Como avaliar o trabalho pedagógico no retorno a partir dos direitos de aprendizagem da BNCC

Após meses de isolamento social, é importante valorizar dois dos seis direitos previstos na Base: o conviver e o conhecer-se

POR:
Marina Gama Cubas
No retorno, a avaliação deve estar focada em uma dimensão mais subjetiva das crianças. Ilustração: Nathália Takeyama/NOVA ESCOLA

Em um futuro retorno às escolas, é fundamental pensar a avaliação das crianças a partir dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento presentes na BNCC de Educação Infantil. Dentro de um contexto pós-isolamento, o professor precisa ter um olhar ainda mais atento sobre o comportamento das crianças, de modo a acompanhar e garantir o seu bem-estar e o cumprimento de seus direitos na prática. 

Por isso, a avaliação no retorno não deve se voltar para a verificação do cumprimento de algum conteúdo específico, explica Mônica Samia,  coordenadora do Programa de Educação Infantil da Avante Educação e Mobilização Social. Para ela, a observação inicial deve estar focada numa dimensão mais subjetiva, que envolve, sobretudo, dois dos seis direitos previstos na BNCC: o direito de conviver e o direito de conhecer-se (os outros direitos são brincar, participar, explorar e expressar). 

“O mais importante de avaliar neste momento é esse conteúdo subjetivo, que vem muito expresso nesses dois direitos.” Mônica lembra que as crianças chegarão à escola com meses de um convívio social restrito e é preciso observar qual a disposição delas em conviver com professores e colegas. Pode ser que seja um momento de alegria para algumas, mas pode também gerar ansiedade ou medo para outras. Isso precisa ser trabalhado, diz a especialista. 

Já em relação ao direito de conhecer-se, Mônica enfatiza que é hora de compreender como as crianças processaram toda a experiência de isolamento social e quais foram as aprendizagens decorrentes dela. “Este direito traz ao currículo da Educação Infantil um ponto importante a ser avaliado: o que essa criança consegue dizer de si e da experiência que viveu nesta pandemia”, explica.

Para essa avaliação, muitas são as estratégias possíveis. Por exemplo: dentro das brincadeira propostas, o professor poderá observar como cada pequeno reage às interações e limitações, seja com outra criança, seja com o adulto.

A contação de histórias, por sua vez, propicia que as crianças também se inpsirem a relatar a própria experiência, ao interagirem com as personagens e se expressarem a partir dos seus contextos. Essa comunicação, a depender da idade, também poderá ocorrer de maneira não verbal, ou indireta, por meio da produção de desenhos e jogos simbólicos.

Todas as observações que o educador conseguir recolher a partir das experiências vivenciadas pelas crianças servirão de subsídio para continuar o planejamento de estratégias pedagógicas que ajudarão as crianças no processo de readaptação.

Mônica lembra ainda que a escola deve também envolver as famílias nesse processo avaliativo. É fundamental ouvir o que elas viveram. Se houve algum episódio de doença na família, se os espaços disponíveis eram muito restritos ou mais diversificados, se houve contato com outras crianças e familiares, qual era a disponibilidade dos pais para dar atenção a ela etc. Tudo isso servirá para entender as atitudes das crianças na escola e acolhê-las de forma a garantir que estes e os demais direitos possam ser garantidos.