Os professores campeões de audiência no Youtube

As experiências de profissionais de Educação que ficaram famosos na internet ao produzir conteúdos que ajudam alunos de várias partes do mundo

POR:
Daniele Pechi

Há cinco anos, o americano descendente de indianos Salman Khan, de 34 anos, precisou ajudar uma prima que tinha dificuldades para aprender Matemática. Ela estava em New Orleans; ele, em Boston. A distância levou Khan a gravar vídeos e colocá-los no Youtube, para que pudesse ensinar a prima a distância (veja abaixo o vídeo em que Khan fala sobre o projeto, em inglês). Depois de um mês que as primeiras aulas estavam no ar, chegaram alguns e-mails de agradecimento de pessoas que Salman Khan não conhecia.

Os vídeos do americano começaram a ser vistos centenas, depois milhares de vezes por alunos de todo o mundo. O material é muito simples e o professor nunca aparece nas produções. Ouve-se apenas a voz de Khan e, em uma tela preta, vão surgindo os traços que ele desenha em uma prancheta conectada a seu computador. Os vídeos têm entre 10 e 15 minutos e os temas são sempre bem específicos. O forte das aulas ainda é a Matemática, mas já há conteúdos de Biologia, Química, Física e finanças, todos hospedados na Khan Academy, um site formado basicamente por uma coleção de links para os vídeos no Youtube e que recebe, em média, 300.000 acessos por mês.

Outro fenômeno parecido aconteceu quando as aulas do filósofo político Michael Sandel, de 58 anos, professor da Universidade de Harvard (EUA), passaram a ser colocadas na internet. As aulas de Sandel sempre são baseadas em lições desafiantes sobre grandes dilemas morais - como o aborto, a eutanásia e a pena de morte. Os vídeos, vistos por outros tantos milhões de pessoas, são gravações de palestras dadas pelo professor no maior auditório da Universidade.

A simplicidade da produção dessas aulas demonstra que não é necessário ser nenhum expert em tecnologia para conseguir fazer bons vídeos ou selecionar conteúdos multimídia para os alunos. Uma boa ferramenta criada pela rede social de compartilhamento de vídeos é o Youtube Teachers, canal específico para educadores e disponível, por enquanto, apenas em inglês.

A ideia da ferramenta - que oferece um passo a passo de como usar o Youtube para produzir vídeos e planejar as aulas - é fazer com que a ferramenta se torne uma rede consistente, formada por professores de todas as disciplinas. O objetivo é fazer com que os educadores troquem e compartilhem conteúdos em vídeo para serem apresentados em aula ou disponibilizados como material de apoio aos estudantes. "Assim como outros projetos colaborativos existentes na internet, como a Wikipedia, o Youtube com fins educacionais pressupõe uma participação ativa dos seus usuários", explica Rafael Bennertz, sociólogo, mestre e doutorando em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas . "Isso significa que alunos e professores vão deixar de ser meros receptores de projetos para se tornarem também criadores de conteúdo em vídeo", diz.

A educadora Marly Soriano, professora de Informática Educativa da EMEF Cleómenes Campos, em São Paulo, faz um alerta importante às escolas que desejam começar a produzir vídeos. "É necessário que os coordenadores pedagógicos desenvolvam maneiras simples de ensinar a seu corpo docente como fazer isso", afirma. Para ela, promover pequenas oficinas que ensinem os recursos básicos do Youtube para os professores pode ser uma solução viável, assim como produzir materiais impressos que sirvam como manuais de instrução e de ética.

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Khan Academy
Khan Academy em Português - Vídeos traduzidos em parceria com a Fundação Lemann

Playlist dos vídeos de Micheal Sandel, professor da Universidade de Harvard

 

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