“Trabalhei um conteúdo mais complexo respeitando o brincar das crianças”

Em depoimento, a professora Mariana Rodrigues descreve sua experiência e a dos pequenos com o plano de atividade "Escrever nomes para o jogo da memória”

POR:
Mariana Silva Rachman Rodrigues

Foto: Acervo Pessoal/Mariana Rodrigues

Os planos de atividade de NOVA ESCOLA são uma constante no meu trabalho docente na Educação Infantil há muitos anos. Mas confesso que eu sempre buscava uma ideia específica e aplicava de forma pontual. Tinha receio de tentar colocar em prática um plano completo e não dar conta. Minha impressão era de que eu precisaria fazer muitas adaptações. Considerava a realidade das crianças com quem trabalhava muito diferente.

Recentemente, tudo mudou. Comecei a participar de um grupo de estudos com a professora Vládia Pires, uma das mentoras dos planos de atividades de NOVA ESCOLA, e as diversas experiências que ela trouxe, além daquelas compartilhadas pelos meus colegas durante os encontros, me mostraram ser sim possível. 

Em outubro de 2019, estava pensando em uma maneira de integrar o valor do brincar, destacado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com o início da familiarização da minha turma de pré-escola com o alfabeto. Procurei então algo que contemplasse as duas coisas. Encontrei o plano “Escrever nomes para o jogo da memória”, da professora Clarice Fernandes. 

Confira planos de atividade gratuitos
alinhados à BNCC de Educação Infantil

Em primeiro lugar, me chamou a atenção a orientação sobre o que a professora deve fazer durante a atividade. Sempre tive o costume de me ocupar com outra tarefa enquanto os pequenos faziam as atividades. Fiquei intrigada por já ter feito algo semelhante, mas sem pensar sobre os aspectos que deveria observar na turma durante a atividade e nas possíveis intervenções no processo. Ao mesmo tempo, era uma atividade interativa, em que construiríamos juntos um jogo da memória, trabalharíamos a leitura e escrita e ainda o reconhecimento de si mesmo e do outro. Me pareceu a oportunidade perfeita para o que eu desejava desenvolver com a turma.

Ao estudar o plano, fui separando os materiais necessários, como as fotos das crianças e as filipetas para a escrita dos nomes, e me dei conta de que não teria canetinhas suficientes. Então, decidi organizar a turma numa dinâmica de cantos para que trabalhassem em grupos menores numa espécie de rodízio com outras atividades como massinha e jogos de montar. Também imaginei que poderia usar um pouco mais de tempo do que o previsto, pois conheço minha turma e eles são bastante dispersos. No meu caderno de planejamento, anotei todas essas percepções, assim como um resumo do plano e os objetivos da BNCC que seriam abordados durante a atividade. Gosto de anotar porque é uma maneira de fixar o entendimento do plano e também consultar durante a prática.

Em sala, foi fácil engajar a turma. Eles se empolgaram quando disse que construiríamos um jogo que depois estaria disponível para todos. Mas quando expliquei melhor e eles se deram conta de que precisariam escrever, alguns ficaram inseguros. Percebo que eles têm uma questão complexa de autoestima e, como estão iniciando o caminho da alfabetização, há crianças em níveis muito diferentes em relação à escrita do nome.

Me tranquilizou o fato de o próprio plano antecipar essa possibilidade e, portanto, estava pronta para lidar com a situação. Usei palavras motivadoras com os pequenos que precisavam de mais apoio individualmente. Destaquei que era importante tentar, pois a escola é um lugar onde as pessoas vão para aprender. Também sugeri estratégias para a realização da atividade, como buscar a ajuda de um colega que está mais adiantado ou usar a lista de chamada para copiar o próprio nome.

Para mim, aprender o valor da observação e das intervenções durante a atividade foi o que mais me marcou durante essa prática. Senti que, no início, quando me sentei com as crianças, elas até acharam estranho porque não era um costume meu. Essa proximidade me ajudou a perceber mais rápido quem estava ou não com dificuldade, quem tinha ou não uma questão de insegurança, quem estava ou não isolado. Além disso, perguntei o que eles gostaram e o que não gostaram na atividade. Com essas informações fica mais fácil pensar em estratégias e dinâmicas que os engajem e atendam às necessidades deles. Foi um aprendizado tão potente para mim que agora sempre escrevo no meu planejamento semanal as possíveis observações e intervenções daquele dia. 

O momento da construção do mural teve que ser transferido para o próximo encontro por conta do tempo, como eu havia previsto. Eles amaram ver o mural montado, mas logo quiseram desmontar para que pudessem jogar mais vezes. Até o final do ano letivo, a turma ainda me pedia para jogar o jogo da memória com seus nomes. Fiquei muito feliz com o resultado da atividade. Percebi que é plenamente possível trabalhar um conteúdo um pouco mais complexo de acordo com a faixa etária dos pequenos e respeitando sua necessidade de brincar. Depois dessa atividade, me animei e fiz vários outros planos que encontrei na NOVA ESCOLA. Todos os finais de semana eu acesso a plataforma enquanto crio o meu planejamento semanal para procurar propostas interessantes. 

Mariana Silva Rachman Rodrigues, é professora há 18 anos. Atualmente, trabalha como docente da Ed.Infantil, na Escola Municipal Analice Caldas, em João Pessoa/PB e costuma usar os planos de aula para inspirar novas atividades e  entender a aplicação da BNCC.

Depoimento a Anna Rachel Ferreira

Se você gostou desse plano,
também recomendamos:
  1. Plano de atividade: Jogo de memória com desenhos autorais

    Atividade para crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) - creche

  2. Plano de atividade: Criação de manuais de jogos

    Atividade para crianças pequenas (4 anos a 6 anos e 2 meses) - pré-escola

  3. Plano de atividade: Utilizando dados nos jogos de percurso

    Atividade para crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) - creche

Tags

Guias

Tags

Guias