"O reconhecimento me anima a continuar"

Autorretrato

POR:
André Bernardo
Moraes com seus alunos e na cerimônia em que recebeu o Prêmio Victor Civita. Fernando Frazão e Marcos Rosa
Moraes com seus alunos e na cerimônia em que recebeu o Prêmio Victor Civita

"Leciono há 21 anos e o momento de maior reconhecimento na minha carreira foi em 2008, quando recebi o Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. No projeto vencedor, usei podcasts para ensinar sobre a obra de Ariano Suassuna. Com esse destaque para o trabalho, consegui valorizar conteúdos ligados à oralidade, aspecto que costuma receber pouca atenção. E aquele foi mesmo um ano especial, porque logo após a premiação fui aprovado no doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Minha trajetória na Educação começou 15 anos antes. Cursei Letras na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), prestei concurso público e comecei a dar aulas de Língua Portuguesa para o 6º ano na EM Rosa da Fonseca, na capital fluminense. A primeira experiência é sempre impactante. Quando cheguei lá, peguei as turmas mais problemáticas, aquelas que ninguém queria. Mas consegui construir um relacionamento com aqueles jovens que colaborou com o aprendizado deles.

Mais tarde, tive momentos importantes em escolas da rede municipal de ensino. Um deles foi na EM Pastor Miranda Pinto. A diretora era extremamente comprometida e isso fazia a diferença. Ela conhecia praticamente todos os alunos pelo nome. Os docentes gostavam de trabalhar ali e os estudantes percebiam isso. Então, eram muito interessados e participativos.

Também trabalhei por sete anos na rede particular e, em 2003, fui aprovado para o Colégio Pedro II. Desde então, concilio o trabalho nele e no Colégio Militar, onde entrei após concurso.

Paralelamente, desenvolvi minha tese de doutorado - defendida este ano. Nela analiso oito personagens femininas da literatura brasileira que se encontram em conflito com o espaço onde estão inseridas. E lancei o livro As Lacunas do Amor - Estudos sobre Teoria Literária, Prosa, Poema, Canção e Teatro. Foram trabalhos muito gratificantes e que contribuíram para aprimorar minha atuação em sala.

Aqui, no Pedro II, não temos diretor, mas, sim, reitor. É uma estrutura quase universitária, e isso ecoa na sala de aula, na medida em que o professor é, também, um pesquisador. Há dois anos, desenvolvemos a residência docente, voltada para educadores iniciantes das redes municipal e estadual. Eles têm a oportunidade de analisar questões relativas à prática pedagógica.

Minha realidade é diferenciada. A remuneração que temos foi conquistada com sacrifícios, como as greves dos últimos anos. Mas estou em um nicho de excelência na esfera pública. Sem estrutura ninguém consegue trabalhar."

Jorge Luiz Marques de Moraes é professor do Colégio Pedro II

Tags

Guias