Design thinking ajuda os alunos a buscar soluções para problemas reais

Essa abordagem pode ajudar a turma a desenvolver habilidades importantes para ser mais protagonista na escola e na sociedade

POR:
Ana Paula Bimbati

“Um grande barco com várias sacolas para retirar a sujeira dos rios”, diz um garoto de 6 anos apontando para uma embarcação feita de blocos de brinquedo. Essa foi a solução encontrada por ele para resolver o problema da enchente enfrentado pelos moradores da capital paulista nas últimas semanas. Para o menino, o descarte inadequado do lixo é um dos motivos para os grandes alagamentos. O desafio de pensar em uma solução para o tema, que atinge diversas cidades do país, surgiu em uma aula do 1º ano do Ensino Fundamental focada em design thinking. 

A prática, que não requer tecnologia ou grandes investimentos, é uma forma de contribuir para provocar a criatividade e instigar a curiosidade da turma. “O design thinking é uma abordagem que pode ser utilizada em diferentes metodologias ativas”, afirma a autora do curso de NOVA ESCOLA “Metodologias Ativas: Ensino Híbrido e Aprendizagem Baseada em Projetos, Lilian Bacich. 

O tema de metodologias ativas foi abordado no New School of Thought Institute 2020, evento organizado pela filial brasileira da escola americana Avenues, localizada em São Paulo. Elas colaboram para colocar o aluno como protagonista do seu processo de aprendizagem, um dos pontos cruciais propostos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

 

Por que é importante usar metodologias ativas?
Além de colocar o aluno como protagonista do seu processo de aprendizagem, as metodologias ativas colaboram para o desenvolvimento de aptidões como comunicação, colaboração, criatividade e pensamento crítico. Lilian Bacich, autora do curso de NOVA ESCOLA "Metodologias Ativas: Ensino Híbrido e Aprendizagem Baseada em Projetos", explica sobre o assunto e apresenta um estudo de caso. 

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“Não tem mais como olhar para trás”, diz Cristine Conforti, diretora pedagógica da Avenues São Paulo. “A BNCC, mesmo com todas as suas dificuldades, abriu os horizontes e as vozes dos estudantes. As escolas agora têm a chance de trazer uma experiência real de cidadania, de aprendizagem, que fuja só da teoria”. Para ela, a Educação integral, tão falada na Base, provoca que a escola converse com o mundo real e promova uma aprendizagem significativa para crianças e adolescentes.

A grande mudança para que as metodologias ativas cheguem nas salas de aula, segundo Lilian, é o professor “se entender como alguém que desenha a experiência de aprendizagem e faz uma sequência didática com foco na construção do aluno”. “O próprio texto introdutório da BNCC chama para uma aprendizagem onde o aluno desenvolva autonomia”, explica.

Aplicando na prática

Na aula observada no 1º ano do Ensino Fundamental, os alunos trabalhavam a resolução de problemas usando uma situação atual, a das enchentes. O tema foi escolhido pela professora por ser uma situação real que impactou milhões de pessoas e os próprios estudantes, que não tiveram aula. “Quando as crianças sentem que estão pensando e criando um propósito real, elas se sentem valorizadas e tendem a se envolver mais”, explica Paola Ricci, professora na Avenues. 

Por isso, segundo Paola, na hora de escolher o tema é importante pensar em algo que seja relevante para a turma. “Desafios de design podem ser elaborados a partir dos conteúdos que os professores estiverem trabalhando em sala de aula e de acordo com a intenção pedagógica do momento”, afirma. 

A professora iniciou a atividade fazendo uma roda com os alunos sentados no chão e falando sobre a enchente que havia ocorrido na capital paulista naquela semana. Questionou os estudantes sobre o que eles tinham visto e fez a pergunta disparadora: “para vocês, qual seria a solução para o problema dos alagamentos?”. 

Depois, disse para os alunos se organizarem em grupos de três ou quatro pessoas, para pensarem nas possíveis soluções. O trabalho em equipe é interessante, pois a discussão tende a ser ainda mais produtiva. Na sala, havia blocos de brinquedos, sulfite e lápis disponíveis para a turma. Os estudantes se dividiram em cinco grupos nas mesas que estavam espalhadas pelo espaço e tiveram 30 minutos para elaborar a atividade. 

Em nenhum momento, a educadora indicou que havia erros na construção dos alunos, mas foi circulando pela classe e provocando a criatividade. “Apenas três sacolas seriam suficientes?”, questionou em uma das vezes para o garoto de 6 anos, por exemplo. Depois da construção, cada grupo compartilhou sua solução para o desafio e a turma teve espaço para questionar ou tirar dúvidas. 

É possível trabalhar as metodologias ativas em toda a Educação Básica, inclusive na Educação Infantil. Com as crianças pequenas, por exemplo, pode-se fazer exercícios de opinião como “você gostaria de ter um animal?”, “quais os pontos positivos e negativos dessa escolha?”, entre outras perguntas. “A participação coletiva e o exercício de ter a própria voz pode começar de uma forma muito simples”, explica a diretora pedagógica da Avenues. 

Ficou interessado em saber mais sobre esta abordagem e usá-la com sua turma? A professora Débora Garofalo também explica aqui sobre a abordagem de design thinking.