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10 dicas para se manter próximo das famílias mesmo a distância

Saiba como lidar com os responsáveis das crianças, que têm um papel importante na continuidade dos estudos no ensino remoto

POR:
Mara Mansani
Foto: Getty Image

Para o melhor resultado possível na continuidade dos estudos dos alunos, durante a pandemia, agora no contexto familiar, não basta somente um bom planejamento de atividades alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), dentro de nosso currículo, distribuídas e organizadas em uma rotina de estudo. É preciso estabelecer uma parceria entre professores e famílias, com bons canais de comunicação, com regras de participação entre outras coisas.

Para planejamento das atividades e rotinas de estudo, as redes de ensino fazem formações orientando seus professores, mas apesar de todos afirmarem a importância da parceria família e escola na efetivação e aprendizagem dos nossos estudantes, nem sempre há formações que orientem e contribuam com ações nesse sentido.

Então, fica nas mãos e responsabilidades dos professores estabelecer essa parceria, que nem sempre estão preparados ou têm as melhores estratégias e instrumentos. Isso pode contribuir para maior dificuldade e possíveis problemas na continuidade dos estudos e aprendizagem dos alunos.

Em anos como professora, não me lembro de ter tido uma disciplina ou formações que orientassem essa parceria, tão propagada na Educação, apenas dicas e algumas falas superficiais. Penso que precisamos repensar esse tema, precisamos de formações que levem em conta a comunicação, as interações e relações humanas, entre outros elementos, para criarmos uma cultura de participação e colaboração entre escolas e famílias.

Olha o desafio
Mas e agora? O que podemos fazer nesse momento de aulas remotas para estabelecer uma boa comunicação e parceria com as famílias de nossos alunos, enquanto não temos essas formações? Que cuidados e atenção temos que ter?

Compartilho com vocês, situações que muitos professores estão vivenciando, inclusive eu, possíveis atitudes e ações que podemos adotar. Tenho certeza que você já passou ou está passando por alguma delas. O canal de comunicação pode variar, WhatsApp, redes sociais, telefone e outros aplicativos, mas a base nessa comunicação e parceria é a mesma, o respeito entre as partes!

Conversa objetiva e compreensível 
"Professora não estou entendendo nada do que a senhora está falando!”
A comunicação para as famílias deve ter uma linguagem clara, objetiva, que as famílias compreendam. Como já disse em outro post, pais não são professores. Evite palavras ou termos técnicos/pedagógicos próprios da nossa profissão ou encontre maneiras de “traduzir”, de deixar mais compreensível, mas com outras palavras.

Às vezes reclamamos que pais e ou responsáveis não fazem ou participam de algo proposto, mas na verdade pode ser que não tenham entendido. Por isso, é melhor retornar ao ponto e perguntar se precisam de ajuda, se não entenderam algo, ou em que você pode ajudar. Mais de uma vez passei por isso, achando que a família não queria colaborar.

Tutoriais – Tudo bem explicado 
"O que é para fazer mesmo?” ou “O que faço primeiro?”
Para quaisquer atividades que pais e responsáveis tenham que desenvolver com suas crianças, nossos alunos, em casa, especialmente na alfabetização, devem ser muito bem explicadas.

Passo a passo, com orientações, possíveis falas para as crianças, orientação quanto ao ambiente onde serão realizadas as atividades, materiais que serão usados, tempo de realização, se necessário, com apoio de imagens, vídeos explicativos ou áudios. Tudo bem detalhado! Dá trabalho, mas essa espécie de manual faz todo o sentido para uma boa realização das atividades.

Procure manter um padrão no modelo dos tutoriais. Com o tempo as famílias se habituam com a sua forma de explicar e assim o desenvolvimento do estudo em casa vai ficando um pouco mais fácil!

Saber ouvir
"Não aguento mais professora! Ele não para quieto para fazer as lições!”
Realmente saber ouvir é uma sabedoria! Muitas vezes as famílias, especialmente e em sua maioria as mães, estão sobrecarregadas por todo o trabalho de casa, externo e o acompanhamento, por vezes solitário, dos estudos em casa. Reclamam, pedem socorro, querem desistir, choram, se sentem desanimadas. Às vezes ouvir um desabafo, falar uma palavra de conforto e de orientação, podem significar muito para famílias que estão nessa situação. A empatia constrói vínculos! 

Como engajar os alunos do Fundamental 1 no ensino remoto?

 As aulas a distância trouxeram ainda mais desafios para os professores no dia a dia e entre eles está a busca dos educadores sobre como engajar suas turmas. Descubra o que fazer e o que evitar para melhorar o engajamento dos alunos e também como organizar seu espaço em casa para trabalhar. 

Você pode estar pensando agora também: “mas quem ouve a nós professores?”. O que pode ser de grande ajuda para todos nós professores são conversas com amigos e ou colegas de profissão. Tenho me sentido melhor assim. Pelo menos um dia da semana, geralmente aos sábados, tiro uma hora para conversar com meus amigos. Conversamos sobre alunos e escola, mas principalmente dos nossos sentimentos, rimos juntos e fazemos nossos desabafos. Experimente! Garanto que você também vai se sentir muito melhor.

Ter paciência
"Professora me manda as atividades de novo, não sei onde estão, perdi!”
De novo, de novo e de novo! Sim, muita paciência. A vontade às vezes é de falar, “mas já mandei no grupo ou não sabe onde está novamente?”, mas realmente isso não resolve a situação, pelo contrário só vai agravá-la e você pode até perder a participação dessa família. Isso prejudicaria a aprendizagem do seu aluno, que muitas vezes nem entende o que está acontecendo. Então, faça print de tela, mande a atividade de novo, explique novamente, ou seja, respire fundo e se acalme, a tendência é que essas situações no mínimo diminuam.

Não desista 
"Não estou podendo ajudar e acompanhar meu filho, professora, e também ele já é grande, né!"
Não podemos desistir, nem quando a própria família desiste de apoiar os estudos de sua criança. É nossa responsabilidade também! Continue nesse trabalho árduo e diário de convencimento da importância dos pais e responsáveis no estudo dos filhos. Insista quantas vezes for necessário! 

Combinados 
"Desculpa mandar mensagem a essa hora, professora, mas só agora tive tempo!”
Faça combinados claros e se possível construídos coletivamente com as famílias ou que elas possam dar sua contribuição. Nas regras muitas vezes precisamos de flexibilidade e abrir concessões quando há casos específicos e peculiares de algumas famílias.

Por exemplo, pais e ou responsáveis que trabalham durante o dia e só à noite podem dar devolutivas e tirar dúvidas. Nesse caso, tudo bem, mas mandar mensagem quase a meia-noite já não é aceitável. Mas precisa lembrar que as regras valem para os dois lados, ou seja, também para nós professores.

Rotina
"O que vamos fazer hoje, professora?”
Uma rotina organizada pode ajudar muitas famílias no estudo dos filhos em casa. Se eles sabem o que fazer a cada dia, evitamos transtornos, facilitamos e respeitamos os tempos deles e até mesmo os nossos como professores, além de contribuir no percurso de estudo e aprendizagem dos nossos alunos de forma contínua.

Chamar a responsabilidade e depois comunicar a escola 
"Até amanhã dou retorno, professora!”
Você tenta uma, duas vezes e mais, e nada, nenhum retorno, nenhuma devolutiva... Hora de comunicar a escola para ações chamando a responsabilidade dessa família, mas primeiro crie condições e facilidades para isso e se não funcionar aí encaminhe. A responsabilidade é de todos, famílias, professores e também da gestão escolar.

Valorizar a participação das famílias
“Estou aprendendo tudo de novo, professora e até coisa novas. Nem sabia fazer a conta assim!”
Valorize, elogie a participação das famílias sempre! A maioria delas está se esforçando tanto e dando o seu melhor. Se há a continuidade nos estudos, se há aprendizagem em tempos de estudo remoto, é pelo trabalho de todos nós.

Reunir: famílias e professores
“É muito bom saber que estamos todos juntos!”
As reuniões agora, mesmo virtuais, entre famílias e professores são ótimos momentos para estreitar e criar vínculos, especialmente nesse momento de pandemia. Há um sentimento de coletividade e ajuda mútua que não era muito visível ou não acontecia mesmo antes desses tempos. As experiências em reuniões em minha escola têm sido muito positivas e emocionantes. De repente, distantes, mas muito mais próximos agora.

Como viram são dez dicas simples que podem contribuir em uma melhor parceria e comunicação entre nós professores e famílias. Quem ganha? Todos nós, especialmente nossos alunos em sua aprendizagem!

Se vocês, queridos professores e queridas professoras, já fazem algo nesse sentido, compartilhe com a gente aqui nos comentários.

Um grande abraço e até a próxima!

Mara

Mara Mansani é professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF, no livro “Muda o Mundo, Raimundo”. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

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