Como usar a Comunicação Não-Violenta com grupos

As técnicas de Comunicação Não-Violenta (CNV) também podem ser utilizadas para resolver conflitos dentro da escola

POR:
Ana Carolina C D'Agostini
Grupo de pessoas paradas em pé, em cima de uma faixa de pedestres, usando roupas coloridas e vistas de cima, formando a imagem de um balão de fala de histórias em quadrinhos

Foto: Getty Images

Conforme publicado pela NOVA ESCOLA, a Comunicação Não-Violenta (CNV) é um conceito proposto pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg na década de 1960. Rosenberg é autor do livro Comunicação Não-Violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais, e defende que a CNV é uma das maneiras mais eficazes de resolver conflitos entre duas ou mais pessoas.  Para Rosenberg, parte considerável dos conflitos entre as pessoas podem ser causados mais pela forma como comunicamos as nossas ideias do que por opiniões divergentes. Baseado nesse princípio, ele desenvolveu a técnica de CNV, guiada por 4 componentes básicos: Observação, Sentimentos, Necessidades e Pedido.

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Dominic Barter, psicólogo britânico, defende que o conflito é um aspecto natural de qualquer relação. Barter aplica a CNV há mais de 25 anos em comunidades brasileiras no Rio de Janeiro, que em situação de vulnerabilidade. O seu principal objetivo é o de promover o diálogo e a empatia nos relacionamentos interpessoais por meio da Mediação de Conflitos e dos Círculos Restaurativos embasados no conceito de Rosenberg. Para ele, os Círculos Restaurativos, por exemplo, são uma forma de estabelecer confiança entre as pessoas, de coexistir de forma mais pacífica, e de trazer o senso de comunidade. 

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Comunicação Não-Violenta para grupos

Há outras formas de trabalhar a CNV com grupos e essas técnicas podem ser aplicadas em escolas. Para ajudar a colocar a técnica em prática, o Instituto CNV Brasil disponibilizou gratuitamente materiais de apoio para guiar processos e intervenções em Comunicação Não-Violenta. Dentre essas intervenções, destacam-se os Círculos Empáticos, uma metodologia para estimular a escuta empática, a honestidade e para criar espaço para falar sobre as próprias necessidades e sentimentos.  

Como conduzir um Círculo focado em empatia:

  • Defina um facilitador: primeiramente, é preciso ter um facilitador que esteja familiarizado com os conceitos de CNV. Caberá a ele definir o tema que será abordado no círculo e organizar o encontro entre os participantes;
  • Possibilite a escuta empática: este tipo de escuta propicia a conexão consigo mesmo e com o outro. Envolve, dentre outros fatores, o foco no momento presente, a curiosidade frente ao que está sendo dito, e o não-julgamento ou imposição de rótulos;
  • O que deve ser evitado na escuta empática: dar conselhos, competir pelo sofrimento, interromper aquele que fala, mudar de assunto e tentar educar alguém que tenta se expressar;
  • Acolha os participantes: esclareça quais são os fundamentos da escuta empática, proponha que haja sigilo e pergunte quem conhece a CNV (aproveite para esclarecer as dúvidas e disponibilizar material de consulta sobre necessidades e sentimento, pilares da CNV);
  • Realize uma prática de conexão: uma boa sugestão é fazer uma atividade de meditação ou respiração antes de começar;
  • Verifique como cada participante chega ao Círculo: permita com que cada um diga como está naquele dia;
  • Pratique a escuta empática: proponha que todos pensem uma situação desafiadora que estão vivendo. Em seguida, sugira que reconheçam como estavam se sentindo e quais foram as necessidades não atendidas. Em um segundo momento, sugira que compartilhem o que pensaram com uma dupla, que deverá praticar a escuta empática e parafrasear o que está sendo dito pelo outro;
  • Encerramento: pergunte aos participantes como eles saem do encontro e qual aprendizado levam da prática.  

A metodologia dos Círculos Empáticos pode ser uma alternativa interessante para permitir com que professores e alunos abordem temas que atravessam o cotidiano escolar. Professores podem ter um momento destinado a troca de experiências que envolvam qualquer tipo de conflito, como por exemplo a dificuldade de gestão de sala de aula em uma determinada turma. Já os alunos, podem, além de aprender técnicas de comunicação que favorecem a empatia, explorar como se sentem em relação ao bullying que ocorre na escola.  

Ana Carolina C D'Agostini é psicóloga e pedagoga com formação pela PUC-SP, especialização em psicologia pela Universidade Federal de São Paulo e mestre em Psicologia da Educação pela Columbia University. Trabalha com projetos em competências socioemocionais e é consultora do projeto de Saúde Emocional da Nova Escola.

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