Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

Que tal levar a leitura para um cantinho que ninguém pensou?

Conheça três projetos que incentivam e disseminam a leitura a partir da escola para a casa das crianças

POR:
Mara Mansani
A professora Mara Mansani escolhe livros para leitura com sua turma     Crédito: Mariana Pekin

Está mais que comprovado que a leitura é fator essencial e de extrema importância não somente no sucesso do processo de Alfabetização, como também para o bom desenvolvimento do processo de aprendizagem dos alunos. Mas como criar acesso e oportunidades de leitura para nossos alunos e de forma geral para todos, dentro e fora da escola, pensando que não deve ser restrita apenas ao ambiente escolar?

A tarefa é ampla e complexa, mas acredite, podemos fazer muito para democratizar e ampliar o acesso das crianças à leitura. Podemos criar oportunidades de leitura em nosso país, que podem impactar diretamente na aprendizagem dos nossos alunos, seja dentro da sala de aula ou em ações na comunidade em que vivemos. Nós podemos ainda dar uma dimensão maior em ações promovidas pelas Redes públicas de Educação.

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Apresento a seguir algumas ações de promoção a leitura realizadas em variados contextos que me impactaram e que acredito serem replicáveis em diferentes escolas. São ações para inspirar professores em todo o país!

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Projeto Cantinho da Leitura na EMEF Prof.ª Sílvia Haddad em Salto de Pirapora   Foto: Patricia Cordeiro/Acervo pessoal

Ação inspiradora na escola: Espaços de leitura na escola

Lugar de leitura não é só em sala de aula, em salas de leitura e/ou biblioteca escolar. Precisamos extrapolar os ambientes escolares e levar a leitura para todos os cantos possíveis, para que não dependa do comando dos professores e adultos e para que nossos alunos possam ler por conta própria, por prazer, mas incentivados e estimulados por nós. Na escola em que trabalho em Salto de Pirapora, a EMEF Prof.ª Sílvia Haddad, no interior de São Paulo, um cantinho no pátio escolar que servia apenas como depósito se transformou em um lugar especial para a leitura com tapete de borracha, almofadas, uma bonita decoração de parede e muitos livros de literatura infantil. É o cantinho da leitura!

A primeira atividade no cantinho foi promovida pela coordenadora pedagógica, a Patrícia Cordeiro, para as professoras. Ela propôs um estudo sobre a importância da leitura, a reflexão sobre o papel do professor como mediador e incentivador e sugestões de práticas criativas para motivar os alunos a ler. O próximo passo é apresentar esse espaço especial para a leitura as crianças. Da até para imaginar a alegria e participação dos alunos na inauguração. Vai ser um sucesso!

E na sua escola, há espaços diferenciados onde a leitura pode acontecer? Faça uma busca, você pode se surpreender com novas possiblidades. Algum canto do jardim, do pátio, do refeitório pode se tornar um cantinho de leitura. Junte os colegas, os gestores e vamos lá espalhar a leitura por todos os cantos da escola!

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Obras criadas pelas crianças das creches e escolas que participam do projeto Ciranda Literária promovida pela Secretaria Municipal de Educação do Recife    Fotos: Arthur Gustavo/Seduc Recife

Ação Inspiradora em Rede: Ciranda Literária do Recife (PE)

Estive recentemente em Recife, capital pernambucana, onde participei do Seminário Conectando Boas Práticas, promovido pelo Núcleo local da Rede Conectando os Saberes, coordenado pelo professor Josinaldo Bernardo. Além das práticas pedagógicas incríveis, explorando temas como Educação Socioemocional, Educação Ambiental e Tecnologia, apresentadas em seminário na Escola de Formação de Educadores do Recife - Paulo Freire (EFER), conheci também uma ação incrível de leitura para os pequenos da Educação Infantil. Promovida pela Secretaria Municipal de Educação do Recife, a partir das ações do programa de Alfabetização e letramento – Proler, o projeto “Ciranda Literária” está em sua quarta edição.

Imagine aproximadamente 2.200 crianças, de poucos meses a cinco anos de idade, divididas em 24 creches e 38 escolas, participando e interagindo em práticas de leitura, oralidade e escrita, com foco na literatura infantil – tendo a oportunidade de conhecer obras literárias que exploram temas significativos aos pequenos. É ma-ra-vi-lho-so!

Segundo Ana Cristina Cavalcanti de Avellar, gerente de Alfabetização e Letramento da Educação Infantil e anos iniciais da Seduc, os objetivos da Ciranda Literária são:

- Incentivar vivências que vão contribuir para o envolvimento das crianças nas diferentes linguagens, com experiências de narrativas, de apreciação e interação com a linguagem oral e escrita, com o incentivo à curiosidade, à exploração e ao encantamento do universo literário;

- Oferecer pontes preparatórias para a construção de eixos estruturantes: apropriação da escrita alfabética, leitura e oralidade e interpretação crítica de mundo. Assim é possível projetar uma curva "inicial", que vislumbre o "aprofundamento" e a "consolidação", em fases posteriores que tange o Ciclo de Alfabetização.

A partir do projeto maior da Seduc, Ciranda Literária, cada creche e escola participante desenvolveu seu próprio projeto. Na finalização tudo o que foi desenvolvido nas escolas, os saberes construídos, os materiais produzidos pelas crianças, as práticas desenvolvidas pelos professores foram compartilhadas em uma linda exposição, com 62 relatos de experiência. Incrível, não é mesmo?

Que as Redes de Educação se inspirem nesse trabalho da Secretaria de Educação de Recife.

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O professor José Gilson Lopes desenvolve o projeto Malas de leitura há cinco anos no Ceará    Foto: Acervo pessoal

Ação inspiradora na Comunidade: Projeto Mala de Leitura

O professor de Língua Portuguesa do Fundamental 2, José Gilson Lopes, de Fortaleza, no Ceará, desenvolve o projeto Mala de Leitura, que começou na escola para incentivar a inclusão por meio do hábito de ler – mas que vem ultrapassando os limites dos muros escolares da E.T.I. Professor Ademar Nunes Batista. A proposta foi ampliada para levar o hábito de leitura para comunidades da periferia de Fortaleza, oferecendo o acesso aos livros, em locais onde antes não estavam presentes. José Gilson carrega uma mala grande de viagem com dezenas de livros, que são disponibilizados para a leitura em diferentes comunidades atendidas pelo projeto. Segundo o professor, o projeto tem muito boa aceitação e está crescendo a cada dia com os livros chegando a lugares inusitados. Garagens, praças, campos de futebol e onde mais for necessário, é lá que o professor faz seus livros chegarem. Imagine todos esses alunos, suas famílias, todo o prazer em ler, as descobertas e aprendizagens a partir das ações desse projeto.

José Gilson desenvolve voluntariamente o projeto Mala de Leitura, juntamente com alguns de seus alunos e algumas vezes com colegas professores, já há cinco anos. “É preciso ter um atrevimento pedagógico!”, diz o professor. Alguém dúvida que ele é um professor atrevido?

Que nós, professoras e professores, possamos ser atrevidos como ele!

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Espero que tenha gostado dessas ações em práticas de promoção de leitura e que elas possam de alguma maneira inspirar professores a fazer o mesmo aí na sua escola, comunidade e ou em sua rede. Nossas crianças agradecem!

E se você ou alguém da sua escola já faz parte de alguma ação como essas, conte aqui nos comentários.

Vamos juntos levar a leitura para todos! Afinal, a Educação e a Cultura são a base para a construção de uma sociedade humanizada e civilizada.

Um grande abraço a todos e até a semana que vem!

Mara Mansani

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2006, teve dois projetos de Educação Ambiental para o Ensino Básico publicados pela ONG WWF, no livro “Muda o Mundo, Raimundo”. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

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