Coronavírus: como as escolas devem lidar com a pandemia?

Entenda o que pode ser feito em relação à prevenção e à suspeita de casos dentro das salas de aula

POR:
Ana Paula Bimbati
Ilustração:  Rodrigo Damati/Nova Escola

Com o aumento de casos do novo coronavírus no Brasil e no mundo, o decreto de pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e escolas suspendendo aulas, a preocupação da sociedade com a disseminação da doença tem crescido. E, como um lugar que reúne profissionais, famílias, crianças e adolescentes diariamente, a escola precisa entender como pode se prevenir e também agir em casos de suspeita.

Coronavírus: qual o tamanho dessa ameaça?

Além das medidas preventivas básicas como lavar as mãos constantemente, respeitar a etiqueta respiratória e evitar beijos e abraços, a escola pode estar atenta a outros cuidados. “Uma ação importante é observar se os alunos estão com qualquer sintoma parecido com o do novo coronavírus. Se sim, é preciso ficar em casa em isolamento”, pontua o infectologista Jamal Suleiman, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. 

É importante também manter sempre higienizados os espaços usados pelos alunos, como mesas, cadeiras e objetos pessoais para alimentação. A escola pode orientar os alunos também a usarem cada um sua própria garrafa de água, evitando assim o uso do bebedouro coletivo. 

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Mesmo não fazendo parte do grupo de risco (que envolve idosos, pessoas com problemas no coração, respiratórios, diabéticos e com baixa imunidade), Jamal explica que as crianças são igualmente infectadas e são vetores do vírus. Por isso, é essencial estar atento se ela teve contato com alguém que viajou para área de risco, ou está com algum sintoma de gripe. Em caso positivo, é essencial que faça o isolamento por pelo menos sete dias. 

“É preciso ter responsabilidade social nesse momento. A criança pode ficar assintomática, mas pode levar o vírus para o seu professor, ou funcionário da escola, por exemplo”, diz o infectologista. 

O que as escolas estão fazendo

Na Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEFM) Professor João Loyola, em Serra (ES), o diretor Ramon Sant’ana tem orientado os professores e alunos com as informações recebidas pela secretaria de Educação. “Estamos levando o assunto para sala de aula, explicando o que é, como o vírus se dissemina e como preveni-lo”, explica. Até o momento, o gestor disse ter disponibilizado alguns vidros com álcool gel, que foram distribuídos pela unidade escolar.

Alunos com gripe ou sintomas parecidos estão ficando em casa até que se recuperem. “Já percebemos que depois das orientações os próprios estudantes estão sabendo como agir. Eles estão evitando o toque de mão, por exemplo.” 

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Na escola da diretora Alessandra Marin, a Monsenhor Guilherme Schmitz, em Aracruz (ES) também foi adotado o caminho da conscientização. “Nossos professores estão trabalhando nas salas com informações oficiais para desmistificar fake news e informações infundadas sobre assunto”, explica. 

Alessandra acredita que, por enquanto, não há motivo para alarde. Apesar da preocupação com o coronavírus, ela lembra que a região já lida historicamente com a disseminação de outras doenças nesse período, como é o caso da dengue. 

Isolamento domiciliar não é férias

Algumas escolas no Brasil já tem adotado o isolamento doméstico para todos os alunos, outras têm feito caso a caso. Em ambos os casos,  Jamal alerta que esse período não pode ser considerado como “férias antecipadas”. “É importante circular pouco, não compartilhar objetos de uso pessoal (talher, copo, prato) e lavar as mãos frequentemente”. 

Caso surja algum sintoma grave em casa, como febre e dificuldade respiratória, Jamal sugere entrar em contato com o hospital. “Se você tem uma gripe mais fraca dá para procurar uma UBS, saúde da família… Hospital é quando o quadro é mais severo”. Essa recomendação é essencial para não superlotar o Sistema Único de Saúde (SUS).

MEC

Na segunda-feira (16), um grupo de trabalho do Ministério da Educação (MEC) apresentou algumas ações contra o coronavírus nas escolas. O Comitê Operativo de Emergência (COE) afirmou que está desenvolvendo uma plataforma de monitoramento da disseminação da doença nas instituições de ensino.

A pasta  anunciou a criação de um sistema online que permitirá a integração de dados sobre o coronvírus. A ferramenta tem o objetivo de reunir informações dos Censos Escolar e da Educação Superior, além do número de pessoas infectadas e as instituições com aulas suspensas. Todas as redes estaduais de ensino no país adotaram alguma medida de paralisação das atividades nos últimos dias.

O MEC também prometeu a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para as escolas. Serão disponibilizados, de acordo com a pasta, 450 milhões de reais às instituições públicas de ensino do país. O objetivo é que a verba seja utilizada para compra de produtos voltados à prevenção, como álcool em gel, sabonete líquido, toalhas de papel e outros produtos de higiene.

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