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Educação empreendedora: 3 sequências didáticas para trabalhar o autoconhecimento

Por que o tema é importante para ser trabalhado em classe? E como planejar aulas que façam a turma pensar sobre ele? Confira sugestões para inspirar a preparação de aulas focadas na construção de identidade individual e coletiva no Ensino Fundamental

POR:
Anna Rachel Ferreira
Ilustração: André Asahida

Quem sou eu? Qual é o meu papel no mundo? Eis duas perguntas que levam tempo para ser respondidas por cada um de nós. Isso porque, em geral, as pessoas não costumam ser incentivadas a olharem para si mesmas e identificarem seu potencial desde cedo. Assim, acabam tornando-se adultos confusos e perdidos acerca do próprio presente e futuro. Diante dessa questão, foi elaborada na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) a oitava competência geral, que trata do autoconhecimento e do autocuidado: “Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas”.

Trabalhar seguindo as premissas da Educação empreendedora é ótima iniciativa para o desenvolvimento dessa e de outras competências. “A abordagem tem potencial para desenvolver as competências gerais em conexão com os conteúdos previstos para cada ciclo de aprendizagem de forma significava”, explica Carolina Miranda, coordenadora de projetos pedagógicos de NOVA ESCOLA. Isso porque a Educação empreendedora visa ao desenvolvimento de alunos empreendedores das próprias vidas. Ou seja, de pessoas capazes de se posicionar, solucionar problemas, se reinventar, ser resiliente e trabalhar em equipe, entre outras competências.

Em parceria, NOVA ESCOLA e Gerdau empenharam-se no desenvolvimento de 70 planos de aula, agrupados em 11 sequências didáticas para turmas do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, e mais sete projetos institucionais sobre o tema. “O tema faz parte de um dos três eixos de atuação social da Gerdau. Temos alguns projetos e parcerias para contribuir para a Educação empreendedora de jovens e adultos, pois acreditamos na transformação social por meio do empreendedorismo”, afirma Paulo Boneff,  head de Responsabilidade Social da Gerdau. 



O material foi desenvolvido por 11 professores do time de autores de NOVA ESCOLA orientados por Samuel Andrade, professor especialista em produção e edição de materiais pedagógicos, e por Paulo Emílio de Castro Andrade, professor especialista em Desenvolvimento Integral e pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Novas Arquiteturas Pedagógicas da Universidade de São Paulo (USP).

Sequências didáticas sobre eu, você, nós e eles 

Voltando aos questionamentos do início deste texto, confira três sequências didáticas de Educação empreendedora alinhadas à BNCC que são ótimas pedidas para dar suporte à prática pedagógica de quem quer explorar a temática do autoconhecimento com a garotada:

1)  O que é ser criança (e adolescente)?
Na sequência didática “O que é ser criança (e adolescente)?” (clique aqui para acessar), desenvolvida pela professora Cíntia Diógenes, as crianças são convidadas a se entenderem como tais, assim como quais são os seus direitos e o papel social que podem desenvolver. “A ideia dos planos que compõem a sequência é mostrar que algumas delas têm direitos garantidos e outras não, e que devemos lutar pela igualdade nesse aspecto”, comenta Cíntia. O primeiro passo para explorar o tema com os alunos é

entender essas diferenças e conscientizar a comunidade escolar. Por essa razão, o produto final da sequência é um projeto para comunicar a comunidade escolar sobre o que é ser criança dos pontos de vista dos direitos e deveres, da cultura, das brincadeiras e até das transformações no próprio corpo. Apesar de destinada a turmas de 3º, 4º e 5º anos, a proposta apresenta atividades que podem ser adaptados para turmas dos anos finais do Ensino Fundamental. 

No primeiro plano de aula da sequência (veja aqui), Cíntia sugere uma dinâmica com o baú da infância ou adolescência para iniciar a sensibilização para com o tema. Os estudantes devem levar à escola objetos, fotos ou brinquedos que tenham em casa e remetam à infância ou à adolescência de cada um deles e colocá-los em um baú. Durante a dinâmica, o professor deve ir tirando os objetos do baú e pedindo que o dono comente sobre a importância dele na sua vida, bem como a sua história. Também é nesse momento de exploração que os alunos são convidados a refletir sobre a situação de crianças e adolescentes ao redor do mundo. “Você acha que todos têm a oportunidade de ter esse objeto? Por quê?”, são perguntas sugeridas no plano. 

Confira os planos de atividade que compõem a sequência:
1. Baú da infância/adolescência
2. Criança e adolescente têm direitos!
3. Planejando o projeto: O que é ser criança/adolescente?

4. Apresentando o projeto: O que é ser criança/adolescente?


2)  O que há de migrante em nós?
Saber de onde viemos e as influências culturais que recebemos como sociedade ajudam a responder à pergunta essencial “quem é você?” Pensando nisso, a professora Aline Soares Silva desenvolveu a sequência didática “O que há de migrante em nós?” (confira aqui) para alunos de 3º, 4º e 5º anos. A proposta é iniciar o trabalho com uma visão micro, dentro da própria família, e ir ampliando a perspectiva dos pequenos. “Os estudantes serão levados a pensar sobre as próprias origens e as dos familiares deles, pesquisando elementos importantes sobre a vida familiar”, orienta o primeiro plano da sequência (clique aqui para ver). “Você conhece pessoas de sotaques diferentes?” e “Sabe se os seus familiares vieram de lugares diferentes?”, são algumas das provocações propostas para que a turma desenvolva um plano de entrevista e descubra as particularidades de sua família. 

É interessante notar que o processo investigativo interno e externo está presente em todas as atividades da sequência, exigindo que os alunos elaborem um planejamento, trabalhem em conjunto e exponham descobertas. O primeiro momento do trabalho é de entrevista com os parentes para que os alunos entendam sua identidade. Depois, essas descobertas são compartilhadas com os colegas, e juntos os alunos se percebem como um grupo diverso. Já no fechamento, a turma desenvolve uma maneira de apresentar suas conclusões às famílias essenciais para o início do projeto. “Ao final, é esperado que os estudantes compreendam mais sobre a própria origem e possam valorizar aspectos culturais importantes da comunidade”, ressalta Aline. 

Veja os planos dessa sequência:
1. Descobrindo minhas origens
2. O que há de migrante em mim?
3. Construindo identidades com meu grupo
4. Todos temos um pouco de migrantes!

3) Backup para o Futuro
Entender quem somos e de onde viemos são passos importantes para saber o futuro que queremos para nós mesmos e assim construir os degraus que nos levarão até ele. O período de transição do Ensino Fundamental para o Ensino Médio apresenta muitas indagações sobre o futuro para os adolescentes e por isso esse é um bom momento para iniciar os trabalhos com Projeto de Vida, tal como proposto na BNCC. “Neste momento, muitos se questionam sobre o sentido da escola e acontece muita evasão escolar. É preciso, então, resgatar o sentido da Educação, articulando passado, presente e futuro”, defende o professor Samuel Andrade, autor da sequência didática “Backup para o futuro” (veja aqui) para alunos dos 8º e 9º anos. A ideia é de que os alunos relembrem e se apropriem das vivências e aprendizagens escolares que tiveram nos anos anteriores e projetem importância de tudo isso para o futuro que desejam construir. 

Como essa viagem no tempo vai acontecer na sala de aula? Por meio da arte! No primeiro plano da sequência (disponível aqui), Samuel propõe a criação de um livro de artista por cada estudante, uma forma de obra de arte que se materializa em um livro onde cada um vai traduzir o que a escola significou para ele até o momento e suas perspectivas, compondo uma grande biblioteca de lembranças da turma. Já no segundo e último plano (confira aqui), é o momento de compartilhar o olhar para o futuro. Após compartilharem suas sensações e produções, os adolescentes têm a oportunidade de construir livros de artistas coletivos, que representem artisticamente as projeções e os sentimentos do grupo em relação ao futuro.