Quais as leituras que te marcaram?

A partir desse questionamento é possível refletir sobre nossa história como leitores e a forma que os livros nos impactam

POR:
Paula Salas

Diga-me o que lês e eu te direi quem tu és. O ditado popular não é exatamente esse, mas eu acredito muito nisso. As leituras que tive desde cedo me formaram para ser esta pessoa que fala com você hoje. 

Isso quer dizer que todos os livros que passaram pelas minhas mãos foram incríveis e mudaram a minha vida? Não, mas a experiência literária, sem dúvida sim. Cada leitura, reflexão, sentimento, palavra desconhecida, personagem ou lugar que conheci, me acrescentaram de alguma forma. Mas, fica a pergunta: qual foi a última leitura que realmente te marcou?

Entre as resoluções da última virada de ano, coloquei a meta de voltar a fazer da leitura um hábito diário. Os livros me ajudaram em muitos momentos da minha vida e conseguir colocar na minha rotina alguns minutos, todo dia, para eles, faz muita diferença para mim. É a minha forma de autocuidado. Por isso, comecei o ano com essa proposta e desde então li ótimos livros, experimentei gêneros que nunca fui tão próxima, como poesia, e outros que nunca havia tentado, como ficção científica. E quer saber? Foi ótimo e realmente me abriu os olhos para um universo de possibilidades. 

Ao longo dos meus 23 anos, já conheci livros, personagens e universos ficcionais que deixaram saudade por tudo que vivi ali. Alegrias da Maternidade (não se deixe enganar pelo título, não é uma história romantizada da maternidade), da Buchi Emecheta, me levou para a Nigéria colonial do século passado, me prendeu do começo ao fim e me fez refletir sobre ser mãe, colonialismo, a vida nas tribos e nas cidades que começavam a crescer, a relação com os valores tradicionais e as mudanças sociais, o lugar da mulher na sociedade, entre outros assuntos que são retratados ao contar a trajetória de Nnu Ego, protagonista do livro.

Sem dúvida, uma ótima obra que recomendo para quem não conhece. Mas, decidi compartilhar mais uma experiência - e talvez a mais significativa - como leitora. No final de 2013, estava na livraria (que saudade dos tempos que era possível sair na rua para comprar livros...…) e me deparei com um livro fininho com um título curioso: Memória de Minhas Putas Tristes. Pensei: Uau, que título potente. O autor era Gabriel García Márquez (ou Gabo). Já tinha ouvido falar, afinal, um grande nome da literatura latino-americana. Estava na promoção e decidi comprar. Cheguei em casa e em menos de 5 minutos já estava lendo. Só levantei quando terminei. Lembro de ter ficado um tempo com ele nas mãos pensando naquela história. Deixei o livro de lado e quis saber mais sobre tudo que o Gabo tinha escrito. 

Busquei em sebos suas obras - desde os grandes clássicos, coletâneas de contos e obras de não-ficção de seus anos como jornalista. Aos poucos, construí a minha coleção. Hoje na minha estante tenho uma prateleira só para ele. As edições que comprei são bem velhinhas e gastas, mas são uma parte especial da minha estante e uma parte de mim. Eu encontrei no Gabo algo que só consigo sentir, um conforto, um refúgio em seu realismo fantástico. 

Li seus grandes clássicos como o incomparável Cem anos de Solidão, e o Amor nos tempos do cólera - que está sendo muito relembrado neste momento de pandemia. Também conheci outros romances, coletâneas de contos, reportagens e entrevistas, sua autobiografia Viver para Contar, e seus discursos em Eu não vim fazer um discurso, que inclui a sua fala quando recebeu o Nobel de Literatura em 1982. 

Por sorte, ainda tenho muito o que ler dele. O meu próximo já está separado e será Do amor e outros demônios. Quem sabe eu não venha aqui compartilhar a minha experiência depois de concluir essa leitura?

Antes de terminar, volto para o título do texto e te convido a fazer a mesma reflexão que fiz aqui: qual foi o último livro que te marcou? Você tem um Gabo na sua vida? Quem é esse autor?

Um abraço e até a próxima quarta-feira!

Paula Salas, repórter de NOVA ESCOLA

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