Ensino remoto: como potencializar suas aulas com o Google Forms

A ferramenta de formulários do Google oferece modelos prontos para avaliações e permite fazer testes de múltipla escolha, inserir fotos e vídeos

POR:
Victor Santos
Formulários que permitem fazer avaliações, testes de múltipla escolha são apenas alguns dos recursos do Google Forms   Crédito: Getty Images

Dentro do contexto de ensino remoto trazido pela pandemia do novo coronavírus, os professores precisaram ser muito criativos, encontrando soluções que funcionassem como ferramentas pedagógicas e que, ao mesmo tempo, despertassem o interesse dos alunos nas atividades remotas. Uma das ferramentas que se mostrou mais eficiente nesse momento foi o Formulários Google, popularmente conhecido também como Google Forms.

“As ferramentas do Google apresentam muitas possibilidades de trabalho, e fazendo bom uso delas o professor pode exercitar inúmeras habilidades e competências”, afirma Renata Capovilla, formadora de professores e capacitadora do Google For Education. Dentre as ferramentas, o Google Forms é uma das mais utilizadas por se adequar a diferentes usos e projetos. “Trata-se de uma ferramenta que permite produzir desde pequenas atividades, avaliações e testes de múltipla escolha, até trilhas de aprendizagem”, aponta a especialista. “O professor pode, inclusive, trabalhar com sala de aula invertida”.

Para verificar esses usos e destrinchar as maiores vantagens dessa ferramenta, NOVA ESCOLA foi ouvir educadores que estão criando e compartilhando formulários com seus alunos.

 

Nível básico: começando os trabalhos com formulários

“No início, eu tive um pouco de dificuldade, mas as ferramentas do Google são muito simples de entender e intuitivas, então fui fuçando um pouco, vendo tutoriais e me adaptando ao formulário”, conta Renata Passone, professora de História para Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio na rede estadual de Londrina (PR).

As ferramentas são bastante acessíveis até para professores que não se consideram “fuçadores”. Para quem está chegando agora e não está familiarizado com a ferramenta, a capacitadora Google Renata Capovilla dá uma dica para quem quer utilizar o formulário. “Um bom ponto de partida são os modelos prontos”, destaca a formadora de professores, “ali, você encontra modelos como ‘atividade final’, ‘avaliação’, ‘avaliação do curso’, entre outros. Então, se você nunca trabalhou com o Forms, é uma boa opção para começar”.

Para isso, depois de criar a conta no Google, e acessar o seu Google Drive [serviço de armazenamento de documentos], basta clicar no botão “Novo” no canto superior esquerdo, e seguir o caminho “Mais à Formulário Google à Com base em um modelo”.

 


 

Básico intermediário: criando questionários e pesquisas

Segundo o professor Joabson Pereira, que atua no Ensino Fundamental 1 nas redes municipais de Pombos (PE) e Vitória de Santo Antão (PE), os formulários do Google foram uma ajuda e tanto nesse momento da pandemia. “No início, os alunos enviavam muitas fotos das atividades no caderno, o que lotava a memória do celular dos professores”, relembra o educador, que viu nos formulários uma possibilidade de unificar os trabalhos com atividades e questionários on-line. “Uma das maiores vantagens da ferramenta é a possibilidade de formular perguntas com respostas discursivas ou objetivas”, indica Joabson.

Para elaborar essas questões, é preciso inicialmente criar um novo formulário, seguindo o caminho no Google Drive: clicar no botão Novo (no canto superior esquerdo) à Mais à Formulário Google à Formulário em branco. A partir daí, é preciso criar um título (no canto superior esquerdo) e uma descrição no campo “Descrição do formulário”.

A seguir, na hora de criar a primeira pergunta, a caixa à direita lista todas as possibilidades de questões que podem ser criadas: o autor pode optar por questões discursivas, podendo então selecionar as opções “Resposta curta” ou “Parágrafo”; ou ainda optar por questões objetivas, tendo aí uma infinidade de opções: Múltipla escolha, Caixas de seleção, Lista suspensa, Escala linear, Grade de múltipla escolha e Grade da caixa de seleção.

O professor Joabson aponta ainda outra grande vantagem desses questionários no Forms. “Além de não ocupar espaço no armazenamento interno dos aparelhos, o formulário se ajusta à tela, de acordo com o dispositivo de acesso”, destaca o educador. Isso quer dizer que não importa se o aluno usa celular ou computador para fazer a lição, o formulário se adequa ao tamanho da tela e as informações nunca aparecem truncadas ou cortadas. Além de enfatizar esses recursos, a especialista Renata Capovilla salienta que “o Google Forms funciona em todos os dispositivos, o que é muito útil”. “Na Educação Infantil, por exemplo, se a criança está usando um celular ou tablet, é só clicar na tela, não precisa ter a destreza de clicar com o mouse, que é mais difícil para ela”, diz.

 


 

 

Básico avançado: como usar formulários com diversos formatos e estilos

Se os recursos de inserir perguntas com possibilidades de respostas variadas e diferentes níveis de dificuldade agrada muito a professores, outros recursos são igualmente chamativos para quem se dispõe a trabalhar mais o engajamento. “Eu posso inserir fotos, links e vídeos, e com isso, fica tudo bem interativo e com um visual bonito”, afirma a professora Renata Passone.

Os botões necessários para essa edição e personalização do seu formulário estão no menu lateral e no menu superior, ambos do lado direito. No menu lateral, o primeiro ícone de cima para baixo permite que o autor acrescente uma nova questão; o segundo, possibilita importar perguntas de outros formulários do mesmo autor; o terceiro, permite a criação de título e descrição; e o quarto e o quinto tornam possível, respectivamente, adicionar imagens ou vídeos do YouTube à sua pergunta, além do último ícone, que possibilita adicionar uma seção (mais detalhes ao final desta reportagem). Caso o educador queira inserir imagens também na resposta, basta colocar o cursor sobre a alternativa, que o mesmo ícone para inserir imagem aparecerá – basta clicar e adicionar a foto ou figura desejada.

Já para alterar a aparência, é preciso clicar no ícone de aquarela no menu superior do lado direito. Feito isso, aparecerão as opções de inserir uma imagem no cabeçalho; alterar a cor do tema e do plano de fundo, e ainda, editar o estilo da fonte.

Ao lado do ícone de aquarela, ainda no menu superior do lado direito, aparece outro elemento importante. Esse pequeno ícone com um símbolo de olho serve para a visualização do seu formulário. “Se você criou um formulário, teste-o para ver como está funcionando”, aconselha Renata Capovilla. “Volte lá, verifique se tem algum erro, e corrija-o. O ideal é testar sempre esse formulário, até você ganhar fluência nisso que está desenvolvendo. Depois de ganhar fluência, você faz de olho fechado”.

Após elaborar, editar e testar, chega o momento de enviar o formulário. Basta clicar no botão “Enviar” no canto superior direito, e ali, selecionar qual a forma de envio – entre as opções mais utilizadas estão o envio por e-mail, digitando os endereços, ou pelo link, que pode ser encurtado. Existe, ainda, a possibilidade de compartilhar o Forms no Facebook ou Twitter, bastando clicar nos ícones dessas redes sociais que aparecem no topo da caixa.

 


 

 

Intermediário: avaliando alunos com o Google Forms

A professora Evelise Pereira, que leciona Ciências da Natureza para Ensino Fundamental na rede municipal de Canoas (RS), já tinha uma familiaridade com a ferramenta. No início da pandemia, o Google Forms funcionou bem como uma solução provisória para entregar atividades de forma fácil, rápida e barata. “Depois, quando o tempo de afastamento se prolongou, o uso dos formulários se mostrou muito promissor, pois quando o aluno finalizava e enviava uma atividade, imediatamente eu tinha registro com data e horário de acesso ao sistema”, relata Evelise. “Isso possibilitou uma informação concreta de quem estava conseguindo realizar as atividades”.

O professor deve seguir alguns passos para obter esses dados e registros importantes por meio dos formulários. Em primeiro lugar, é preciso ir até o menu “Configurações”, clicando no ícone de engrenagem no menu superior do lado direito, e em seguida, ir para a aba “Testes”, marcando a opção “Criar teste”.

Depois, já nas questões, é importante marcar todas elas como obrigatórias. Em seguida, em perguntas de múltipla escolha, deve-se selecionar a opção “Chave de resposta”, marcar a opção correta, e, se desejado, definir uma pontuação para aquela questão e adicionar um texto de feedback, tanto para a resposta correta quanto para as incorretas.

Com isso, o registro do horário de acesso e do desempenho dos alunos fica completamente disponibilizado para o educador, como já mencionado pela professora Evelise. Essas informações aparecem na aba “Respostas” do seu formulário, com gráficos analisando a performance questão por questão. Além disso, esses dados podem ser extraídos por meio de uma planilha – basta clicar no ícone verde, do canto superior direito.

Formulário para atividade criado pelo professor Joabson Pereira, de Pombos (PE), usando Google Forms   Crédito: Reprodução

Formulário que utiliza recurso de vídeo criado pelo professor Joabson Pereira, de Pombos (PE), a partir da ferramenta Google Forms     Crédito: Reprodução

Formulário criado pela professora Renata Passone, da rede estadual de Londrina (PR), a partir do Google Forms    Crédito: Reprodução

“A vantagem principal dos formulários, para mim, é a forma de correção, pois a visualização pode ocorrer por várias formas, inclusive pela planilha gerada”, destaca a educadora Adriana Vitoriano, que é professora de Ensino Médio da área de Ciências da Natureza e Matemática, na rede estadual de São Bernardo do Campo (SP). “Eu particularmente gosto muito dos gráficos que ele gera de cada questão, pois consigo avaliar se alcancei a aprendizagem ou não. Se a maioria acerta, vejo que meu objetivo foi alcançado, e dou atenção aos alunos que erraram; se a maioria erra, analiso se a forma como ensinei aquele conteúdo deve ser alterada ou revista”, comenta.

De acordo com a especialista Renata Capovilla, o formulário, de fato, funciona muito bem nesse momento de avaliar os estudantes. “Os professores têm essa demanda de quantificação, de dar notas para que o aluno faz, e o formulário traz como uma de suas grandes vantagens justamente a correção”, diz. Isso dá ao professor controle do que acontece no Google Forms. “Ele pode decidir se quer fazer a correção automática, se prefere a correção manual, se quer liberar a nota automaticamente para o aluno... Tudo isso no menu de ‘Configurações’, de forma bem intuitiva”.

A capacitadora Google aconselha os professores a “não terem medo de clicar” para testar essas configurações, e indica que muitos desses tópicos vêm acompanhados de um pequeno ícone de ponto de interrogação – no qual essas configurações são detalhadas de forma mais aprofundada. Além disso, o professor pode sempre recorrer à página de ajuda do Formulários Google, para esclarecer eventuais dúvidas.

Além da professora Adriana, todos os demais educadores ouvidos por NOVA ESCOLA ressaltaram essa potencialidade dos formulários na hora da correção, que agrada tanto professores quanto alunos. “Eu configuro o formulário para o aluno ver as respostas corretas e sua pontuação assim que ele termina, e depois eu só importo a nota”, conta a professora Renata Passone. Os alunos já relataram a preferência por testes com essa ferramenta de formulários. “Eles dizem que é mais rápido do que ficar escrevendo, tirando fotos e me enviando”, diz. O professor Joabson Pereira também destaca esse retorno positivo, e comenta que tem recebido com frequência, entre os alunos com acesso à internet, um print de tela com a pontuação deles em sua atividade via Forms.

“Desde o início, o retorno tem sido muito bom por parte da maioria dos meus alunos, e mesmo de alguns responsáveis”, comenta Evelise Pereira, que destaca a maior interatividade entre seus atrativos. “Isso sem deixar de lado a necessidade de cumprimento de tarefas escolares”, acrescenta. Além disso, a professora prevê que mesmo ao final da pandemia, o uso de ferramentas como essa será cada vez mais intenso. “Pretendo ampliar o uso desses recursos na volta às aulas presenciais”, adianta, “pois acredito que a utilização das ferramentas digitais é um caminho sem volta”.

 

Experimentando configurações avançadas

A especialista Renata Capovilla destaca que, conforme o professor vai adquirindo prática no uso do Google Forms, pode aos poucos experimentar configurações mais avançadas.

Uma dessas possibilidade é testar o trabalho com seções. “O professor pode colocar uma pergunta inicial com duas opções, e deixar selecionada a opção ‘ir para seção com base na resposta’”, explica Renata. “Com isso, o aluno é direcionado a uma seção diferente, a partir da resposta que dá àquela pergunta. Isso é uma potencialidade enorme, porque o professor pode criar histórias interativas e desenvolver com os alunos uma trilha de aprendizagem”. Para aqueles que vão começar a experimentar o trabalho com seções, uma boa opção é fazer um pequeno roteiro orientando os diferentes caminhos para se chegar ao conteúdo final.

Outra possibilidade é experimentar o trabalho com extensões, que podem ser encontradas seguindo o caminho “botão mais (três pontinhos, ao lado do botão enviar) à Complementos”. Ali, o professor encontra uma infinidade de aplicativos para testar, como o EquatIO, que auxilia no momento de inserir fórmulas e equações matemáticas no formulário.

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