9 planos de aula sobre questões raciais para uso a distância

Confira sugestões para inspirar a preparação de aulas focadas nas culturas afro-brasileiras e indígenas

POR:
Daniel Santos
Crédito: Getty Images


Com diversas expressões culturais, o Brasil ainda conta com problemas no ensino sobre cultura e identidade dos povos negros e indígenas. A aprovação da Lei 10.639, em 2003 (substituída posteriormente pela Lei 11.645/08), que regulamenta o ensino sobre os temas, foi fundamental para propor o debate sobre essas matrizes étnicas

tão importantes para a construção da identidade nacional.


O conhecimento sobre as questões raciais é fundamental no processo de enfrentamento do racismo e das violências que ele reverbera. Segundo a professora Sherol dos Santos, mestre em História da rede estadual do Rio Grande do Sul, escolas e professores devem estar preparados para ampliar as possibilidades de exploração dessa temática em sala de aula. “Ficou fixado na cabeça de muitas pessoas que o ensino desses temas é exclusivo da disciplina de História, mas não é assim. Esse é um conteúdo inter e transdisciplinar, que deve ser contemplado em diferentes componentes curriculares”, comenta.


O ensino das questões raciais ajuda na valorização da cultura afro-brasileira e indígena como componentes nacionais. Além disso, incentiva os alunos a eliminarem ideias preconcebidas e combate preconceitos aprendidos em sociedade e, muitas vezes, replicados no ambiente escolar. Os benefícios desse aprendizado são de todos os alunos. “Ao abordar essa temática tratamos da reeducação das relações étnico-raciais. Nesse contexto, é importante entender o branco também como um grupo racial”, explica Sharon. “Não se trata de priorizar um grupo racial em detrimento de outro, mas, sim, de reestabelecer o equilíbrio entre as narrativas. Essa reeducação é benéfica para todos alunos”. Por isso, é essencial que a escola trabalhe questões étnicas.



Abaixo, selecionamos nove planos de aulas alinhados à Base Nacional Curricular Comum (BNCC) que podem dar suporte aos docentes na prática pedagógica deste tema no Ensino Fundamental. Confira:

1) Configurações do mundo no século XIX
O objetivo desse plano é analisar as relações causais entre as ideologias raciais e o determinismo no contexto do imperialismo europeu e seus impactos na África e na Ásia. Direcionado às aulas de História do 8º ano do Ensino Fundamental, o material embasa o professor no planejamento de aulas focadas na configuração do mundo no século 19.

2) Discursos civilizatórios
O plano conta com uma série de materiais que podem ajudar o aluno a identificar e analisar as tensões e os significados dos discursos civilizatórios, avaliando seus impactos negativos para povos indígenas originários e populações negras nas Américas.

O docente vai encontrar conteúdos sobre Darwinismo social no Brasil, racismo científico e as trajetórias de luta e resistências dos povos indígenas, entre outros temas. Os planos contam ainda com sugestões de problematizações e atividades que podem ser estimuladas em classe.

3) Discurso de ódio e racismo nas redes sociais
Direcionado ao 9º ano do Ensino Fundamental, o plano aborda a história recente brasileira: transformações políticas, econômicas, sociais e culturais desde 1989 até os dias atuais. Com o material, o professor pode promover a discussão e análise das causas das violências contra pessoas negras, mulheres, homossexuais, camponeses e indígenas. O foco do plano é estimular a tomada de consciência, a construção de uma cultura de paz, a empatia e o respeito.

4) Afro-americanos e racismo: pluralidades étnicas no mundo globalizado
O plano apresenta os conflitos do século 21 e a questão do terrorismo; as pluralidades e diversidades identitárias na atualidade. Além disso, apresenta pautas dos povos indígenas no século 21 e suas formas de inserção no debate local, regional, nacional e internacional.

Os materiais propostos dão ferramentas para que os estudantes possam discutir as diversidades identitárias e seus significados históricos no início do século 21. A proposta dos conteúdos é ajudar no combate a qualquer forma de preconceito e violência.

5) Escravidão nas Américas
Esta sequência didática agrega cinco planos de aulas pensados para discutir o legado da escravidão nas Américas nas turmas do 8º ano do Ensino Fundamental. Os materiais de consulta abordam as histórias dos quilombos brasileiros; formas de resistência à escravidão e sobre o povo negro pós-abolição. O docente ainda encontra materiais sobre o debate das terras indígenas desde o Império aos dias atuais, e o processo de imigração e embranquecimento no Brasil imperial.

6) Importância da Educação na construção da representatividade negra e indígena
Os conhecimentos propostos neste plano são relacionados à produção do imaginário nacional brasileiro: cultura popular, representações visuais, letras e o romantismo no Brasil. O docente poderá promover entre os alunos do 8º ano do Fundamental o debate sobre o papel das culturas letradas, não letradas e das artes na produção das identidades brasileiras do século 19.

7) Indígenas e quilombolas na ditadura
Os planos dessa temática propõem identificar e relacionar as demandas indígenas e quilombolas como formas de contestação do modelo de desenvolvimento proposto pela Ditadura Militar. Além disso, traz materiais para estimular o debate sobre a atuação dos movimentos de resistência negro e indígenas durante o período de governo cívico-militar vivido pelo País (1964-1985).

8) Contos populares afro-brasileiros
Todos os materiais dos planos de aula dessa temática trabalham as habilidades de análise de textos, narrativas ficcionais, poética, personagens e outros aspectos relacionados às produções textuais da cultura afro-brasileira e indígena, e da cultura popular. As habilidades que podem ser trabalhadas são relacionadas à leitura, interpretação e a criação de textos.

9) Brincadeiras de origem africana
Os conteúdos desse plano de aula ajudam no reconhecimento das brincadeiras de origem africana como elementos formadores de cultura. Os materiais apresentam leituras sobre elementos lúdicos e divertidos da cultura africana e estimulam a análise sobre sua influência na formação das culturas locais e regionais na realidade brasileira.

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