Como funciona a mentoria para professores

Proposta conecta professores novatos e experientes para troca de experiências e conselhos profissionais

POR:
Nairim Bernardo
Duas mulheres sentadas diante de uma mesa, uma de frente para a outra, sorrindo e conversando, com um notebook aberto sobre a mesa
Crédito: Getty Images

A quem você, educador, recorre quando está em dúvida sobre o que fazer em sala de aula? Geralmente, é comum procurar colegas de profissão para receber dicas; mas sabia que é possível esquematizar esse apoio em forma de mentoria?

A mentoria é uma forma de tutoria para desenvolvimento profissional que alguém mais experiente pode desenvolver para ajudar uma pessoa mais nova na carreira. Quando aplicada na área da Educação, tem o objetivo de unir educadores que já tenham bastante tempo de atuação em sala de aula e professores novatos. 

Foi o que aconteceu com Daniel Cordeiro - que está se licenciando em Letras e há 10 meses ministra aulas de Língua Portuguesa para turmas do Ensino Médio em uma escola pública de Campo Grande (MS) - e a educadora Mara Mansani, que leciona há quase 30 anos e já recebeu o Prêmio Educador Nota 10. Eles se conheceram por meio do programa de mentoria desenvolvido pela NOVA ESCOLA. “Já sabia da importância de ter o acompanhamento de pessoas mais experientes, que conhecem problemas, erros e soluções para os desafios da vida de professor. E depois de passar pelo projeto de mentoria percebi que eu realmente precisava de um atendimento customizado para lidar com os desafios”, comenta Daniel. 

Como Mara mora em Sorocaba, no interior de São Paulo, e Daniel em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, o contato entre eles foi realizado virtualmente, através de videochamadas. Além de quatro encontros de uma hora cada, realizados semanalmente por um mês, eles também trocaram e-mails. Daniel conta que, no início, ficou receoso por ter Mara como mentora pois ela nunca ministrou aulas para o Ensino Médio, mas logo percebeu que os anos de experiência dela em sala de aula, mesmo que em outras etapas de ensino, poderiam ajudá-lo muito, “Ter um mentor me fez enxergar os problemas de modo mais claro. Me senti mais amparado e com mais evidências para agir e mudar resultados”, diz o professor. Em seus encontros, eles conversavam sobre questões relacionadas a gestão de sala de aula, estabelecimento de combinados com a turma, como se conectar com o aluno que está muito distante e indisciplina (além de desabafar um pouco, é claro). 

Karla Duarte é professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental 2 de uma escola particular da capital paulista. Começou o programa de mentoria por curiosidade e teve como mentor um professor da área de Geografia, Leandro Campelo, coordenador de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. “Conversamos muito sobre as novas metodologias de ensino com uso da tecnologia. Ele entende muito sobre o tema, o que foi muito positivo para mim, que ainda estou começando a estudar metodologias ativas e ficava muito receosa de que minha propostas em sala não funcionassem”, conta Karla. “Quando você conversa com alguém que já testou, a pessoa te passa segurança e você encara o desafio de fazer também”. 

Karla e Daniel tinham outras expectativas quanto à mentoria, mas acabaram se surpreendendo positivamente. Ele conta que acreditava que seria um processo no qual uma pessoa mais experiente o formaria, “Mas com a Mara foi um processo muito de mão dupla. Ela também refletia sobre sua prática. Algumas referências ela não conhecia e eu conhecia. E assim, nós trocávamos materiais e experiências”, conta. Já Karla diz acreditava que a mentoria abordaria mais diretamente questões de saúde mental, mas o caminho foi outro, “Abordamos bastante as questões didáticas, o que foi muito importante para mim. Acredito que essa monitoria aumentou minha potência pedagógica”, 

Para quem deseja participar de atividades de mentoria mas não tem acesso a nenhum programa voltado especificamente para docentes, a dica é organizar o projeto em sua própria escola ou rede de ensino. Isso deve ser feito pela gestão da escola ou da rede, que em um primeiro momento precisa entrar em contato com profissionais mais experientes e que estejam dispostos a “apadrinhar” um professor novato. Depois, é essencial que essas pessoas passem por uma formação sobre a finalidade dos encontros: o momento da mentoria não pode se resumir a desabafos, o objetivo é buscar soluções. Deve-se estabelecer uma periodicidade dos encontros e um roteiro de temas a serem abordados e, ao final, é interessante que mentor e mentorado deem feedbacks sobre as atividades.

Mentoria é o mesmo que coaching

Não. Enquanto a mentoria foca no desenvolvimento profissional, planejamento das ações docentes e busca por soluções de desafios atuais a partir da experiência, o coaching trabalha o autoconhecimento para que a partir do desenvolvimento pessoal o professor possa fazer o aprimoramento de seu trabalho.

Dados da International Coach Federation (ICF) mostram que, nos últimos quatro anos, o coaching cresceu mais de 300% no Brasil. Fabiana Gonçalves é psicopedagoga, trabalha na Educação há 20 anos e antes de fazer uma formação para se tornar coach trabalhava como formadora de professores. “Observei que havia uma necessidade muito grande dos docentes de planejar sua carreira e também sua realização pessoal. Geralmente, quem está na área educacional quer continuar, mas precisa fortalecer sua identidade profissional”, conta Fabiana. Segundo ela, a maioria de seus clientes a procuram devido a dificuldades na gestão do tempo, organização da vida pessoal e profissional, aprimoramento profissional e motivação.

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