Professora e alunos com deficiência visual superam juntos os desafios

Na sala de recursos, professora e alunos com deficiência visual vencem os obstáculos para avançar no aprendizado

POR:
Mariana Queen, NOVA ESCOLA, Ana Ligia Scachetti
O garoto Isac com a lousa de braile e Luzia com o sorobã. fotos Patricia Stavis
Trabalho conjunto
O garoto Isac com a lousa de braile e
Luzia com o sorobã

A sala de recursos da EE Dom Jayme de Barros, em Sumaré, a 120 quilômetros de São Paulo, é coordenada pela professora Luzia Helena Tristão. Ali são recebidos crianças e jovens que como ela possuem deficiência visual. "Tive microftalmia e na adolescência passei a não enxergar", conta a pedagoga, pós-graduada em atendimento educacional especializado (AEE). "Hoje a falta de visão colabora com o meu trabalho, já que os estudantes presenciam atividades que faço de maneira autônoma."

Diariamente, até oito alunos são atendidos - alguns de outras escolas públicas. É comum serem acompanhados pelos pais. Luzia repassa as lições de Matemática com ferramentas como o sorobã, exercita a leitura e ensina braile aos que estão em fase de alfabetização. Além disso, explica como usar a bengala.

O mais novo da sala é Isac Oliveira de Souza, 9 anos. Ele está no 3º ano e enxerga algumas cores apenas quando os objetos são colocados próximo ao seu rosto. Luzia conhece bem essa dificuldade e idealizou uma lousa para ajudá-lo a aprender braile. Com parafusos, Isac reproduz em um instrumento semelhante a uma caixa, com uma tampa cheia de furinhos, as letras desse sistema em tamanho ampliado. Depois, compenetrado e com a ajuda da professora, ele digita o texto na máquina de escrita própria para esse alfabeto.

Para garantir que o aprendizado de crianças como Isac não fique restrito à sala de recursos. Luzia trabalha em conjunto com os outros professores. Ela compartilha informações sobre o desenvolvimento dos alunos e sugere materiais que podem colaborar com os conteúdos. Mapas táteis são usados nas aulas de Geografia, por exemplo.

A professora também traduz as provas para o braile com a ajuda de um aparelho que escaneia os textos e os lê para ela. Depois, as respostas são digitadas e entregues aos docentes sem correções. "Aí já avalio a escrita da turma", diz.

Com essa troca de informações, as soluções são pensadas para cada criança. Uma delas é Bruna Aparecida Lopes, 10 anos. Ela está no 5º ano e tem apenas 5% da visão. Diferentemente de Isac, prefere não aprender braile ainda e, com o auxílio da educadora, explora as letras aproximando-se bastante do caderno. "Hoje vou ler em casa um livro que a professora me deu", conta. Essa motivação para a descoberta e a continuidade do aprendizado é o principal trunfo do trabalho e do exemplo de Luzia.

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