Reta numérica: uma possibilidade de trabalho

Conheça esse instrumento que contribui para o trabalho com o cálculo mental e a alfabetização matemática

POR:
Selene Coletti
Crédito: Getty Image

Parafraseando Paulo Freire, ensinar exige uma constante troca, reflexão e busca de novas ideias e estratégias para rever a forma de trabalho e promover o desenvolvimento de todas as crianças.

Em 2014, nesse movimento de trocas e buscas constantes, participava com professores de diferentes segmentos de um grupo de estudos chamado “Observatório da Educação”. Era um espaço que trazíamos experiências vivenciadas em sala de aula para discussão. Foram momentos de muita aprendizagem, pesquisas sobre a própria prática que permitiam melhorar constantemente, lançando novos olhares na forma de trabalhar os diferentes conteúdos da Matemática.

Foi nesse contexto, ouvindo a narrativa de uma professora sobre como havia construído uma reta numérica com seus alunos, que pude perceber o quanto poderia ajudar meus alunos na resolução de problemas. Fiquei encantada! E, logicamente, quis levar para as salas de aula em que trabalhava -  Educação Infantil e Ensino Fundamental.

Quer saber como planejar um aula com a reta numérica?
Confira a seleção de planos de aula NOVA ESCOLA com atividades alinhadas à BNCC para aplicar com a sua turma:

>> Localizar números na reta numerada: neste plano, o objetivo é que os alunos desenvolvam a habilidade de encontrar a relação entre números naturais e pontos da reta numérica 
>> Operações na reta numerada: a proposta é explicar como fazer adições e subtrações com o uso da reta numérica 
>> Analisando a reta numerada: que tal uma atividade para você aplicar com a turma para analisar o instrumento construído em conjunto? Essa é a propsota deste plano
>> Representando frações na reta numerada: trabalhe com os estudantes os números fracionários e utilize barbante na sua aula 
>> Bingo de Frações: propõe brincar de bingo com os alunos com o objetivo de identificar e representar frações na reta numerada. 

Confira planos de atividades alinhados à BNCC de Matemática

A reta numérica, como o próprio nome diz, é uma reta onde os números são colocados de maneira ordenada e consecutiva. É um instrumento que pode ajudar os alunos a desenvolver estratégias para resolução de problemas sem usar o algoritmo, mas valendo-se do cálculo mental.

Ela permite ainda compreender as ideias contidas na adição (acrescentar, reunir e adicionar) e na subtração (tirar, completar e comparar). É importante ressaltar que pode trabalhar não só com os números inteiros, mas também com os fracionários.

Como construir a reta numérica

É possível começar construindo a reta com as próprias crianças. Apresente a ideia de produzir uma reta (como a régua) com eles e que os ajudará a realizar muitos cálculos, aguçando, assim, a curiosidade da turma. É nesse momento que os olhinhos brilham e vão se envolvendo na proposta do professor.

A ideia é distribuir cartões do mesmo tamanho e enumerados de acordo com a quantidade de alunos. No entanto, como o zero precisa aparecer na reta é interessante deixar que os alunos encontrem uma solução.  Há turmas que solicitam que o professor também participe, como há grupos que propõem que uma criança segure dois cartões.

Depois disso, entregue aleatoriamente para cada um. Na sequência, peça aos alunos que se organizem com os cartões na frente da lousa, sem estipular um critério. Este é um momento para observar como a turma realiza a proposta e trazer os questionamentos necessários para que os alunos possam pensar sobre o que estão fazendo.

É importante lembrar que questionar é sempre imprescindível, estando a resposta certa ou não, pois irá permitir compreender como estão pensando. Para isso, é preciso planejar as boas perguntas previamente.

Com os cartões em ordem, é preciso colá-los, todos com a mesma distância, na parede ou em um espaço da própria lousa ou mesmo em um barbante. Envolver as crianças nesse trabalho permitirá exercitar ainda mais a curiosidade, o protagonismo e trazer mais significado para a proposta.

Como utilizar a reta numérica

Com a reta construída é hora de mostrar como usá-la. Mostre aos alunos que é possível, por exemplo, resolver situações problemas na hora da chamada – quantas meninas e meninos temos? Somos em 27 alunos, hoje estamos em 18, quantos amigos ficaram em casa? -, nas problematizações de jogos e durante as brincadeiras que envolvam a contagem.

É importante ter um marcador que pode ser um prendedor, o qual ajudará o aluno a realizar o cálculo. Por exemplo, na seguinte situação dada: se na primeira partida de um jogo marquei quatro pontos e na segunda três, qual o total da minha pontuação? Para resolver, o aluno colocará o marcador no número quatro (que representa os pontos iniciais) e “caminhará” três casas (que é a pontuação da segunda partida), chegando, assim, no total final que são sete pontos.

Ter trabalhado os jogos de percurso ajuda bastante as crianças a se apropriarem desse movimento na reta, pois relacionam o caminhar das trilhas dos jogos.

Utilizei essa estratégia tanto com a pré-escola, uma segunda fase, como com o primeiro ano. Depois de um certo tempo, ao problematizar diferentes situações as crianças conseguiam resolver com mais facilidade. Era encantador ver os alunos recorrerem à reta sempre que tinham um desafio matemático!

No Anos Iniciais, após um tempo com a reta construída por eles, é possível trazer uma reta maior, de fórmica ou madeira. Você pode afixá-la na parede e providenciar outras menores (feita de papel grosso e plastificadas) para que cada aluno tenha a sua para usar sempre que necessário.

Explorando a reta

Como disse acima, o professor pode usar esse instrumento de várias outras formas com seus alunos. É uma forma de trabalhar diferentes conceitos usando um objeto familiar da turma.

O uso da reta com os números fracionários, por exemplo, permite que os estudantes possam comparar as frações mais facilmente e também realizar as operações.

O ideal seria que houvesse uma continuidade de trabalho com este tipo de material ao longo do percurso escolar. Isso facilita grandemente a construção dos conceitos e ideias contidas nas operações. Entretanto, cada um pode fazer a diferença com a sua classe, proporcionando naquele momento melhores oportunidades de aprendizagem.

Por isso, a busca é constante e necessária. Neste início de ano, que tal você, professora e professor, experimentar essa nova possibilidade de trabalho, ampliando os seus horizontes e de seus alunos? Tenho certeza que o encantamento tomará conta de vocês.

Experimentem!

Um abraço e até a próxima,

Selene

Selene Coletti é professora há 39 anos na rede pública. Atua na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos tendo trabalhado do 1º ao 5º ano. Recebeu, em 2016, da Fundação Victor Civita, o Prêmio Educador Nota 10 com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada do município. Atualmente é formadora da Educação Infantil, na Prefeitura de Itatiba.

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