7 dicas práticas para organizar a comunicação com as famílias na quarentena

Saiba como manter uma boa relação com as crianças e seus responsáveis para desenvolver atividades durante o período de distanciamento social

POR:
Miguel Martins
Foto: Getty Images

Ao longo do ano letivo, é comum professores compartilharem com as famílias imagens dos alunos desenvolvendo atividades na escola. É uma forma para que os responsáveis possam acompanhar a rotina escolar das crianças. Neste momento de suspensão das aulas presenciais, o papel se inverte: os próprios pais e responsáveis acabam assumindo a função de registrar o desenvolvimento das tarefas. O registro diário do desenvolvimento das atividades em casa é uma ótima forma de garantir aos professores um acompanhamento íntimo das aprendizagens das crianças no ensino a distância. 

Essa é apenas uma das dicas que a professora alfabetizadora Mara Mansani trouxe no bate-papo “É tempo de compartilhar” (assista aqui). Professora há quase 30 anos, Mara é docente no ciclo de alfabetização e colunista do site de NOVA ESCOLA. Conheça abaixo dicas práticas de como organizar a comunicação com os alunos e familiares e garantir a proximidade com eles em tempos de distanciamento social.

É tempo de compartilhar
Confira a entrevista na íntegra com Mara Mansani

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1) Crie regras de convivência para o grupo de WhatsApp 

O WhatsApp é uma das maneiras mais fáceis de manter a comunicação com os alunos e os familiares. Mas até para usá-lo bem, é preciso definir algumas regras de convivência. Um caminho possível é estabelecer que apenas o professor possa publicar no grupo da sala. “O fato de eu ser administradora [do grupo] e mandar as atividades não significa que eles não tenham interação. Só que a interação é feita um a um”, explica a professora. Quando há comentários ou dúvidas sobre a realização das atividades, por exemplo, os familiares são instruídos a conversar diretamente a professora.

Para preservar também a rotina e a intimidade tanto das famílias como dos professores, Mara sugere que as interações fiquem restritas ao horário em que costumam ocorrer as aulas presenciais. Mas é preciso abrir exceções, como, por exemplo, no caso de famílias que não estão trabalhando em casa e não podem desenvolver essa troca no horário tradicional.

2) Peça aos familiares que fotografem os alunos durante as atividades

O registro é uma boa forma de manter a comunicação com as famílias e acompanhar o desenvolvimento dos estudantes. Uma das formas para fazê-lo é pedindo aos familiares para fotografarem as crianças enquanto realizam uma atividade.

É provável que cada criança e responsável adote uma estratégia de estudo diferente: realize as atividades exclusivamente no computador ou no celular; optem pelo caderno com uso da tecnologia apenas para consulta ou anotando todas as orientações no caderno antes de iniciarem os estudos.

Mara sugere que se tire também fotos dos cadernos para poder avaliar o desenvolvimento dos alunos. “Peço para fotografar a atividade da melhor maneira possível para eu acompanhar como está sendo feito. Essa avaliação se dá tanto pela fotografia como pela devolutiva que os pais dão”, explica.

3) Aprenda com a devolutiva dos pais

O retorno dos familiares em relação às atividades é uma das melhores formas de acompanhar o desenvolvimento das atividades nesse período. A dificuldade das crianças e até dos responsáveis para entender as orientações é uma boa forma de os professores aperfeiçoarem a comunicação. Além disso, pode ser uma oportunidade para que os pais entendam os momentos de desenvolvimento das crianças.

Mara cita o exemplo de uma mãe que estava preocupada com a dificuldade de seu filho em fazer divisões. A conversa foi uma oportunidade para a professora contar mais sobre o processo de aprendizagem do aluno e também identificar como a mãe poderia apoiá-lo com as divisões.

“Há várias estratégias pessoais que as crianças usam. A construção de como entender a divisão não é um conhecimento que as famílias devem ter. Quem tem esse conhecimento sou eu, que aprendi as metodologias e estratégias para desenvolver com os alunos”, explica Mara. Por isso, alinhar as expectativas de aprendizagem e o papel dos responsáveis esse momento é essencial.

4) Insista quando a família não apresentar uma devolutiva

Muitas famílias têm participado ativamente como mediadoras dessa relação a distância entre professores e alunos. Mas algumas, por motivos que envolvem falta de tempo a dificuldades técnicas, nem sempre entram em contato. Nessa situação, é importante buscar falar com os responsáveis de todas as formas possíveis.

Mara recomenda que os professores levantem quais famílias não estão dando devolutivas e passar a relação para o coordenador e para o diretor também buscarem contato. O ideal, nesse tipo de situação, seria a disponibilização de material impresso para que os responsáveis pudessem buscar na escola, mas diante da quarentena, trata-se de uma solução difícil.

A professora conta que uma colega decidiu ligar para uma família que não estava entregando a devolutiva, em vez de mandar mensagens. Acabou dando certo. Ela alerta ainda que é preciso cobrar “qualidade nas devolutivas”. “Não dá para apenas mandar foto e dizer que está tudo bem”, diz Mara. “É preciso aprofundar essa interação e buscar um contato mais próximo”.

5) Estabeleça momentos para fazer contato virtual com a turma

Uma das maiores dificuldades em se analisar o desenvolvimento dos alunos no Ensino Fundamental 1 é a falta de uma relação mais direta dos professores com os alunos neste momento. Mara recomenda o uso de ferramentas como Google Hangouts ou Zoom para simular uma sala de aula em tempo real com as crianças. "A relação com os pequenos fica muito na mão dos pais. Por isso, eu preciso ter uma sala de interatividade, para conversar com eles e acompanhá-los mais de perto".

Há outras dificuldades envolvidas no processo, como uma avaliação mais rigorosa com aplicação de notas às atividades. Mas Mara acredita que esse é um passo importante para ser discutido em um segundo momento, de maior aprofundamento das atividades a distância.

6) Crie uma planilha para acompanhar a relação com os alunos e as famílias

 Perder-se em inúmeras mensagens de WhatsApp pode ser um dos maiores entraves da relação a distância. Para não se confundir com tamanho volume de informações, Mara recomenda que todo professor faça uma planilha para destacar como está transcorrendo a relação com as crianças e responsáveis.

Faça uma tabela com a relação dos alunos e preencha com informações de quem mandou atividades, de quem não mandou, se foram usadas fotos ou vídeos para a devolutiva, se houve alguma dificuldade no processo, entre outras informações que forem sendo coletadas nas interações com os familiares.

Confira planos de aula para uso a distância
alinhados à BNCC

 

7) Não deixe nenhum aluno para trás

É muito importante não desistir dos alunos que não estão mandando as atividades e buscar formas de incluir aqueles que tem necessidades especiais ou não falam bem a língua portuguesa. Como já foi sugerido anteriormente, a disponibilização de material impresso para as crianças que não tenham acesso à tecnologia deve ser uma preocupação das escolas, especialmente em um momento de flexibilização da quarentena.

Mara conta também que tem se esforçado para incluir alunos haitianos de sua turma nas atividades. Como a família não consegue se comunicar bem em português, ela baixou um aplicativo de tradução para conversar por texto com os responsáveis em crioulo haitiano.

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