Caso real: meus acertos e meus erros em 2019

Veja como uma das professoras vencedoras do Prêmio Educador Nota 10, Arabelle Calciolari, e Mara Mansani avaliam este ano e se preparam para 2020

POR:
Flavia Nogueira
Ilustração de Pedro Hamdan
Ilustração: Pedro Hamdan

Todas as especialistas ouvidas pela NOVA ESCOLA BOX concordam: é preciso avaliar o próprio desempenho e os problemas durante o ano todo. Mas não tem jeito: é no mês de dezembro que todas nós olhamos para trás e fazemos um balanço de como foi o ano. E isso não foi diferente para Arabelle Calciolari, autora do projeto Os Beatles - seu tempo e sua história, um dos premiados com o Educador Nota 10 em 2019.

“Foi intenso”, conta entre risos a professora do Ensino Fundamental I na EMEB Maria Angélica Lorençon, em Jundiaí (SP). 

“Foi um ano de autoavaliação não só profissional, mas também pessoal, de como eu me vejo. Foi também um ano de muito orgulho das crianças. Elas têm muito carinho aqui comigo, recebo muita cartinha, beijo, abraço. Foi engraçado porque muitos vieram e falaram: ‘A gente já sabia que você é nota mil!’ Me abraçaram e falaram: ‘Estou orgulhoso de você’. Ouvir uma criança falando que estava orgulhosa foi bem emocionante”, conta a professora.

Mas nem mesmo para Arabelle o ano foi perfeito: a falta de tempo fez com que ela não conseguisse tocar outros projetos. 

“Fiquei muito tempo fora da escola. Uma coisa que me deixou chateada foi que os quartos e os quintos anos pediram mais projetos como o de literatura, com obras de William Shakespeare, que eu faço no terceiro ano.”

Todo começo de ano, Arabelle pede que os alunos escrevam bilhetinhos avaliando suas aulas, o que gostam e o que não gostam. E, entre os recados, a professora recebeu pedidos para mais projetos como o de literatura com Shakespeare.

Bilhete de aluno de Arabelle Caciolari
Os alunos de Arabelle pediram mais Shakespeare Foto: Acervo Pessoal/Arabelle Calciolari

A professora até tentou começar outro projeto de literatura com a obra As Aventuras de Tom Sawyer, do escritor Mark Twain. “Mas nessa correria toda que foi este ano, não consegui finalizar.”

Para o próximo ano, a professora espera ter mais tempo para desenvolver os projetos de literatura com os alunos. “Na verdade não sei como vai ficar minha vida no ano que vem. Mas, de maneira geral, acho que vou ter tempo para fazer esses projetos. Pelo menos esse de Mark Twain”, conta. 

O ano da alfabetização

Mara Mansani, colunista de NOVA ESCOLA e professora alfabetizadora da EE Laila Galep Sacker, em Sorocaba (SP), afirma que 2019 não foi fácil para ninguém. “Foi um ano de aprender a não se contaminar com as situações todas e tentar focar nas condições disponíveis na escola”, reflete.

Mas para a professora, apesar das dificuldades, o balanço geral do ano foi positivo. “Meus alunos da turma de alfabetização terminaram o ano quase 100% alfabéticos, que era a proposta. Tenho outra turma em Salto de Pirapora (perto de Sorocaba) com quatro alunos que ainda não estão alfabéticos. Dois estão silábicos alfabéticos e dois têm uma condição especial, fazem acompanhamento em uma escola fora do ensino regular. Mesmo assim, evoluíram muito. Então, apesar de tudo, foi um ano muito positivo.”

Mara afirma que uma estratégia que deu certo e precisa ser reforçada em 2020 foi a de fazer uma avaliação, um bom diagnóstico - e durante o ano todo.

“Foi primordial para o sucesso essa questão de avaliar e diagnosticar. Para chegar a um planejamento e não esperar pelo fim do ano. E isso acontece muito, ainda hoje, no século 21, depois de tantos estudos, tanta base teórica, ainda existe essa de esperar o final do ano para fazer as coisas.”

“Final do ano é só para o que não teve jeito mesmo. Quando você faz esse acompanhamento mês a mês, bimestre por bimestre, aí sim, é melhor”, destaca.

A professora também destaca que há pontos para corrigir em 2020: a gestão do tempo na sala de aula.

“Como é difícil, como a gente perde tempo organizando, acalmando as crianças, encontrando um ponto de equilíbrio emocional para desenvolver o conteúdo, o currículo. Levar esse processo de aprendizagem de verdade. Se alguém me pede alguma coisa, é exatamente isto: ‘Mara, como eu faço? Não consigo desenvolver alguma coisa em sala porque meus alunos não param...’”, conta.

“Acho que esse é um ponto importante que precisamos pensar no ano que  vem: como resolver essas crises, como mediar essa coisa na sala de aula para não perder tanto tempo”, afirma.

 

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