Avaliação diagnóstica Matemática: planejando e aplicando

Entender os conhecimentos dos alunos é essencial para melhorar a aprendizagem

POR:
Selene Coletti

Sempre é preciso avaliar.  Seja no início do percurso, no decorrer ou no final de cada etapa, um olhar diferenciado ajuda a entender o aluno no seu processo de aprendizagem. No entanto, neste começo de ano letivo, a avaliação em sua função diagnóstica ganha destaque no planejamento do professor.

Dentro deste contexto, o diagnóstico possibilita conhecer informações valiosas sobre cada um dos alunos - o que já sabe e o que é necessário aprofundar. Apropriar-se disso permitirá um planejamento mais significativo às particularidades da classe e uma intervenção mais eficaz no processo de ensino e aprendizagem.

Daí o destaque para diagnóstico nesse iniciar do caminho, pois é ele quem desenhará os contornos da nossa sala e nos permitirá escolher as melhores cores para colorir e dar significado ao percurso.

Sondagem só deve ser feita no início do ano?
É muito comum perceber que a discussão sobre diagnóstico do aluno acontece mais no começo do ano letivo. Porém, especialistas recomendam que esse trabalho seja feito no final de cada bimestre. Além disso, é importante realizar uma observação constante da turma.  
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Focando no diagnóstico em Matemática

Quando falamos em diagnóstico nesse período do ano nos remetemos, na prática, à língua materna, à leitura e escrita. Mas, e a Matemática, como fica? Acaba ficando para trás, pois a preocupação de todos recai na construção da escrita.

Nos estudos teóricos há pouca ênfase sobre o Ensino da Matemática nos Anos Iniciais. A avaliação nesse componente curricular pautou-se por muito tempo (e talvez ainda se paute) na ideia de exames, testes e do erro como um fracasso, o que está ligado à concepção de Matemática que cada professor traz consigo. É um paradigma que precisa ser rompido.

Enquanto professor precisamos refletir e procurar quebrar nossos próprios paradigmas dessa disciplina por vezes “tão temida”. Começando pelo exercício de procurar enxergar a Matemática em tudo ou quase tudo que fazemos no nosso dia a dia.

Assim, veremos o quão importante ela é e, dessa forma, poderemos realizar a diagnóstica da Matemática não somente para cumprir uma função burocrática, mas, sobretudo, para pensar nas estratégias a serem usadas para promover o desenvolvimento de todos os alunos.

E como fazer isso? Estabelecendo, primeiramente, o foco da primeira avaliação.

Como professora da Educação Infantil, a avaliação diagnóstica em Matemática estava presente nas minhas aulas. Trazia a proposta de desenhar uma brincadeira após apresentá-la às crianças. A partir daí, já é possível, por exemplo, avaliar a noção de espaço da criança ao representar a brincadeira no papel, seu entendimento conforme acrescenta detalhes de como realizá-lo e outros conceitos matemáticos que estão ligados.

Isso tudo requer um bom planejamento por parte do professor ao escolher a brincadeira. A análise posterior das produções das crianças fará toda a diferença no encaminhamento das ações. A construção de uma pauta de observação é fundamental, permitindo visualizar o retrato da sala e entender o contexto dos alunos.

Para o Ensino Fundamental, é possível elaborar as questões levando-se em conta o que foi trabalhado no ano anterior e, dessa maneira, abordar o reconhecimento de números, análise de quantidade das coleções, situações de contagem, de problemas envolvendo as ideias da adição, subtração, multiplicação, divisão, sistema monetário, sequências, posições, calendário, gráficos e tabelas.

O que levar em consideração?

Alguns aspectos precisam ser considerados na elaboração e aplicação da diagnóstica:

> Quantidade de questões: são cerca de 10 a 15 questões, previamente xerocadas, escritas de uma forma significativa, próximas da realidade da criança para que possam ser vistas por ela como desafios. Deixo um exemplo:
“A classe da professora Juliana está jogando bingo. Marque com um X, na cartela abaixo, os números que seu professor falar”. Desenhe uma cartela de bingo com os números de acordo com o ano a ser feita a diagnóstica.

> Apresentação da diagnóstica aos alunos: ao propor à turma é necessário mostrar a importância desse momento. Uma sugestão de como pode ser falado:
“Vamos realizar esta atividade para que a professora possa saber tudo o que vocês já sabem e assim trazer outras propostas  para que aprendam ainda mais. Por isso é preciso que vocês façam prestando muita atenção e do melhor jeito que souberem”. Ao propor dessa maneira para os meus alunos, percebia toda a diferença no resultado da avaliação.

> Aplicação da diagnóstica: uma outra sugestão é ler as questões em voz alta, uma a uma, percorrendo a sala e observando como as crianças vão resolvendo cada proposta.

> Análise das respostas: para facilitar esse momento, ter em mãos uma pauta de observação fará toda a diferença. Nela, além dos nomes dos alunos, deve constar as expectativas de cada proposta e espaço para anotar o que cada um produziu.
Abaixo um exemplo para uma pauta do 1º ano do Fundamental 1 com dois aspectos que podem ser avaliados:

Clique aqui para baixar esse modelo

A  tabela permite uma visualização geral do perfil da sala, mas é importante também registrar, em um caderno separado, o que achar mais interessante de cada aluno.

Com as minhas turmas, costumava dividir o caderno, deixando algumas folhas para cada estudante, anotando o que achava mais significativo, além das observações de quando fazia intervenções mais pontuais. Assim, é possível ter em mãos, a evolução conforme o tempo, além das necessidades a serem atendidas. É trabalhoso, mas compensador!

Feito isso, é possível pensar por onde começar, quais as necessidades mais urgentes, quem precisa de maior atenção e em qual aspecto. Além de ter as informações para organizar os grupos ou as duplas para as diversas propostas.  É importante lembrar que os grupos ou duplas devem ser formados por alunos com habilidades próximas, porém diferentes, para que todos avancem.

Vale ressaltar que a diagnóstica é o instrumento inicial da avaliação e que outras ferramentas  precisam estar presentes ao longo do percurso. São esses materiais que vão fornecer informações no que concerne ao domínio dos diferentes conceitos matemáticos trabalhados, bem como as atitudes essenciais ao processo de aprendizagem matemática.

E você, professor e professora, pronta para começar a desenhar o perfil de sua sala? Então, mãos à obra!

Um abraço e até a próxima,
Selene

Selene Coletti é professora há 39 anos na rede pública. Atua na Educação Infantil e foi alfabetizadora por 10 anos tendo trabalhado do 1º ao 5º ano. Recebeu, em 2016, da Fundação Victor Civita, o Prêmio Educador Nota 10 com o projeto “Mapas do Tesouro que são um tesouro”, na área de Matemática. Foi diretora de escola e recebeu, em 2004, o Prêmio “Gestão para o Sucesso Escolar”, do Instituto Protagonistes/Fundação Lemann. Atuou como coordenadora do Núcleo de Formação Continuada do município. Atualmente é formadora da Educação Infantil, na Prefeitura de Itatiba.

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