Volta às aulas: hora de planejar a recepção dos alunos

Organização de espaços e de atividades que favorecem as interações marcam o início de uma nova jornada letiva

POR:
Daniel Santos
Ilustração: Duda Oliva

O retorno das atividades escolares é marcado pelo reencontros e novidades. Diante de novos colegas, professores diferentes, conteúdos “mais difíceis” para aprender e tantas expectativas, criar um ambiente acolhedor pode favorecer que as crianças e adolescentes se sintam mais seguros para lidar com os desafios.  

Por esse motivo, é fundamental que seja criada uma atmosfera capaz de transmitir a mensagem de que o local é seguro, amigável e que irá ajudá-los durante todo o seu percurso de aprendizagem. "Trata-se de um período em que as emoções são manifestadas de diversas formas e cada uma delas deve ser entendida, respeitada e acolhida", diz Karine Rezende, orientadora pedagógica da EMEIPI Profª Márcia Aparecida Faria, de Caçapava (SP). "Todos na escola precisam se preparar para receber os alunos e seus familiares e criar condições para que esse período de adaptação seja de atenção, carinho, compreensão e aprendizado". 

Preparação para conhecer a turma 

É comum que haja uma curiosidade por parte dos alunos para conhecer os novos colegas, saber se aquele amigo mais próximo caiu na sua classe e quais serão os professores que darão aula para sua turma. Já pelo lado do professor, para além da curiosidade, há a necessidade de mapear elementos sobre o perfil da turma que possam auxiliar no planejamento das primeiras atividades. 

Geralmente, as reuniões da semana pedagógica são os primeiros momentos para o docente se preparar para o contato com os alunos. A leitura da ficha de matrícula, de avaliação e de outros registros do aluno permite um olhar particular sobre cada estudante. 

Apesar da recomendação dessas leituras, Fabio Augusto Machado, professor de Geografia do Ensino Fundamental 2, prega cautela no aprofundamento sobre os documentos para que o docente não contamine sua visão sobre a classe. Cada professor, mesmo que seguindo o planejamento pedagógico da escola, tem sua maneira de perceber e analisar as características de cada turma. 

"Os docentes devem se pautar também em dados mais objetivos, como o processo de aprendizagem, a etapa de alfabetização ou no nível de proficiência do aluno”, argumenta Fábio. “Além disso, deve tomar cuidado com as avaliações mais subjetivas, relacionadas ao comportamento, relacionamento ou à disciplina". Segundo ele, o professor precisa ter condições de criar seu próprio olhar sobre a turma, por meio da escuta e da crença nas capacidades de aprendizado de cada aluno. 

Já para quem está assumindo turmas de séries diferentes, Karine recomenda que os professores façam um estudo sobre as fases de desenvolvimento dos estudantes, conforme a faixa etária das turmas com as quais irá trabalhar. Tal medida ajudará a planejar as atividades iniciais e, até mesmo, identificar quais ações podem ser mais adequadas ao longo do ano.

A etapa do início de ano também é importante para os professores novatos. Eles devem aproveitar os momentos de interação com os colegas de escola para estabelecer novas relações e conhecer os espaços em que irão trabalhar. A troca de experiências e de ideias com os profissionais mais experientes pode oferecer elementos importantes para que o novo profissional também se prepare para o começo das atividades. 

Preparação dos espaços 

Especialmente para a Educação Infantil e para os anos iniciais do Fundamental, a preparação dos espaços costuma ser tópico obrigatório no planejamento do professor titular da turma. Mas, mais do que apenas uma sala bonita, a estruturação do local precisa ser pensada para que os pequenos possam agir sobre ele e de forma que favoreça o desenvolvimento dos alunos. 

Evandro Tortora, professor da Educação Infantil e doutor em Educação para ciência na Universidade Estadual Paulista (Unesp-Bauru), ressalta que a decoração dos espaços físicos precisa ser bem planejada. “Os materiais que serão utilizados pelos alunos devem estar disponíveis de maneira facilitada”, exemplifica. “Se no primeiro dia haverá uma atividade de desenho, os pequenos devem saber onde estão lápis e papéis. No caso dos bebês, os espaços devem ser amplos”.  A medida não deve ser feita apenas como recurso visual para embelezar o local, ao contrário. “O ambiente precisa garantir que as crianças tenham seu direito de participar e agir sobre ele facilitado”, complementa o professor Fábio. 

Como preparar o espaço para recepcionar os pequenos?
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A organização dos espaços torna a escola convidativa para as crianças, que, justamente por esse motivo, devem ser envolvidas no processo. Quando o professor constrói um ambiente junto com os pequenos, faz com que eles se sintam parte da escola e queiram voltar. Essa é a oportunidade, inclusive, para realizar as primeiras atividades com eles. "À medida que o professor entende as preferências das crianças, pode propor intervenções na classe, como coletar folhas no para compor o canto da natureza, por exemplo, ou então criar um espaço de arte com ajuda dos próprios alunos", explica Mônica Samia, coordenadora e formadora de projetos do Avante.

Além da contribuição direta dos alunos com sugestões, o espaços podem ser compostos também com produções próprias. Essa ação serve para evidenciar a apropriação dos espaços por eles. Os alunos podem ser estimulados a criar, por exemplo, uma área com fotos ou imagens que gostam. Depois, as famílias podem ser convidadas para participar da atividade. Isso é importe, até mesmo, para inserir os responsáveis pelas crianças no processo. “As famílias são essenciais para o processo de adaptação dos pequenos aos novos espaços. São uma rica fonte de informações para professor, bem como são parceiras na Educação das crianças”, comenta Evandro.

Os professores devem acolher também os familiares com reuniões para apresentar sua proposta de trabalho, e seu plano para envolvê-los no dia a dia escola. Mônica sugere convidar pais e responsáveis para passar um tempo com as crianças e conhecer a dinâmica da escola. “Se no início do ano o professor investe tempo nisso, certamente irá se aproximar mais dos responsáveis e inseri-los por completo no projeto pedagógico”. 

Preparação das atividades 

No primeiro dia de aula, é interessante que a aula inaugural sirva para apresentação da escola. A cada novo ano letivo, muitas novidades surgem e aí é fundamental a realização de atividades para que os alunos se ajustem a essas mudanças. Muitas vezes, os alunos têm que lidar com novos colegas e espaços. “Por isso, as atividades pensadas para esse momento devem focar na ampliação dos vínculos sociais entre os colegas de turma, da autonomia e da independência dos alunos”, diz Karine Rezende.

Dinâmicas de boas-vindas, por exemplo, também são interessantes, e podem ser realizadas em até duas aulas. É uma ótima oportunidade para que docente e os alunos se apresentem, compartilhem aspirações, preferências e humanizem essa relação. A ação pode ser efetiva, inclusive, no Ensino Fundamental 2, em que o aluno passa a ter múltiplos professores. Conforme explica Fábio, o professor pode aproveitar o momento inicial para estabelecer com os alunos “as regras do jogo”, conhecido como contrato didático pedagógico (os combinados). “É uma espécie de Constituição da classe, que deve ser feita por meio da contribuição de todos. Cabe ao professor esclarecer os objetivos, organizar os debates e criar coletivamente essa legislação que contribui para estabelecer acordos entre docente e turma”, afirma. 

Certa brincadeiras e dinâmicas podem servir como subsídios para o professor planejar a as atividades para o restante do ano. As atividades livres devem ser bastante exploradas nos primeiros dias. Karine comenta que o docente pode aproveitar esse momentos para fazer observações por meio de registros escritos, fotográficos audiovisuais. “Essas medidas permitem ao profissional analisar as preferências e os aspectos que mais chamaram atenção dos alunos. Assim, será capaz de planejar propostas de atividades mais adequadas às características da turma”, diz. 

Brincadeiras, jogos, leituras, rodas de músicas e de conversas são atividades que exigem baixo investimento e, de maneira geral, aproximam os alunos e permitem ao professor o entender perfil de cada um. Nesse período também o professor pode aproveitar para fazer as primeiras sondagens sobre os conhecimentos dos alunos.  A partir desse levantamento de informações, o docente consegue planejar as próximas propostas de atividades. 

Quais atividades são interessantes para o início do ano?
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Crédito:  Roberto Setton

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