Como os cientistas dão nomes aos vírus?

Entenda quais são as regras utilizadas e como usar essas curiosidades para trabalhar conteúdos com a turmas

POR:
Ana Paula Bimbati
Foto: Getty Image

Pode parecer apenas uma simples curiosidade, mas dar nomes aos vírus que existem pelo mundo é uma tarefa que exige atenção dos cientistas. Um dos motivos é para evitar, por exemplo, referências que possam estigmatizar lugares e pessoas. O assunto também é uma ótima oportunidade para abrir uma conversa sobre vírus com a turma. “Conteúdos como esses estão conectados com a realidade do estudante, envolvem e engajam a sala”, ressalta a professora de Ciências Natallie Cervieri, da EMEF João Pedro da Silva, em Cariacica (ES).

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Entendendo sobre a taxonomia dos vírus

Em 1892, quando o primeiro vírus foi identificado, não havia critérios claros sobre como se definiria um nome. Segundo João Pessoa, professor-doutor do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), na época foi nomeado um vírus que infecta plantas e ataca, principalmente, o tabaco. Como as plantas infectadas ficavam com manchas que remetiam a um mosaico, o nome dado foi vírus do mosaico do tabaco.

“Os nomes são escolhidos, na sua maioria, com base na estrutura genética do vírus. No caso do coronavírus, por exemplo, ele recebeu o nome de novo coronavírus, pois faz parte da família viral coronavírus, que tem em sua estrutura coroas”, explica João.

Já as doenças, quando recebem nomes diferentes estão ligados aos sintomas clínicos. “A febre amarela causa lesões hepáticas e dá o aspecto de amarelo na pele da pessoa infectada”, explica o professor da Unesp. “Por isso, associaram o sintoma ao nome da doença e fizeram o mesmo com o vírus, sendo assim, os dois são chamados da mesma forma”.

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principais dúvidas sobre os vírus

E a Covid-19?

Hoje, a nomeação de vírus tem regras determinadas pelo Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus e a Organização Mundial da Saúde (OMS). É proibido usar nome que se refere a uma localização geográfica, animais, raças e etnias. Além disso, o termo precisa ser pronunciável e relacionado à doença. No caso da doença causada pelo novo coronavírus foi determinado ser chamada de Covid-19 (o 19 remete a 2019, ano que surgiu o vírus).

“Se essas regras existissem antes não conheceríamos a gripe espanhola com esse nome, por exemplo. O mesmo com a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), que faz parte do grupo do coronavírus”, pontua João.

Veja aqui uma atividade para relacionar
o coronavírus e a gripe espanhola de 1918

Sugestões de como trabalhar o tema com a sua turma

Em Ciências, a curiosidade pode ser usada para explorar diferentes conteúdos com seus alunos. “No Fundamental 1 é possível passar de maneira informal sobre os nomes dos vírus, mas nos Anos Finais oferecer mais contexto, letramento científicos aos alunos e a importância desse estudo”, pontua Claudia Vecchi, professora e doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP).

Na linha das curiosidades, a professora Natallie sugere um experimento para dar uma “cara diferente” para a aula sobre medidas de prevenção. “Coloque em um prato água com pimenta e peça para que um aluno coloque a mão dentro do objeto. A pimenta seria o vírus. Com as mãos sujas, a pimenta continua concentrada, mas ao colocar um dedo que foi lavado com sabonete ou detergente, a pimenta se afasta. É uma forma simples e prática de mostrar para as crianças e até mesmo os alunos do Fundamental 2, a importância de lavar as mãos”, diz. 

Claudia afirma que é possível trabalhar as habilidades socioemocionais usando as regras de dar nomes aos vírus. “Perguntar aos alunos, por exemplo, se eles se sentiriam confortáveis em ter o nome do seu país em um vírus como a gripe espanhola”. Vale discutir ainda que, apesar do nome, a origem da epidemia nem mesmo se deu na Espanha (leia mais aqui). Ao discutir a importância de escolher um nome que não gere preconceito, o tema pode ser levado para se colocar no lugar do outro e ter empatia, por exemplo.

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