E-book: Diferenciando Monarquia de República para pensar a Independência do Brasil

Confira um material que aborda as principais diferenças entre as formas de governo e permite trabalhar a iconografia com alunos do 1º ao 5º ano

POR:
Marina Gama Cubas
Diferentemente de outros países da América Latina, o Brasil preservou o regime monárquico na Independência. Obras: Aclamação de dom Pedro I/Jean-Baptiste Debret e Proclamação da República/Benedito Calixto

Se formos comparar os resultados dos processos de Independência do Brasil e de outros países sul-americanos, poderíamos dizer com tranquilidade: “Tão perto, porém tão longe”.

Isso porque, apesar da proximidade geográfica entre os territórios, as colônias espanholas tomaram um rumo diferente na escolha do sistema de governo implantado após se tornarem independentes. 

O professor de História Jair Ferreira, integrante do Time de Autores de NOVA ESCOLA e consultor desta Caixa, explica: enquanto os territórios conhecidos como América espanhola se tornaram repúblicas, o América portuguesa - o nosso Brasil - manteve o sistema monárquico em todo seu território.

Uma das habilidades previstas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o 5º ano em História, por exemplo, é de que os alunos identifiquem os mecanismos de organização do poder político para compreenderem a ideia de Estado. Entender quais são as principais diferenças entre a forma monárquica e a republicana de governo é uma boa maneira de trabalhar o tema das independências no Brasil e na América do Sul. 

Pensando nisso, preparamos um material comparativo que pode ser adaptado para todos os anos do Ensino Fundamental 1. No e-book, trazemos também sugestões comentadas de imagens de reis, presidentes e bandeiras que permitem o trabalho iconográfico com os alunos dos primeiros anos da etapa, ainda em processo de familiarização com os principais temas da história. 

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Por que o Brasil independente optou pela Monarquia?

Um elemento importantíssimo no ensino de História é a contextualização. Segundo o professor Jair, três aspectos foram importantes para explicar por que o Brasil optou pelo regime monárquico no seu processo de Independência.

O primeiro deles é que, no período colonial, a América espanhola já tinha seus territórios divididos em partes menores, enquanto a América portuguesa manteve a unidade política de todas as províncias - ainda que tentativas de separação tenham ocorrido ao longo do reinado português. O vídeo abaixo detalha os motivos que levaram à preservação da unidade territorial brasileira. 

A segunda questão está vinculada a outro importante momento da História: as Guerras Napoleônicas na Europa. Enquanto as tropas de Napoleão Bonaparte tomavam para si territórios de diferentes reinados europeus destituindo reis e rainhas, a família real portuguesa decidiu fugir e se instalou no Brasil, onde permaneceu de 1808 a 1821. Isso fez com que os moradores da América portuguesa convivessem com a família e os costumes reais, desfavorecendo uma ruptura no modelo de governo com o qual já estavam habituados.

O oposto aconteceu na América espanhola. Com a destituição de seu rei na Espanha, a elite que vivia na colônia criou um sistema de juntas para garantir a autonomia do território em tempos de dominação napoleônica no continente europeu. 

Anos mais tarde, quando o rei da Espanha é reconduzido ao poder, as elites da América espanhola lutam para que as juntas provisórias criadas no período anterior permaneçam e que seja mantida a autonomia de cada uma delas em relação ao reino Espanha, criando a semente para o processo de Independência. O modelo de juntas provisórias inspirou o legislativo que conhecemos hoje e que faz parte do modelo de República.

O terceiro ponto que distanciou a forma de governo do Brasil com o restante dos países foi a relação desses territórios com a escravidão. Enquanto os países da América espanhola aboliram o cativeiro, alguns anos depois de seus processos de Independência, o Brasil não só manteve o regime escravista, como intensificou-o.

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