Independência nos Anos Iniciais: do contato com o tema à reflexão sobre personagens e símbolos

Leve o 7 de Setembro para as turmas abordando noções básicas sobre a emancipação de Portugal com os alunos mais novos e estimulando um olhar mais crítico no 4º e no 5º ano

POR:
Marina Gama Cubas
Com os alunos mais velhos, é possível aprofundar temas como a manutenção da escravidão após a Independência. Obra original:  Pano de boca executado por ocasião da Coroação do Imperador dom Pedro I/Jean-Baptiste Debret

Trabalhar datas e marcos históricos no Anos Iniciais do Ensino Fundamental pode ser um desafio e tanto para os professores polivalentes. Nem sempre a linha do tempo que compõe os eventos considerados chaves para a história do Brasil estão frescos e claros na memória do professor, que precisa abordar outros seis componentes curriculares com as crianças no decorrer de todo o ano letivo. 

María Auxiliadora Silva Souza, professora polivalente de uma escola localizada na comunidade quilombola de Castainho, em Garanhuns (PE), conhece bem essa dificuldade. Ela conta que um dos maiores obstáculos do professor do Fundamental 1 é não ter a formação específica para ensinar História, o que exige que o educador dedique tempo maior para a preparação das aulas.

Embora a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) aponte que o ensino de História precisa estimular um olhar crítico das crianças aos fatos históricos apresentados, o professor Jair Ferreira, integrante do Time de Autores de NOVA ESCOLA e consultor desta Caixa, ressalta que nos primeiros anos do contato do aluno com a disciplina o professor precisa construir as bases do conhecimento histórico para, em um segundo momento, desconstruir as visões mais tradicionais dos eventos que transformaram a sociedade como ela é hoje.

“No 1º, 2º e 3º anos, o professor deve trabalhar o básico, mostrar que aqueles que nasciam até 1822 no Brasil não eram brasileiros, mas portugueses.” O propósito, explica Jair, é explicar às crianças que outro reino dominou o Brasil antes de ele ser o país que conhecem hoje.

“O professor não precisa se preocupar em detalhes profundos nesses primeiros anos de contato com a história brasileira”, afirma.

No processo de independência, por exemplo, o professor dos Anos Iniciais precisa conhecer os personagens envolvidos no evento histórico, entender o que é ser independente, o que existia no Brasil antes de sua independência e saber como foi o período da emancipação de Portugal para poder explicar os aspectos essenciais da data para os alunos.

Recursos para tornar a aula atraente não faltam. O professor pode utilizar de diferentes ferramentas como músicas, imagens, mapas e poesias para apresentar um contexto ou acontecimentos históricos. Maria Auxiliadora conta que, para trabalhar a história do Brasil na sala de aula, ela utiliza textos curtos, figuras de personagens históricos para pintar e até o Hino Nacional ilustrado nos primeiros três anos do Fundamental.

No 4º e 5º ano, sugere Jair, o professor já pode aprofundar um pouco mais no conteúdo, apresentar diferentes versões para um mesmo evento e levantar algumas contradições que auxiliem a criança a começar a desconstruir a mitologia por trás dos marcos históricos.

No caso do 7 de Setembro, o professor pode explicar que, por algum tempo, a Independência do Brasil foi comemorada em outra data - 12 de outubro -, que corresponde ao dia que dom Pedro I foi coroado imperador do Brasil.

Um olhar crítico sobre quadros emblemáticos do período é outra proposta que permitirá o desenvolvimento de um pensamento histórico crítico por parte dos alunos (veja uma sugestão de atividade aqui).

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