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Professor X aluno: qual é a importância do vínculo na aprendizagem

O convívio entre professor e aluno é composto por um vínculo especial que afeta diretamente as duas partes. Saiba mais sobre o que implica essa proximidade

POR:
Ana Carolina C D'Agostini
Crédito: Getty Images

Nós, humanos, somos seres sociais. Ansiamos por vínculo, troca, segurança e por um olhar que nos valide desde o início das nossas vidas. A primeira infância é, além de um período de total dependência de nossos cuidadores primários, uma fase em que criamos as primeiras formas de apego.

O psicólogo, psiquiatra e psicanalista britânico Edward John Mostyn Bowlby, mais conhecido como Bowlby, é um dos principais nomes nos estudos sobre desenvolvimento infantil e foi o responsável pela conceitualização da Teoria do Apego. A teoria define uma ligação afetiva ou vínculo entre uma pessoa e sua figura de apego, comumente um cuidador. Para Bowlby, as crianças se apegam de forma instintiva a quem cuide delas, para que assim possam sobreviver. Nesse sentido, o objetivo biológico da criança é a sobrevivência, enquanto que o objetivo psicológico é a segurança e tal vínculo de apego cria a base para a formação de futuras relações afetivas. Conforme a criança cresce, ela tem diferentes necessidades e busca outras pessoas para criar laços, sendo que essa conexão inclui também os seus professores.  

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Quando a criança começa a frequentar a escola, ela é apresentada a um novo universo de socialização cuja figura central a qual irá se vincular é o professor. O vínculo é um grande aliado quando se trata de aprendizagem e a criança aprende melhor quando tem uma relação de confiança com esse adulto, ou seja, quando sente que possui uma base segura na qual pode pedir ajuda, quando recebe apoio para lidar com a frustração, e quando se sente amparada o bastante para  correr riscos. À medida que a criança vai se desenvolvendo, somado ao que foi citado, uma boa forma de fortalecer vínculos com os alunos é demonstrar interesse por eles, seja via temas relacionados à aprendizagem, seja por conversas que explicitem a atenção ao que eles pensam e sentem. Claro que ser professor implica comumente em trabalhar em salas de aula lotadas, o que torna desafiador expandir essa prática a todos os alunos. Entretanto, abordagens de ensino mais dialogadas, que permitam com que professores e alunos sejam produtores conjuntos de conhecimento e que tragam abertura para temas relacionados aos seus projetos de vida favorecem essa interação. 

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Quando há um esforço do professor em vincular-se e em reconhecer quem é a pessoa por trás de cada estudante, até mesmo aquele aluno mais distante e resistente que pode ter crescido em circunstâncias difíceis – como em locais de violência ou em condições familiares complicadas – pode se abrir para maior proximidade e sentir que pertence a um local de base segura. Sentir que há alguém interessado e que se importa de forma legítima com quem se é e com quem gostaria de se tornar no futuro, pode transformar toda a trajetória de uma história. 

Como defendeu o psicanalista, desde cedo buscamos vínculo e uma base segura no outro. Tais necessidades não se restringem unicamente às crianças e é possível estender esse pensamento também aos adultos-professores. Da mesma forma que o aluno anseia por essa proximidade e é beneficiado diretamente por esse vínculo, o professor também é. A postura do aluno em saber o que o professor pensa e quem é a pessoa por trás daquele educador – o que sente e como construiu a sua história – fortalece o propósito na profissão, traz o senso de pertencimento, de respeito e de valorização profissional. 

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Ser professor é uma função que requer cuidado, dedicação e abertura ao outro. Quando esse outro na verdade são tantos outros – como uma sala cheia de alunos – o afeto, a importância e o impacto do convívio que se estabelece é bastante significativo. Da mesma forma que o papel do professor tem uma importância imensa na vida de um aluno, um aluno também transforma diariamente um professor por meio do vínculo que estabelecem. Portanto, como diria Bowlby, se você deseja ajudar uma criança, cuide dos adultos que cuidam dela

 

Ana Carolina C D'Agostini é psicóloga e pedagoga com formação pela PUC-SP, especialização em psicologia pela Universidade Federal de São Paulo e mestre em Psicologia da Educação pela Columbia University. Trabalha com projetos em competências socioemocionais e é consultora do projeto de Saúde Emocional da Nova Escola.

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