Atividade 1: Escrevendo enquanto se brinca de faz de conta

Essa proposta favorece a familiarização das crianças com a linguagem escrita por meio de momentos de brincadeira e interação

POR:
Nairim Bernardo
Na atividade, a função social da escrita é valorizada pela brincadeira. Ilustração: Nathalia Takeyama/NOVA ESCOLA

As brincadeiras são uma das formas mais significativas que as crianças têm para aprender, e o faz de conta faz parte desse amplo universo do brincar. Na pré-escola e na escola, professores podem utilizar esses momentos lúdicos para que a turma levante hipóteses em relação à linguagem escrita, agregue o que já sabe, faça trocas com os colegas, tudo com a ajuda do educador.

Apresentamos, abaixo, uma adaptação do plano de atividades “A escrita nas brincadeiras de faz de conta”. “Essa prática de letramento é feita através de um brincar com sentido, é uma escrita que tem uma função social. O professor não cria um jeito novo de ensinar a escrita, mas disponibiliza o que já está no meio sociocultural da criança”, comenta Camila Bon, consultora pedagógica e mentora do plano de atividades de NOVA ESCOLA. “O brincar pelo brincar também ensina, mas a escrita tem de vir como uma proposta intencional do professor, que precisa observar, brincar junto e intervir quando necessário.”

Na volta às atividades presenciais após o período de isolamento social, essa atividade será uma boa oportunidade para que as crianças interajam, fortaleçam vínculos e experimentem a escrita. 



Atividade: Escrevendo enquanto se brinca de faz de conta

Sugira situações cotidianas para que as crianças testem hipóteses de leitura e escrita


Indicado para: crianças pequenas (4 anos a 6 anos e 2 meses)

Na BNCC: EI03EF09, EI03EF01 e EI03EO07

Materiais: Elementos (reais ou de brinquedo) que reproduzem o cenário de um banco, de uma lanchonete e de um consultório médico: dinheiro de papel, máquinas de calcular, computadores, blocos de papéis, telefones, revistas, caixas vazias de remédios,

cadernos e blocos de anotações

Tempo sugerido: Aproximadamente 1 hora e 30 minutos

PASSO A PASSO

1. Prepare o espaço. Organize os três cenários em cantos diferentes de uma mesma sala bem arejada ou espaço aberto, como uma quadra. Lembre-se de deixar blocos de anotações, cadernos pautados, lápis e borracha em cada cenário. É importante que as crianças comecem a ter contato com esses objetos antes de chegarem ao Ensino Fundamental. 

2. Apresente a atividade. Sente-se com as crianças no meio do espaço e explique a atividade que irão realizar. Peça que todos olhem os cenários ao redor e escolham um para iniciar a brincadeira. Após um tempo, quem desejar poderá mudar de cenário.

3. Observe e intervenha se necessário. Caminhe pelo espaço e observe as relações que as crianças constroem entre si, com o espaço e com os suportes de escrita. Caso perceba que elas não estão integrando com a escrita na brincadeira, intervenha. Por exemplo, diga: “Doutora, estou com muita dor de cabeça. Qual remédio você sugere? A senhora pode escrever na receita para que eu compre na farmácia?”

PONTO DE ATENÇÃO: Toda mediação deve ser feita enquanto o professor brinca com a criança, sem quebrar o faz de conta já estabelecido entre a turma. 

4. Assuma papéis na brincadeira. Enquanto brinca, assuma alguns papéis e peça que as crianças escrevam algo. Por exemplo, interprete um gerente de banco e peça que cada cliente escreva seu nome e idade em uma linha da folha para poder abrir uma conta.

PONTO DE ATENÇÃO: Na Educação Infantil, as crianças ainda não são obrigadas a escrever corretamente todas as palavras. O objetivo é que elas pensem sobre o alfabeto, experimentem e criem hipóteses.

5. Finalize a atividade. Ao final, peça que todos ajudem a organizar o espaço e os objetos. Faça uma roda para que elas possam falar como foi a brincadeira. Caso alguém se sinta à vontade, poderá mostrar para os colegas receitas médicas, pedidos de comida e outras anotações que tenham escrito durante a atividade.  

PARA O CONTEXTO REMOTO

Essa sugestão de atividade prevê a interação entre diversas crianças em um faz de conta. Entretanto, é possível sugerir aos pais que eles participem da brincadeira com seus filhos e, assim como a professora, incentivem que eles escrevam. Outra opção é sugerir que os familiares incluam as crianças em momentos cotidianos em que a escrita esteja presente, como ajudar os pais na escrita da lista de compras no supermercado. “É muito complicado esperarmos que os pais entendam o processo de aquisição da escrita como um professor entende. Mas é natural que a criança observe os pais escrevendo, pergunte o que está escrito e tente fazer também. Ela tem de ter a oportunidade de experimentar”, diz Camila.