Como as crianças aprendem se relacionando com os bichos

Os animais são queridinhos dos pequenos na Educação Infantil. Veja como desenvolver os campos de experiência da BNCC a partir da curiosidade sobre o tema

POR:
Anna Rachel Ferreira
Crédito: Alicia Jones/Unsplash

Cores, texturas, formas, sons e habilidades diversas podem ser observadas no mundo animal. Assim como para tudo na vida, com o passar do tempo, os adultos perdem o olhar de encantamento com a beleza e diversidade que a natureza tem a oferecer. Mas, as crianças ainda conservam o frescor do primeiro olhar e estão mais disponíveis para desbravar e compreender esse universo do qual todos fazemos parte, apesar de muitas vezes nos esquecermos disso.

Atenta a isso, a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) destacou que as crianças devem desenvolver a habilidade de “compartilhar, com outras crianças, situações de cuidado de plantas e animais nos espaços da instituição e fora dela”. Além de “observar, relatar e descrever incidentes do cotidiano e fenômenos naturais” e também “identificar e selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza, seus fenômenos, sua conservação”.

Uma boa maneira de iniciar a abordagem do tema com os pequenos é usar da curiosidade natural deles. “Percebo que as minhas crianças, por exemplo, ficam admiradas com os pássaros que surgem na escola, também sempre compartilham situações que aconteceram com os seus animais domésticos e até de bichos que viram em filmes”, comenta a professora Fernanda Silvia Lionese, da EMEI Antonio Raposo Tavares, em São Paulo. Além dos animais, os insetos, que podem ser encontrados no dia a dia, também despertam a curiosidade dos pequenos.

Trazer para a sala esse interesse é não só fazer com que eles possam ter as experiências propostas pela Base, mas também que tenham vivências que lhes sejam naturalmente interessantes. Se possível, é enriquecedor que as crianças tenham contato físico com animais. A professora Vera Christina Figueiredo, consultora pedagógica do Grão da Vida Educação Infantil, em São Paulo explica que nessa faixa etária, as crianças têm uma rotina de cuidado muito intensa. “Em uma das nossas unidades, temos tartarugas soltas no pomar. Os pequenos sempre procuram por elas para interagir e cuidar”, conta. O cuidar é fundamental na vida das crianças e, por isso, esse momento é tão propício para desenvolver a percepção de cuidado com o próprio corpo, com o dos colegas e dos animais.

Confira abaixo algumas sugestões para trabalhar o tema:

Para conhecer mais sobre os bichos

Nesta sequência didática (clique aqui para acessar), destinada a crianças bem pequenas e criado pela professora Karla Alessandra Santos Pereira dos Santos, as crianças interagem com animais disponíveis nos espaços frequentados pelas crianças e redondezas. No caso do uso remoto, a exploração pode se debruçar sobre insetos no quintal ou até mesmo virar uma pesquisa online, com o apoio dos pais com o propósito de conhecer e identificar os insetos.

Uma das atividades da sequência (veja aqui) também sugere que essa abordagem aconteça pelo viés do brincar, proporcionando momentos como o de observar as diferenças entre os bichos e imitá-los. “A experimentação é muito importante na Educação Infantil. Aqui eles podem se encantar com a diversidade dos animais e ainda explorar possibilidades do próprio corpo [com a imitação]”, afirma Karla.  É possível fazer a brincadeira acontecer a partir do que eles mesmos trazem. “A criança não tem mais limitação de acesso à informação e o tempo todo traz alguma curiosidade”, lembra a professora Fernanda.

Confira alguns dos planos de atividade clicando nas imagens abaixo:

Para investigar os animais e biomas brasileiros

Muitos professores acreditam que precisam utilizar um padrão de conteúdo na hora de lidar com esse tema. Mas é importante ressaltar que os pequenos têm seus próprios questionamentos e curiosidades.  Na sequência didática “Animais dos biomas brasileiros” (acesse aqui), para crianças pequenas, a professora Fernanda propõe uma suave iniciação à investigação científica. Ela explica que as crianças, assim como todos, naturalmente levantam hipóteses sobre aquilo que não conhecem e que é novo e o professor deve incentivá-los. A ideia é sempre respeitar o caminho que as crianças desejam saber, mesmo no momento da pesquisa.

A sequência didática se inicia com uma conversa sobre os animais, explorando os sons da natureza para despertar a curiosidade da turma e identificando quais animais vivem nas florestas brasileiras. Na segunda atividade, o professor escolhe alguns desses animais para aprofundar o conhecimento da criançada, garantindo diversidade de espécies com mamíferos, répteis, peixes, anfíbios e aves. A sequência se desdobra em uma pesquisa sobre os animais do nosso bioma e a organização de um catálogo dos animais brasileiros. Este, pode ainda virar uma apresentação do que os alunos aprenderam sobre o tema, como sugere a última atividade proposta.

Em todas essas perspectivas, o principal benefício para a criança é ter sua curiosidade e pensamento investigativo aguçada, proporcionando a ampliação do repertório que ela já vem construindo. Para os professores é a oportunidade de reaprender a olhar para a natureza e para o outro, trazendo de volta o fascínio que nos é tão espontâneo quando pequenos. 

Confira abaixo alguns dos planos da sequência: