Indicação literária: conheça um livro juvenil que fala sobre racismo e violência policial

Cartas para Martin trata sobre um jovem que enfrenta diversos obstáculos, exclusivamente, pela sua cor da pele

POR:
Ana Paula Bimbati
Foto: Arquivo pessoal

Impossível você ter vivido em 2020 e não ter sido impactado por casos de violência contra pessoas negras. O mais emblemático deste ano é possível que seja o caso de George Floyd, que foi assassinado no mês de maio por um policial branco nos Estados Unidos. Pensando nesse contexto, se aprofundar nas discussões e fazer algo para diminuir a desigualdade racial é mais do que essencial.

Nas últimas semanas, tive momentos de reflexão profunda durante a leitura do livro Cartas para Martin, de Nic Stone (Intrínseca). Hoje essa é minha sugestão para quem deseja continuar enxergando, lendo e pensando em como diminuir esses abismos. Vamos lá?

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No livro, a autora Nic Stone traz a história de Justyce McAllister, um jovem negro de 17 anos, de Atlanta, considerado um dos melhores alunos de uma escola de elite, mas que sempre é colocado em xeque por conta do racismo. Logo no início, Jus é preso injustamente quando tenta ajudar a ex-namorada, que estava bêbada e tentando dirigir. No entanto, para os policiais, o adolescente era sinônimo de perigo por causa da sua raça e o prende.

Os capítulos se desdobram a partir desse episódio. Jus passa a olhar para sua vida de maneira diferente. Ele começa a se questionar, por exemplo, do que adianta estudar, se dedicar e ser uma boa pessoa, já que ele sempre vai enfrentar situações como essas por causa da sua cor. O adolescente passa a escrever cartas para Martin. Sim, Martin Luther King, conhecido mundialmente por sua luta pela igualdade racial. O protagonista decide escrever para entender o que Martin faria em seu lugar, qual atitude tomaria, como ele se sentiria.

Ao final de alguns capítulos podemos ler as cartas escritas por Jus a Martin. Eu, que sempre admirei ler ou escrever cartas, encontrar esse gênero textual dentro de um romance foi incrível! O leitor entra em contato com a preocupação, ansiedade e desespero do jovem para entender o motivo de muitas atitudes, o que pode fazer e a sua desesperança com futuro - que não depende apenas de seu esforço, mas sim sua cor, que sempre ditará as regras - é um soco no estômago mais do que necessário.

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Não sabe como aproximar os alunos do Ensino Fundamental da literatura? A proposta deste curso é discutir estratégias didáticas que contribuam para a formação de adolescentes que sejam leitores literários, por meio da apresentação de gêneros que dialogam com a realidade deles.

Com diálogos prováveis de acontecer no dia a dia de muitas pessoas, é possível se sentir dentro de situações retratadas pelo livro. Como quando alguns alunos da sala de Jus tentam explicar a existência de racismo reverso (preconceito com alguém que é branco) ou quando a entrada na universidade é questionada se foi por mérito ou pela “ajuda da cota”. Qualquer aluno do Ensino Médio conseguiria se identificar com um dos personagens do livro, que também fala sobre relações amorosas e questões familiares.

Sem dar maiores spoilers, durante a leitura consegui sentir um misto de emoções como raiva, alegria, tristeza e uma grande expectativa para saber o que Jus faria ou o que poderia acontecer com ele. O livro se divide em duas partes, já que no meio da obra acontece mais uma situação que coloca Jus em xeque.

De forma didática e com exemplos conectados a nossa realidade, Nic Stone consegue trazer pelas falas e situações que evidenciam o que é racismo, como ele acontece, o efeito da mídia, a violência policial e até mesmo alguns motivos porque muitas pessoas se negam a acreditar que a desigualdade racial existe.

Apesar de ser um livro juvenil, ele deveria ser lido por todos. Entender e fazer algo pela luta contra o racismo é responsabilidade de todos. Inclusive, como uma grande admiradora de livros que se tornam filmes, acho que essa história daria uma bela obra cinematográfica.

E você, o que acha de livros conectados a realidade? Já ouviu falar sobre Cartas para Martin? Conta para a gente nos comentários!

Um abraço e até a próxima leitura,

Ana Paula Bimbati
Repórter do site de NOVA ESCOLA

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