Como psicólogos e assistentes sociais podem ajudar alunos e professores

Possibilidade da presença desses profissionais prestando atendimento em escolas públicas voltou às notícias. Veja de que forma eles podem ajudar até na aprendizagem

POR:
Ana Carolina C D'Agostini
Foto mostra detalhe de um gesto de mão durante uma reunião
Foto: Getty Images

Na semana passada foi divulgada a notícia que o Congresso derrubou o veto do presidente Jair Bolsonaro quanto ao atendimento de profissionais de psicologia e serviço social às escolas públicas. Cabe lembrar que a proposta foi apresentada em 2007 por José Carlos Elias, então deputado do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e o projeto assegurava também que, quando fosse necessário, os estudantes da Educação básica deveriam ser atendidos em parceria com os profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Caso a proposta realmente entre em vigor, como tais profissionais podem ajudar a comunidade escolar?

Segundo texto divulgado na página do Conselho Federal de Psicologia (CFP) sobre o tema, e a Associação Nacional de Psicólogos Escolares, organização norte-americana, a presença de profissionais de Psicologia e Serviço Social na rede pública de ensino é importante e pode ser aproveitada de diversas formas. Conheça algumas delas. 

Equipe pedagógica multidisciplinar

A existência de uma equipe pedagógica composta também por psicólogos e assistentes sociais garante não só que a maioria das queixas possam ser trabalhadas e resolvidas na própria escola, mas também que haja a possibilidade de abordagens coletivas. Diversos casos costumam ser encaminhados como problemas psicológicos individuais, quando poderiam se tornar um projeto da própria escola. Psicólogos são aptos a fazer intervenções com os alunos e suas famílias e a realizarem diagnósticos de casos que necessitem outras intervenções ou outros acompanhamentos externos. A presença de tais profissionais dentro da escola também pode ser aproveitada para o desenvolvimento de pesquisas em parcerias com instituições acadêmicas, avaliando assim a efetividade de projetos e intervenções realizadas tanto com os alunos como na formação de professores. 

Melhoria no processo ensino-aprendizagem

Com a presença destes profissionais na escola, se torna possível elaborar outras estratégias em parceria com os professores que melhorem a aprendizagem dos alunos de forma inclusiva, ou seja, considerando as peculiaridades de cada um, avaliando e acompanhando o desempenho de cada estudante. Além disso, é possível apoiar a atuação dos professores com alunos que apresentam deficiências e transtornos globais de desenvolvimento. Psicólogos escolares, podem ainda auxiliar na compreensão do desenvolvimento infantil e do adolescente e auxiliar os professores quanto a questões comportamentais que necessitem gerenciamento.   

Relação escola-família

Psicólogos e assistentes sociais podem auxiliar tanto no trato e na mediação de problemas sociais que interfiram na escolarização e formação dos alunos - como situações de violência, gravidez na adolescência, questões familiares e uso abusivo de álcool e outras drogas - como ampliando a relação da escola com a família e a comunidade, criando maior diálogo e proximidade. 

Intervenções em saúde mental

Tais profissionais podem contribuir na identificação e no enfrentamento de situações relacionadas a saúde mental tanto de alunos como de professores e demais funcionários. Ter alguém habilitado a identificar casos de depressão ou burnout, por exemplo, pode prevenir uma série de problemas mais graves dentro da escola. 

Atuação preventiva e responsiva

Infelizmente a escola também está sujeita a casos de violência extrema, como o massacre ocorrido em Suzano no início desse ano. Ocorrências desse tipo requerem ações de acolhimento às vítimas e familiares, estratégias de elaboração de luto e atenção às consequências psicológicas nos meses subsequentes. Além de casos assim, psicólogos podem trabalhar o suicídio, tema que estatisticamente tem crescido entre jovens no Brasil. Discutir o assunto envolve um olhar preventivo e atento às questões de saúde mental, que podem se manifestar de maneira sutil através de sinais de alerta e requerem o trabalho em conjunto com a família. Caso algum suicídio ocorra na escola, também são necessárias ações de posvenção para evitar o efeito de contágio e a má elaboração do luto.   

Projeto de vida 

Profissionais de psicologia e assistência social podem trazer um olhar para a escola que vá além do desempenho acadêmico. Auxiliar os alunos na construção de um projeto de vida que lhes faça sentido e seja estimulante é tão importante quanto a apreensão dos conteúdos ensinados em sala de aula. 

Ana Carolina C D'Agostini é psicóloga e pedagoga com formação pela PUC-SP, especialização em psicologia pela Universidade Federal de São Paulo e mestre em Psicologia da Educação pela Columbia University. Trabalha com projetos em competências socioemocionais e é consultora do projeto de Saúde Emocional da Nova Escola.

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