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Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

BNCC da Educação Infantil: como desenvolver práticas de linguagem

Veja três exemplos de atividades de leitura e oralidade para garantir os direitos de aprendizagem das crianças

POR:
Mara Mansani
Todas as atividades de leitura exigem planejamento e intencionalidade. Imagem: Getty Images/José Luis Pelaez Inc

Você já está por dentro da BNCC ? Sabe o que está proposto para a Educação Infantil? Se ainda não estudou, te convido a conhecer  algumas práticas que as escolas e redes podem fazer para garantir os direitos de aprendizagens e um bom desenvolvimento dos nossos pequenos na Educação Infantil. Mas não deixe de estudar o documento na íntegra e verificar as transformações no currículo de sua rede com base no que propõe e orienta a BNCC. Não deixe de ver também todo o material produzido pela Nova Escola sobre a nossa primeira Base Nacional para facilitar seu entendimento e apoiar sua implementação em sala de aula.

Na Educação Infantil, a BNCC traz os direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Com compromisso e ações podemos garantir e criar situações de aprendizagem para que esses direitos aconteçam. Primeiro, veja quais são os seis direitos:

Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos,  utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas.

Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais.

Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando.

Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia.

Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões e questionamentos, por meio de diferentes linguagens.

Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário.

Para que você compreenda melhor esses direitos de aprendizagem, escolhi três práticas de linguagem na Educação Infantil que estão totalmente alinhadas à BNCC. 

São três experiências educativas, que têm em comum práticas de leitura e oralidade, uma desenvolvida em uma turma do maternal; outra com  crianças de uma creche e, por fim, uma experiência envolvendo todas as unidades escolares de educação infantil de uma rede de ensino. 

Tenho percebido ultimamente esse movimento Brasil afora, em que redes de ensino público propõem ações de maior porte envolvendo escolas, professores, crianças e famílias da região, visando o bom desenvolvimento e  aprendizagem de todos. Que esse movimento se espalhe, ganhe maior proporção - para que atenda as necessidades de aprendizagem de todos - e se consolide como uma ação contínua. Assim, as redes de ensino realmente irão assumir seu papel mais importante, que é de fomentar, promover e construir uma educação pública de qualidade para todos.

Escolhi essas práticas, com três diferentes dimensões, para mostrar a vocês, queridos professoras e professores, que podemos fazer a diferença na educação, seja em sala, seja na escola como um todo, seja em rede ou em uma conexão coletiva mais ampla. Para que isso aconteça, são necessários planejamento, intencionalidade na aprendizagem e uma boa dose de vontade.

Vamos às práticas!

Na sala de aula, em Votorantim, interior do estado de São Paulo, na CMEI Carmela Guariglia Ramos, a professora Vanessa Angélica Franco Ferreira desenvolveu com seus pequenos do Maternal ll, uma atividade envolvendo oralidade e leitura de texto de memória, parlenda. Ela trabalhou a leitura com apoio de imagens. 

Veja o vídeo, que faz parte da rotina da turminha em sala de aula, e perceba a interação da professora com as crianças. 

Uma prática aparentemente simples, mas que envolve diversos saberes e que pode contribuir no desenvolvimento de vários objetivos de aprendizagem do campo de experiências “Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação:

(EI01EF02) Demonstrar interesse ao ouvir a leitura de poemas e a apresentação de músicas.

(EI02EF02) Identificar e criar diferentes sons e reconhecer rimas e  aliterações em cantigas de roda e textos poéticos.

(EI02EF08) Manipular textos e participar de situações de escuta para ampliar seu contato com diferentes gêneros textuais (parlendas, histórias de aventura, tirinhas, cartazes de sala, cardápios, notícias etc.).

O ideal é planejar para sua turma práticas com essa pelo menos três vezes na semana, intercalando com outras atividades de leitura.

Já na Creche municipal Irmã Maria das Dores, em Salto de Pirapora, também no interior do Estado de São Paulo, a prática que compartilho com vocês é a de contação de histórias. Os pequenos esperam empolgados pelo momento em que as histórias de livros de literatura infantil criam vida, saem das páginas dos livros e entram dentro do imaginário infantil. A diretora Katherine Pecora destaca que a atividade faz parte da rotina proposta pelas educadoras da creche e, às vezes, é desenvolvida também com a participação de outros educadores da rede. Compartilho aqui imagens da contação da história do livro de Tatiana Belinky O grande rabanete, com a participação das professoras Bia e Karina.

Contação de histórias é uma opção para trabalhar o campo de experiência Fala, escuta, pensamento e imaginação. Imagem: Acervo da Creche Irmã Maria das Dores

Elas usaram um figurino colorido e criativo, além de objetos e acessórios. As crianças ficaram de olhos vidrados e ouvidos atentos. Leitura para se divertir, para encantar, para aprender e se desenvolver saudavelmente.

A prática com uma dimensão mais ampla também é de Salto de Pirapora. O imenso e incrível “Piquenique Literário” foi uma proposta da rede municipal de Educação, em parceria com o Instituto Votorantim, e que envolveu a participação de dez creches e quatro pré-escolas. Estavam presentes gestores, professores, crianças e suas famílias. Segundo a Supervisora de Ensino Sarita Burgudgi, a ação teve como objetivo desenvolver desde cedo o comportamento leitor. Mais de mil crianças foram atendidas!

A atividade foi realizada em um sábado do mês de novembro. Na parte da manhã, ocorreu o Piquenique e, à tarde, todos participaram de uma Feira Literária, na qual creches e escolas de Fundamental I apresentaram seus projetos de leitura e literatura para todos os presentes. 

Em Salto de Pirapora, Piquenique Literário reuniu gestores, professores, alunos e famílias para participar de práticas de leitura. Crédito: Clarissa Magalhães Costa 

Como disse um pai participante:

“Isto nunca mais pode deixar de acontecer! Agora a gente já sabe como fazer!”

Se queremos que a educação seja prioridade, precisamos criar as oportunidades para que ela aconteça! Quando as escolas, as famílias e toda uma cidade promove a leitura, todos ganham! Nossos alunos ganham na aprendizagem, as famílias ganham oportunidade para se dedicarem mais aos seus filhos e todos nós ganhamos com mais qualidade de vida.

Agora que já sabem quais são e como aconteceram essas práticas, leia novamente os direitos de aprendizagem e desenvolvimento que estão no início do post. Conseguiu percebê-los presentes nas três práticas compartilhadas aqui? Tenho certeza que sim! Isso nos mostra mais uma vez que podemos, todos nós, professores, gestores e outros educadores, com a participação da família, criar um terreno fértil de aprendizagem para os nossos pequenos. Então, para o ano que vem, no seu planejamento, crie oportunidades para que os direitos de aprendizagem aconteçam e se desenvolvam.

Se você, sua escola e ou rede já desenvolvem experiências assim, compartilhe.

Um grande abraço e até semana que vem!

Mara Mansani



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