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Educação empreendedora: 4 propostas para trabalhar a participação na escola

Por que o tema é importante para ser trabalhado em classe? E como planejar aulas que façam a turma pensar sobre ele e entrar em ação? Confira sugestões para inspirar a preparação de aulas sobre a participação ativa dos alunos na escola durante o Ensino Fundamental

POR:
Anna Rachel Ferreira
Ilustração: André Asahida

Qual é o papel do aluno na escola? Foi-se o tempo em que a resposta para essa pergunta se resumia em “adquirir os conhecimentos transmitidos pelos professores”. Já não é mais assim há algumas décadas: a internet e os meios de comunicação tornaram a informação algo acessível a todos. Então, a escola tem de se voltar para o desenvolvimento de competências para a construção de seres humanos autônomos e conscientes de suas responsabilidades e direitos perante a sociedade. 

Com esse novo desenho da realidade, os alunos têm como papel na escola participar ativamente da construção do conhecimento, bem como de tomadas de decisão, e intervirem em assuntos que envolvem o bem comum. Essas são, inclusive, não só facetas da atualidade da Educação, como valores fundamentais da Educação empreendedora. Afinal, para que atuem dessa maneira, crianças e adolescentes têm de ser empreendedores realmente. Em outras palavras, ativos, arrojados, dinâmicos.

No Ensino Fundamental, é possível expor a turma a situações de reflexão e diálogo, a problemáticas diversas, estimulando a participação de todos na vida escolar, em busca do sentido das coisas e da aprendizagem sobre se posicionar e ampliar aquilo que já sabem. “Esses momentos ajudam cada um a elaborar um modo de participar de determinado contexto, contribuindo consigo mesmo e com os demais, além de aprender que todos são corresponsáveis pela questão colocada em cena”, explica Paulo Emílio de Castro Andrade, professor especialista em Desenvolvimento Integral e pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Novas Arquiteturas Pedagógicas da Universidade de São Paulo (USP).

Como criar situações como essas? Há várias maneiras possíveis e elas mudam de acordo com o nível de autonomia dos estudantes e do quanto a decisão depende de outras pessoas. “Tanto as situações mais orientadas pelos professores quanto as em que os estudantes podem mudar os rumos da atividade tomando as decisões são proveitosas para fazer o aluno participar da vida escolar”, fala Samuel Andrade, professor especialista em produção e edição de materiais pedagógicos. Nesse processo, muitas das competências gerais descritas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) são colocadas em cena, principalmente pensamento científico, crítico e criativo, comunicação, argumentação, empatia e cooperação, e responsabilidade e cidadania.

Sequências didáticas sobre o aluno corresponsável pela escola

Confira dois planos de aula e duas sequências didáticas de Educação empreendedora alinhadas à BNCC que contribuem para dar suporte à prática pedagógica de quem quer explorar a participação dos estudantes na escola:

1) Escola segura

Uma questão que é do interesse de todos e que ao mesmo tempo precisa da colaboração de cada um é a segurança. A professora Cíntia Diógenes criou o plano de aula “Escola Segura” (conheça aqui) para explorar com os alunos do 1º ano a responsabilidade de todos sobre o tema e também se compreender como parte importante de uma comunidade. “Quando o educador pede para que os alunos reflitam sobre situações que colocam a segurança em risco, saúde e bem-estar no ambiente escolar,  ele possibilita que a classe desenvolva um olhar mais empático pelo outro”, explica Cíntia. Além de contribuir para a formação cidadã da turma, o trabalho também agrega benefícios diretos para a escola, que terá grupos que se preocupam uns com os outros.

O plano de aula tem início com o professor apresentando uma situação-problema que poderia acontecer na escola, como alguém que quase cai da escada, porém é “salvo” por faixas antiderrapantes coladas nos degraus. Com base nessa situação, a turma dos anos iniciais do Ensino Fundamental é convidada a pensar em outros exemplos que poderiam acontecer na escola em que estudam. Depois disso, a criançada é dividida em grupos para pensar em espaços específicos da unidade - como áreas de eletricidade ou que tenham objetos cortantes. Após as reflexões, é hora de todos entrarem em ação. A classe é desafiada a elaborar formas para alertar os colegas dos perigos levantados previamente e encontrar maneiras de diminuir os riscos de eles acontecerem. Desse modo, o projeto ganha sentido para além daquela turma e provoca mudanças em toda a escola. 

“Durante o plano de aula, também sugiro abordar a questão do bullying. Apesar de não ser um perigo relacionado a um espaço físico e material, é uma situação de insegurança para os alunos”, pontua Cíntia.

2) Comunicação na escola

Não tem como falar sobre participação na escola sem falar sobre comunicação. Somente dando voz aos estudantes é que eles poderão desempenhar uma participação efetiva e transformadora na comunidade escolar. A sequência didática “Comunicação na escola” (acesse aqui), elaborada pela professora Ariane Previde Paz, propõe que não só os alunos pensem no que querem dizer, mas encontrem e desenvolvam o melhor meio de comunicação para fazê-lo. “Além da dimensão comunicativa, há algo a respeito da postura cidadã nessa sequência didática, levantando assuntos que podem ser relevantes em um contexto mais amplo”, comenta Samuel, relembrando que não há limites para a escolha dos temas a serem abordados pelos estudantes. 

Composta de quatro planos de aula, a sequência tem início ao convidar os estudantes para refletirem se eles têm vontade de dizer algo à comunidade escolar e o que seria. Depois de escolhidos os temas, é hora de pensar no meio de comunicação a ser utilizado. Nesse momento é que têm início os trabalhos de planejamento e produção para que a voz dos alunos seja ouvida. Afinal, para que a comunicação seja efetiva, bem-sucedida, ela precisa chegar ao público-alvo e ser compreendida. 

Tanto durante o planejamento quanto no momento “mão na massa”, há momentos reservados para que a turma reavalie o trabalho que está sendo realizado para analisar se ele ainda faz sentido, como estão os prazos e quais adaptações precisam ser feitas. Para encerrar, a produção é apresentada para toda a comunidade e, mais uma vez, ela é  reavaliada pela turma. 

Conheça todos os planos desta sequência:

1. O que os alunos querem comunicar à escola?
2. É hora de começar a produzir!
3. É hora de finalizar a produção!
4. É hora de divulgar e avaliar!

3) Construindo combinados com a turma

No plano de aula “Construindo combinados da turma” (clique aqui para acessar), desenvolvido pela professora Aline Soares Silva, as crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental são convidadas a pensar nos combinados da turma com ajuda do professor. A proposta é um desafio para os docentes, pois as ideias dos combinados devem partir dos estudantes, não dos adultos. “Precisamos nos abrir às possibilidades para que os alunos participem. Junto deles, podemos fazer escolhas melhores e ter mais aprendizados”, diz Paulo.

A aula tem início com uma reflexão sobre os papéis que cada pessoa tem na escola para fazê-la funcionar. Depois, Aline sugere refletir sobre o papel dos combinados dentro e fora da escola - como em jogos e na sociedade em geral. Após estarem bem embasados sobre o assunto é que começa o trabalho para a criação dos combinados da turma. O professor pode apresentar alguns temas para discussão e estimular os alunos a falarem suas ideias. “Como devo tratar meu colega durante uma atividade que acontece em pares?” E “como deve estar o ambiente da sala de aula no início e no fim do dia letivo?”. Essas são algumas das questões possíveis. Vale lembrar que esses combinados devem ser revistos de tempos em tempos para que sejam ajustados conforme as necessidades da turma e a realidade da escola. 

4) Combinados e acordos: um caminho para o protagonismo

Nos anos finais do Ensino Fundamental, os alunos estão cada vez mais aptos a refletir com profundidade sobre os combinados da turma. Pensando nisso, a professora Ariane Previde Paz desenvolveu a sequência didática “Combinados e acordos: um caminho para o protagonismo” (confira aqui), em que o protagonismo dos estudantes na criação dessas regras de convivência é ainda mais forte. A ideia é que, com base na reflexão e em lembranças de vivências escolares, a turma liste situações que carecem de combinados. Depois, por meio de uma votação, os alunos devem aprovar ou não os combinados e estabelecem quais os mais importantes.

Paulo explica que esse tipo de trabalho é importante porque é uma forma genuína de reconhecer o estudante como sujeito ativo, que tem pensamentos e ideias úteis para a construção dos combinados, permitindo que ele tome um lugar importante na mesa de decisões junto aos demais atores adultos da escola. “Todos têm de ter voz ativa quando combinados são desenhados: alunos, professores e gestores”, diz ele. Ao interagir, eles aparam arestas e arredondam processos. No último encontro, o professor explica para a turma que os combinados podem fazer parte do Regimento Escolar ou de um projeto da escola e convida os estudantes para compartilhar percepções e ideias com a gestão da escola, os demais professores e o conselho.

Conheça todos os planos da sequência:
1. Combinados e acordos: um caminho para o protagonismo
2. Combinados e acordos: um caminho para o protagonismo