10 perguntas e respostas sobre o Novo Saeb

Prova será aplicada do 2º ano do Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, com recorrência anual a partir de 2021

POR:
Paula Salas
Crédito: Getty Images

Durante a pandemia do novo coronavírus, o fluxo de notícias e informações é tão intenso que novidades importantes podem passar despercebidas ou sem a atenção necessária. Apesar disso, elas podem ter impactos a curto ou médio prazo, como é o caso das mudanças do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A avaliação, aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), foi reformulada em maio e prevê mudanças já para sua aplicação em 2021. Confira abaixo as principais questões sobre o Novo Saeb:

1) Como era o Saeb?

Esta avaliação externa de larga escala busca fazer um diagnóstico da Educação brasileira e dos níveis de aprendizagem dos alunos, isto é, uma avaliação de qualidade. Os dados compõem o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

No modelo atual a prova era aplicada a cada dois anos na rede pública - e rede na particular funcionava por amostra. Eram avaliados alunos dos 2º, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e da 3ª série do Ensino Médio.

2) Para que serve o Saeb?

Atualmente ele é o principal instrumento da qualidade da Educação Infantil até o Ensino Médio. Além da avaliação, é aplicado um questionário que visam contextualizar socioeconomicamente os resultados das avaliações. Os dados de avaliação do Saeb compõem a nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) ao lado dos dados de fluxo das escolas (aprovação, reprovação e abandono). Nesse sentido, as informações obtidas pelo Saeb podem colaborar para o monitoramento e a construção de políticas públicas. Para as escolas, as informações podem colaborar para mapear pontos de desenvolvimento do ensino e aprendizagem.

3) O que mudou?

No início de maio, foi divulgada uma portaria no Diário Oficial da União com a reformulação do Saeb. Entre as principais mudanças estão:

- Séries de aplicação: a reformulação prevê que os alunos a partir do 2º ano do Ensino Fundamental, das escolas públicas e privadas, sejam avaliados. Até 2019, os anos avaliados estavam associados aos encerramentos dos ciclos: os 2º, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e a 3ª série do Ensino Médio.

- Frequência de aplicação: de bianual, a avaliação passa a ser aplicada todos os anos;

- Versão digital: até então, a aplicação da prova era apenas em papel. Agora a prova ganhará sua versão digital. Por orientações da equipe técnica do Inep, o papel será usado nas aplicações até o 4º ano e a partir do 5º ano será digital.

- Alternativa para entrada no ensino superior: para o Ensino Médio, o Saeb torna-se o chamado “Enem seriado”, que tem o duplo objetivo de aferir a qualidade da etapa de ensino e ser uma alternativa de entrada para o ensino superior (saiba mais na pergunta 5).

4) Por que mudar a frequência do exame?

Entre as justificativas para aumentar a recorrência da avaliação estava o desejo de oferecer devolutivas rápidas para a escola sobre o desenvolvimento dos seja, no lugar de esperar dois anos para saber como está aprendizagem, as instituições teriam esse diagnóstico anualmente. "O objetivo não é de nota, mas como um instrumento pedagógico na ponta", afirmou Alexandre Lopes, presidente do Inep, durante live organizada pela Evolucional, empresa especializada em avaliações e simulados para escolas.

5) O que é o Enem seriado?

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seriado é a prova do Saeb aplicada para o Ensino Médio. Ou seja, não se trata de uma prova a mais. Além de avaliar a aprendizagem dos alunos durante os três anos, a perspectiva é que a prova também seja utilizada como alternativa para a entrada no ensino superior. Isto é, os alunos do 1º ano do Ensino Médio que prestarão a prova em 2021, poderão utilizar a nota do Enem seriado para concorrer a vagas nas universidades em 2024.

6) O Enem seriado substitui o Enem tradicional?

Não, não há previsão de extinguir o Enem tradicional. A expectativa do Inep é que o Enem tradicional continue sendo um exame de larga escala, pois ele será a entrada para o ensino superior por aqueles que não são concluintes do Ensino Médio que, segundo Alexandre, são mais de 60% de quem realiza o exame. 

As provas são complementares e independentes. O Enem seriado seria uma alternativa. Inclusive, os alunos do 3º ano do Ensino Médio poderiam prestar a prova do Enem tradicional como forma a melhorar a nota obtida na versão seriada. A proposta é que exista um percentual de vagas nas universidades para o Enem tradicional e para o seriado.

7) Quando começam a valer as mudanças?

As mudanças iniciarão na próxima edição do Saeb, mas de forma gradual. Os anos que já eram contemplados pela avaliação (2º, 5º e 9º ano do Fundamental e o 3º do Ensino Médio) farão a prova normalmente em papel. 

No Ensino Médio, o Saeb funcionará como uma alternativa para o acesso ao ensino superior. Para isso, ele somará as notas do exame série a série ao longo dos três anos do Médio funcionando como um “Enem seriado”. Essa mudança exigirá uma implementação escalonada. Então, em 2021, além do 3º do Ensino Médio, o exame também será aplicado para o 1º ano que já fará a prova no meio digital. Os formandos de 2023 poderão usar a nota para cursar o ensino superior em 2024.

Já o escalonamento da implementação para o Ensino Fundamental ainda não foi divulgado, mas deve ocorrer nos próximos anos.

8) A prova será obrigatória para todos?

Sim. Antes, para as escolas particulares, a avaliação era opcional e paga. Agora, com a obrigatoriedade da avaliação, a adesão será gratuita. "O projeto continua tendo um foco na Educação público. O que estou fazendo é conhecer melhor a Educação Básica como um todo", afirma o presidente do Inep.

6) Como funcionarão as provas digitais?

De acordo com as determinações do Inep, a versão digital do exame será aplicada apenas a partir do 5º ano. O Inep fornecerá tablets para aplicação do Saeb na própria escola. No caso de ausência de internet, Alexandre explica que as informações ficarão armazenadas e serão  transmitidas quando o equipamento for conectado à internet.

Também está previsto que, no futuro, as provas tornem-se adaptativas, ou seja, que com base na resposta do item anterior, a próxima pergunta é sorteada. Dessa forma cada estudante terá uma prova personalizada.

10) As matrizes de referência do Saeb serão mantidas?

Não, desde a edição de 2019 do exame, as matrizes do Saeb estão sofrendo adaptações. Na última edição do exame, uma porcentagem amostral das escolas já trabalhou com as provas de alfabetização, Ciências da Natureza e Ciências Humanas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Para 2021, a expectativa é de ter matrizes para o 1º ano do Ensino Médio e de que a avaliação seja alinhada às competências e habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Com a reforma do Ensino Médio – que considera a flexibilização do currículo (1800 horas de base comum, e 1200 de itinerários formativos) –, o processo de criação das matrizes é ainda mais delicado. Será necessário considerar o impacto do modelo na avaliação. A discussão sobre o funcionamento da prova ainda está em aberto, mas a expectativa é avaliar todas as áreas do conhecimento. Uma das possibilidades é que os itinerários formativos sejam avaliados apenas no 3º ano.

As definições técnicas para a elaboração da prova devem ser discutidas e construídas sob regime de colaboração com especialistas e representantes dos estados e municípios.

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