Mapeamento da presença do Aedes aegypti na comunidade local

Física - Ciências da Natureza e suas Tecnologias - Mediação e intervenção sociocultural

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Este conteúdo faz parte do curso Investigação Científica e Mediação e Intervenção, disponível gratuitamente no canal da Nova Escola, no Youtube.

Título da aula – Mapeamento da presença do Aedes aegypti na comunidade local.

Componente curricular – Ciências da Natureza e suas Tecnologias.

Ano – 1º, 2º ou 3º anos do Ensino Médio.

Eixo estruturante do itinerário formativo: Mediação e intervenção sociocultural.

Habilidades dos Itinerários Formativos Associadas às Competências Gerais da BNCC:

(EMIFCNT08) Selecionar e mobilizar intencionalmente conhecimentos e recursos das Ciências da Natureza para propor ações individuais e/ou coletivas de mediação e intervenção sobre problemas socioculturais e problemas ambientais.

Objetivo de aprendizagem – Mapear a presença do Aedes aegypti na comunidade local, por meio da coleta e análise de dados sistematizadas.

Professor-autor – Daniel Ramos - Professor de Ciências da Natureza na Escola de Referência em Ensino Médio João Bezerra (Recife - Pernambuco).

Materiais necessários – Garrafas PET grandes, tesoura, microscópio, placas de Petri, tubos de ensaio com tampa, potes pequenos, imagens de Aedes aegipty e do Aedes albopictus e blocos ou cadernos de anotações.

Materiais complementares – Exemplo de questionário que pode ser utilizado na entrevista com familiares e vizinhos. A sugestão é de adaptá-lo às condições locais.

Espaço – A análise dos animais encontrados deve ser realizada no laboratório. As demais etapas podem ser conduzidas na sala de aula.

Referências – Para saber mais sobre o tema acesse:
https://drauziovarella.uol.com.br/infectologia/doencas-transmitidas-por-aedes-aegypti-e-aedes-albopictus/
https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/combate-ao-aedes
http://www.ioc.fiocruz.br/dengue/index.html
http://www.dengue.org.br/dengue_downloads.html

Etapas

Aula 1 – Estudo das patologias

Comece verificando o conhecimento prévio da turma. Pergunte se eles sabem o que é o Aedes aegypti. Proporcione momentos para que os alunos apresentem as informações. É esperado que a turma faça a associação entre o nome do inseto e a dengue, uma vez que a doença atinge muitas pessoas em nosso país e este é um conteúdo abordado no Ensino Fundamental.

Após os comentários, relembre que, além da dengue, este inseto é o agente transmissor de vírus causadores de zika, chikungunya e febre amarela. Diga aos estudantes que uma das maneiras da turma contribuir para diminuir o número de casos dessas doenças na comunidade local é mapear os principais focos de ocorrência do mosquito Aedes aegypti e divulgar as informações para contribuir com a prevenção. Esta é a proposta do projeto que irão desenvolver. Comente que, para isto, eles precisam entender as características dessas doenças e também do mosquito transmissor.

Explique as diferenças (sintomas e consequências) entre dengue, zika, chikungunya e febre amarela. O objetivo é chamar a atenção para os riscos. Relembre o ciclo de vida do Aedes aegypti: após o acasalamento, a fêmea deposita os ovos em um lugar com água parada. Após alguns dias, os ovos eclodem e deles saem pequenas larvas. Elas permanecem na água e depois se transformam em pupa. Depois de algum tempo, as pupas se transformam em mosquitos adultos. O ciclo leva de sete a dez dias. Comente que, como a reprodução ocorre principalmente em água parada (limpa ou suja), uma medida de prevenção é evitar o acúmulo de água em qualquer recipiente ou superfície.

Diga que o projeto da turma será dividido em três momentos:

a) Construção e distribuição de armadilhas na escola e em casas da vizinhança para capturar o mosquito ou verificar a presença de larvas.
b) Recolhimento das armadilhas e análise dos dados obtidos para o mapeamento dos focos de proliferação do inseto.
c) Divulgação das informações para a comunidade.

Explique que, para conseguirem distinguir no microscópio os animais capturados pelas armadilhas, eles precisam conhecer suas características. Pontue, então, as principais características do vetor Aedes aegipty: o tamanho do corpo é menor que os mosquitos comuns, preto com pequenos riscos brancos no dorso, na cabeça e nas pernas e asas translúcidas. Oriente sobre a existência do Aedes albopictus, potencial transmissor do vírus de chikungunya, zika e febre amarela e com ciclo de desenvolvimento semelhante ao Aedes aegipty. Ressalte que eles precisam saber a diferença entre os dois para reconhecer cada um. O Aedes albopictus é um inseto maior, mais escuro e possui apenas uma lista branca no centro e ao longo das costas. Mostre imagens dos mosquitos para a turma.

É necessário pontuar que o Aedes albopictus é uma espécie exótica (assim como o Aedes aegipty), cuja introdução no território brasileiro é relativamente recente. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), ele passou a ser detectado a partir de 1986. Os dados epidemiológicos indicam que sua distribuição é maior no sudeste e no litoral do nordeste. Em outras regiões, é possível que a comparação entre estas duas espécies não faça sentido. Cabe ao professor avaliar a ocorrência local e, se for preciso, incluir no estudo comparativo espécies de mosquitos transmissores de outras doenças.

É recomendável construir um mostruário com alguns espécimes fixados em álcool 70% ou mesmo desidratados e acondicionados em pequenas caixas.

Peça para que a turma pesquise com suas famílias e vizinhos a ocorrência de focos do mosquito. Distribua as cópias do questionário elaborado pela turma para a sondagem inicial. Diga que, durante a conversa, eles devem explicar os objetivos do projeto e já pedir autorização para a instalação das armadilhas. Avise que todos deverão socializar as informações iniciais na aula seguinte como maneira de definir os locais onde as armadilhas serão colocadas. Peça também para, quem puder, levar garrafas Pet grandes. Neste momento, a informação mais importante são os locais na comunidade que têm maior potencial de serem criadouros do mosquito. Porém, a análise sistemática das entrevistas iniciais pode gerar outras informações importantes para delinear novos encaminhamentos para o projeto.

Aula 2 – Construção e distribuição das armadilhas

Inicie relembrando a função das armadilhas. O objetivo é verificar onde estão os focos de proliferação do Aedes aegipty.

Divida os alunos em duplas ou em trios e os oriente na confecção das armadilhas. As garrafas devem ser cortadas um pouco abaixo da curva. A parte de cima deve ser colocada de cabeça para baixo dentro da base. Atenção para o encaixe, pois o objetivo é não deixar brechas por onde o mosquito adulto possa escapar.

Veja como ela fica pronta:

Modelo Pronto
Exemplo de como a armadilha deve ficar.

Modelo de Armadilha Pronto
Outro exemplo de como a armadilha deve ficar.

Oriente a turma para, quando colocarem as armadilhas nos locais mapeados e selecionados, adicionar água até formar uma “piscina”, na qual os insetos poderão fazer a postura dos ovos. Quando os ovos eclodirem e as larvas nascerem, elas descem pelo gargalo e ficam presas no recipiente.

Peça para os estudantes compartilharem as informações da pesquisa realizada com as famílias e os vizinhos. Anote no quadro os pontos em que foi constatada a presença de mosquitos. Divida esses locais entre os grupos para que todos fiquem responsáveis por distribuir as armadilhas, que devem ser numeradas para facilitar a identificação. Algumas podem ser deixadas na própria escola. Oriente a turma a avisar que o recolhimento delas será feito em duas semanas.

Diga aos estudantes que, após duas semanas, recolham as armadilhas. Elas devem ser levadas para a escola no dia combinado.

Aula 3 – Análise dos dados obtidos

Com as armadilhas em sala (ou no laboratório), chegou o momento de analisar o material. Retome a divisão em grupos e os oriente a anotarem todas as informações levantadas para poderem registrar em planilhas. Ter um instrumento de coleta de dados organizado permitirá uma análise mais consistente. É esperado que a turma saiba como calcular porcentagem. Se for preciso, faça uma revisão deste conteúdo.

Distribua as armadilhas pelos grupos. Diga para anotarem em quantas delas há insetos. Dentre essas, eles devem registrar quantos animais foram capturados em cada uma. Ressalte a importância de relacionarem o número da armadilha para que saibam em qual local há maior presença de mosquitos.

Oriente os estudantes a recolher com cuidado os animais encontrados no interior das armadilhas. Com auxílio do microscópio, cada grupo deve avaliar se o mosquito encontrado é Aedes aegipty, Aedes albopictus ou outra espécie diferente.

Proponha que todos compartilhem os dados levantados para que seja feita a estatística geral do projeto. Ao final, a turma deve conseguir apontar os percentuais das espécies encontradas, a proporção entre quantidade de armadilha e quantidade de animais capturados e o mapa com os locais em que estão os principais focos de ocorrência do mosquito.

Se a escola possuir acesso à internet, uma opção é orientar os alunos a utilizar ferramentas digitais de mapeamento, como Google Maps ou Streetview, para sobrepor informações e construir um mapa de vulnerabilidade relacionado à distribuição dos criadouros.

Com o levantamento pronto, proponha um debate sobre o projeto. Questione a importância da aplicação de uma metodologia para análise e sistematização dos dados iniciais brutos. Pergunte qual o grau de precisão do mapeamento encontrado. O fato de eles terem colocado as armadilhas em locais mais acessíveis ou o número restrito de coletas podem ter influenciado os resultados finais? O objetivo é que eles entendam que apenas as observações diretas não são o resultado da pesquisa. É a análise criteriosa das informações que permite construir hipóteses e estabelecer cenários. E também que o projeto realizado é um recorte e, para um mapeamento mais amplo e preciso, outras variáveis precisariam ser consideradas.

Fechamento

Procure as lideranças de órgãos ou projetos de saúde pública locais (como postos de saúde) e associações de moradores, e gestores de outras escolas, e proponha que os alunos apresentem os dados coletados. O objetivo é disseminar as informações para contribuir com as ações de prevenção na região. Oriente os estudantes na preparação dessas apresentações. Garanta que as pessoas que vivem nos locais pesquisados também sejam informadas sobre os resultados do levantamento.

O material de divulgação pode incluir o mapeamento dos criadouros e também outros pontos que forem considerados relevantes pela turma. O questionário proposto aqui permitiu, por exemplo, levantar o número de pessoas, entre os entrevistados, já infectadas com dengue, zika ou chikungunya. Se a opção for por ter questões abertas, os estudantes podem realizar, além da abordagem estatística, uma análise de discurso.

Avaliação

Realize uma avaliação processual ou formativa, ou seja, acompanhe a aprendizagem dos alunos – individualmente e no grupo – ao longo do desenvolvimento da proposta. Verifique os conhecimentos curriculares obtidos e também o comprometimento, o trabalho colaborativo, a capacidade de planejamento e organização e a articulação e clareza dos estudantes na execução e na divulgação do projeto.

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