alunos e suas famílias, Valéria aponta que é necessário considerar esses pontos na sua avaliação diagnóstica. O olhar para socioemocionais e até mesmo a percepção dos pais ou responsáveis em relação ao período pode trazer ganhos na hora de consolidar todo material. “A gente sabe que alguns perderam entes queridos e precisamos acolher esses estudantes. Não só olhar para aprendizagem, mas enxergar os desafios que impactam todo o processo”, sugere Ana Rita.

Para os alunos com mais dificuldade, ela acompanha mais de perto e encaminha para uma aula de reforço, que foi indicada pela própria secretaria para todas as escolas. “Trabalhamos durante um mês com esses alunos e fechamos o primeiro bloco semana passada. Agora teremos uma reunião para elencar os novos grupos de reforço”, explica Graziella. 

Como usar as avaliações diagnósticas em 2021?
As informações de atividades avaliativas também são úteis para o planejamento de 2021 – especialmente para aqueles docentes que devem seguir no próximo ano letivo com suas turmas atuais, como é o caso de Graziella. Ela continuará com a sua turma do 8º ano, que estará no 9º em 2021. “Então, as informações das atividades já me mostram conteúdos que vou precisar retomar, pois dependo desses conhecimentos para apresentar outros temas previstos na BNCC [Base Nacional Comum Curricular]”, conta.

Independente de continuar com a turma ou não, Valéria sugere que os professores troquem informações com a coordenação pedagógico e com pares. “O melhor instrumento, pensando no momento que estamos, é a planilha consolidada ou até mesmo os portfólios dos alunos”, indica. Neste momento de troca, a especialista diz que é importante todo o corpo docente pensar, a partir das diferentes informações, quais são os modelos de aprendizagem que podem funcionar para aquela realidade: atividades de reforço, continuum 2020/2021 ou um período de nivelamento, por exemplo.

Confira estratégias para avaliar sua turma

Nesta edição de NOVA ESCOLA BOX, você pode tirar suas dúvidas e ver sugestões para avaliar seus alunos do Fundamental 1. Clique abaixo e confira as indicações para Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História e Geografia.

Em Manaus, a rede de ensino já tem previsto um mês de revisão, em fevereiro, na volta às aulas e toda informação que a Ana Rita pode repassar para seus colegas que vão ficar com a turma do 6º é importante. “A gente tem se guiado por um documento da secretaria de Educação que fala sobre as expectativas de aprendizagem”, explicou. Esses materiais deverão auxiliar a gestão escolar e a equipe docente no planejamento 2021.