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Quem cuida do professor?

Há uma série de iniciativas que podem ser propostas pelo diretor da escola para que haja maior atenção e cuidados com a saúde mental do professor. Conheça algumas delas

POR:
Ana Carolina C D'Agostini
Crédito: Getty Images

Por mais que haja serviços públicos de atenção e promoção de saúde no país, nem sempre sobra tempo para que os professores se cuidem como gostariam. É comum também que as filas de espera para determinados atendimentos sejam bastante longas. Além disso, por passarem a maior parte do tempo no ambiente do trabalho, é importante que existam ações concretas e bem estruturadas para os cuidados específicos desses profissionais na escola. 

Some-se a isso o fato de que o Brasil lidera o índice de violência contra professores e onde, de acordo com dados da pesquisa de NOVA ESCOLA sobre a saúde do educador brasileiro, 87% desses profissionais acreditam que seus problemas de saúde são ocasionados ou intensificados pelo trabalho, como diretores podem promover ações em suas escolas para melhorar a saúde mental dos professores? Conheça algumas ações que podem ser incorporadas na escola.

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Apoio da coordenação e da direção

Apoiar o professor deve ser compreendido como algo amplo. Acolher o professor significa ter um olhar atento a esse profissional, ver como ele está e reservar tempo para conversas individuais e coletivas.

O objetivo dessas conversas é propiciar acolhimento para que o professor possa falar sobre o momento que está vivendo e para que o diretor possa entender como oferecer apoio. O diretor pode abrir espaço para que o professor ajude a pensar em projetos e iniciativas que caibam naquele contexto. As discussões coletivas podem ser por meio de rodas de conversa, nas quais um tema central, texto ou questão disparadora dá início a uma troca cujo objetivo é ter a participação de todos os presentes – de modo que todos possam ouvir com atenção e também ter espaço de fala. Momentos assim propiciam maior engajamento entre a equipe, permitem o compartilhamento de boas práticas e são um convite para que novas ideias surjam de forma mais livre e espontânea.

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Desenvolvimento de habilidades socioemocionais

Uma das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) refere-se ao Autoconhecimento e Autocuidado. Implica em conhecer-se, compreender-se na diversidade humana e apreciar-se para cuidar da própria saúde física e emocional, reconhecer as próprias emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. Uma vez que tal competência deverá fazer parte da vida escolar dos estudantes, é importante que seja também desenvolvida nos professores. Quais serão as estratégias da escola para que os professores trabalhem essa competência em si próprios?

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Parceria com redes de apoio

Como nem toda escola possui um psicólogo que possa ajudar a estruturar projetos internos e que esteja disponível para atender alunos, seus familiares e também os professores, é interessante que haja uma parceria com redes de apoio que possuem profissionais de saúde. Psiquiatras, assistentes sociais e psicólogos podem ser acionados quando houver necessidade – tanto para os cuidados com o professor, como para o encaminhamento e acompanhamento de alunos. Além disso, podem auxiliar na estruturação de projetos para a escola relacionados à saúde mental e emocional a partir das demandas específicas daquele ambiente. Podem surgir, por exemplo, projetos relacionados à depressão, à cultura de paz, ao fortalecimento da autoestima e a técnicas de Comunicação Não-Violenta (CNV). 

Frequentemente, a preocupação com a saúde surge apenas quando o professor começa a sentir prejuízos pessoais e sociais. Mas essa é uma questão que pode ser trabalhada de forma preventiva, inclusive com resultados mais positivos para todos. O aprendizado contínuo sobre saúde mental e bem-estar também cria a base para uma estrutura que sustenta a importância desse tema na escola. Graças à internet, há muita informação disponível sobre saúde mental. Entretanto, faltam informações confiáveis e indicações de medidas de promoção e prevenção de saúde que possam ser aplicadas à escola. A escola, portanto, pode se apoiar nos profissionais citados para saber como lidar com questões de menor complexidade que, inclusive, se não cuidadas, podem se encaminhar para situações de alta complexidade.

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Mentoria

Garantir que todo professor da escola tenha um mentor – um professor mais experiente – para orientá-lo e ajudá-lo a refletir sobre o dia a dia da profissão é uma medida eficaz para diminuir a solidão e o estresse, propiciar compartilhamento, trazer valorização profissional, garantir uma forma de desenvolvimento profissional contínuo e maior preparo para a prática. 

Saúde mental é o conjunto de habilidades que temos para manter o bem-estar emocional. Tais habilidades são garantidas também pelo contexto social no qual se está inserido, incluindo o ambiente familiar, de trabalho, o círculo social e, é claro, as contingências econômicas e políticas que afetam o professor. É mais que urgente que haja políticas públicas mais sérias voltadas à união entre Educação e Saúde e à valorização do profissional, garantindo o avanço em condições de trabalho e plano de carreira.

As questões relacionadas à saúde mental têm aumentado significativamente no país e no mundo e há peculiaridades na profissão do educador. Ser professor é sinônimo de lidar com o desenvolvimento humano e não há nada mais complexo e desafiador que essa tarefa. Somado a isso, o Brasil possui hoje deficiências em todas as etapas da carreira do professor – atração, currículo, formação – além do profissional lidar com salas de aula superlotadas, falta de tempo, solidão, pressão e culpabilização por diversas questões enfrentadas pelos alunos. Portanto, enquanto país, devemos pensar que ser professor é uma carreira que exige cuidado e se o professor não está bem, como melhoraremos a Edução em nível nacional? 

 

Ana Carolina C D'Agostini é psicóloga e pedagoga com formação pela PUC-SP, especialização em psicologia pela Universidade Federal de São Paulo e mestre em Psicologia da Educação pela Columbia University. Trabalha com projetos em competências socioemocionais e é consultora do projeto de Saúde Emocional da Nova Escola.

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