O que são as competências gerais da BNCC e o que eu preciso saber sobre elas?

Conheça as competências transversais à Educação Básica e entenda como elas se relacionam com as práticas pedagógicas

POR:
Laís Semis
Crédito: Getty Images

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece 10 competências gerais a serem desenvolvidas ao longo da trajetória escolar de bebês, crianças e adolescentes. Diferentemente das habilidades (mais focadas no desenvolvimento cognitivo), as competências gerais visam o desenvolvimento socioemocional, cultural e físico.

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Se você deseja saber:
- O que é a Base?
- O que diferencia a BNCC dos antigos referenciais curriculares da Educação Infantil?
- O que são os direitos de aprendizagem e os campos de experiência da BNCC?
- Quais são os grupos etários da BNCC de Educação Infantil?
- Como ler os códigos da BNCC para creche e pré-escola?
- Como testar seus conhecimentos sobre a BNCC de Educação Infantil

Confira o primeiro conteúdo da Trilha de BNCC da Educação Infantil. Nós explicamos tudo que você precisa saber sobre a estrutura do documento clicando aqui.

O que são as competências gerais da BNCC?

De acordo com a Base, as competências são “a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”. Isso significa que o documento propõe o desenvolvimento de competências como o pensamento científico, crítico e criativo; comunicação e argumentação com o objetivo de que o desenvolvimento das crianças e jovens seja integral e as prepare não apenas para os desafios escolares, mas também para a vida pós-escola. Elas são chamadas de competências gerais pois não se aplicam a uma etapa específica da Educação Básica ou mesmo a um componente curricular, mas são transversais às práticas pedagógicas.

Sobre o que falam as competências gerais?

De forma resumida, as competências falam, respectivamente, sobre:

  1. Conhecimento
  2. Pensamento científico, crítico e criativo;
  3. Repertório cultural;
  4. Cultura digital;
  5. Comunicação;
  6. Trabalho e projeto de vida;
  7. Argumentação;
  8. Autoconhecimento e autocuidado;
  9. Empatia e cooperação;
  10. Responsabilidade e cidadania.  

Competências gerais e socioemocionais são a mesma coisa?

Embora muitas vezes os termos sejam usados como sinônimos, eles não são.  As competências gerais apontam para o desenvolvimento integral do estudante. As socioemocionais são recortes das competências gerais, sendo estas últimas mais amplas do que as primeiras, pois as gerais incluem aspectos de desenvolvimento cultural, de comunicação, de valores e intelectual, além das socioemocionais. Leia mais sobre o assunto aqui.

Para se aprofundar nos estudos, duas recomendações

Sabemos que a Base traz uma série de novidades para os docentes e que trazê-las para a prática pode ser um desafio. Por isso, recomendamos alguns conteúdos de NOVA ESCOLA que podem auxiliar a aprofundar seus estudos no tema e aprimorar sua prática:

Ilustração: Rita Mayumi/Nova Escola

1. NOVA ESCOLA BOX edição especial Competências Gerais da BNCC. Útil para professores, coordenadores e gestores e técnicos das secretarias de Educação, a edição explica em detalhes cada uma das dez competências gerais da Base, o que acontece em sua escola com a chegada delas, qual é o aluno que o documento propõe formar com essas diretrizes. A edição especial também oferece um PDF com todas as informações sobre o capítulo introdutório da Base:

Acesse aqui

2. Curso NOVA ESCOLA Competências Gerais na BNCC. Este curso certificado de 4h de NOVA ESCOLA tem como público-alvo educadores que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre as competências gerais apresentadas no Capítulo Introdutório da Base. Além disso, esta formação online gratuita também orienta o planejamento de práticas pedagógicas que promovam as competências gerais ao longo da Educação Básica.

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Competências Gerais da BNCC


Como as competências gerais se relacionam com a Educação Integral?

Ao prever as 10 competências que atuam em diferentes campos de formação (intelectual, socioemocional, cultural e físico), a Base contempla dimensões fundamentais para a perspectiva de uma Educação que abrange o desenvolvimento integral de bebês, crianças e adolescentes. Por meio dessas competências, a BNCC prevê que os estudantes possam aplicar os conhecimentos na vida prática para a concretização de seus projetos de vida e para a continuidade dos estudos. De acordo com o documento, as 10 competências “pretendem assegurar, como resultado do seu processo de aprendizagem e desenvolvimento, uma formação humana integral que vise à construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva”. Saiba mais lendo o conteúdo “Qual aluno queremos formar?”.

As escolas devem reservar uma aula ou uma disciplina específica para trabalhar as competências socioemocionais?

Não. Para ser um aprendizado efetivo e replicável, uma aula, disciplina ou um dia de atividades a cada bimestre sobre respeito ou empatia não é suficiente. Para que o desenvolvimento integral das crianças seja efetivo no campo socioemocional, as crianças precisam colocar em prática no dia a dia e na interação com os outros. Por isso, a atitude dos docentes e outros funcionários da instituição de ensino também são importantes, já que eles se tornam modelos para as crianças. Leia mais em “Como aplicar na prática as competências socioemocionais”

No curso NOVA ESCOLA de Competências Gerais da BNCC (conheça mais aqui), a especialista Anna Penido apresenta algumas estratégias para fomentar o trabalho com a competências gerais em sala de aula. Além disso, essa formação de quatro horas propõem aos educadores refletirem sobre a importância das competências gerais na sua vida e na de seus alunos e detalha as habilidades necessárias ao professor para aplicá-las com a turma.

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Todos os professores devem trabalhar as competências gerais da BNCC em seus componentes curriculares? E os professores de Educação Infantil?

Sim. As competências são transversais aos componentes curriculares e às etapas de ensino da Educação Básica. Ou seja, se você tiver uma turma de Educação Infantil ou der aulas de Matemática no Ensino Médio, as 10 competências gerais da Base devem estar presentes no seu planejamento. Isso porque o objetivo das competências é a formação humana integral do estudante, o que começa ainda na primeira infância. Embora algumas competências possam ter peso mais forte em anos escolares mais avançados como a competência 6, que aborda o trabalho e projeto de vida, é possível adequá-las à faixa etária, pois são competências focadas em desenvolver o conhecimento, o pensamento científico, crítico e criativo, o repertório cultural, a cultura digital, a comunicação, o trabalho e projeto de vida, a argumentação, o autoconhecimento e autocuidado, a empatia e cooperação, e a responsabilidade e cidadania. Se você ainda não conseguiu materializar como isso se daria na prática, sugerimos a leitura dessa reportagem sobre “Como ensinar habilidades socioemocionais por meio da Literatura”.

Ver todos os conteúdos da
Trilha de BNCC da Educação Infantil

 

Leituras complementares
  1. O que acontece na sua escola com as novas competências? Essa questão é explorada na edição especial de Competências Gerais da BNCC de NOVA ESCOLA BOX. Clique aqui para ler e entender os impactos dessa novidade.
  2. Como avaliar as competências socioemocionais na escola? Diferentemente de outros aprendizados, uma simples prova não é capaz de medir o desenvolvimento das competências socioemocionais do aluno. Atividades detalhadas e observação atenta devem fazer parte da rotina. Saiba mais aqui.
  3. No e-book gratuito de NOVA ESCOLA sobre “Competências Socioemocionais, convivência e saúde mental na escola” os leitores poderão entender como desenvolvimento dessas competências podem ajudar a transformar o clima escolar. O material apresenta também casos reais de escolas que já estão aplicando em suas turmas. Baixe aqui.
  4. Desenvolvimento cognitivo versus socioemocional: qual é o papel da escola? Há quem acredite que a escola deveria se dedicar exclusivamente ao desenvolvimento cognitivo dos estudantes. Neste texto, o coordenador pedagógico Ewerton de Souza discute a questão. Leia na íntegra aqui.