Procura-se gestor

Cidade do Amazonas organiza eleições diretas para diretor, mas os candidatos são poucos

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Paola Gentile
Foto: Paola Gentile
DIRETOR ELEITO Recém-chegado à escola, Barros conquistou a maioria dos votos

Na manhã daquela sexta-feira, vários familiares de alunos da EM Castelo Branco, em Silves, a 330 quilômetros de Manaus, acompanharam seus filhos à escola e por lá ficaram. O motivo era a convocação feita pela secretária de Educação do município, Vânia Gomes de Azevedo, que chegou logo em seguida. A visita não era rotineira: naquele dia, ocorreria a primeira eleição para diretor e toda a comunidade - pais, professores e funcionários - foi convidada a participar.

Silves tem cerca de 5 mil habitantes, espalhados por 3.800 quilômetros de área, e é cortada por vários rios e lagos, o que dificulta o deslocamento e a comunicação dos moradores. A Castelo Branco foi uma das últimas das 24 unidades escolares da rede a realizar o processo eleitoral. "Queremos iniciar uma nova fase na nossa gestão", afirma a secretária local, recém-empossada.

Até então, somente as escolas maiores tinham um gestor, indicado pelo poder executivo. Sem alguém que desse suporte às suas atividades, muitos professores tinham de ir por conta própria à sede buscar material ou pediam ajuda aos técnicos e ao secretário durante as visitas deles. "Se uma escola tem notas ruins, é preciso tomar medidas institucionais. É essencial ter um gestor que cuide de questões pedagógicas", diz Vânia.

Em Silves, o período eleitoral em cada unidade dura sete dias, e a eleição, duas horas. Todos os professores efetivos podem concorrer. Contudo, poucos se candidatam. Nas escolas com mais de 100 alunos, uma gratificação de 400 reais serve de incentivo aos novos gestores. Esse não era o caso da EM Castelo Branco, que conta com 96 matrículas. "Se ninguém quer ser candidato, todos são", anunciou a secretária Vânia ao chegar à Castelo Branco, percebendo o baixo interesse pelo cargo. "Chapa 1, professor Aroldo, chapa 2, professora Andreza, chapa 3, professora Edigleide..."

Isso posto, querendo ou não, cada um teve de defender a sua candidatura. Aroldo José Monteiro de Barros, que leciona Inglês e Educação Física, a princípio não se interessou pela posição porque queria ter mais tempo para estudar. Mesmo assim, foi o escolhido. Professor há 12 anos (e há apenas quatro meses na Castelo Branco), ele era o candidato natural. Eloquente e cheio de iniciativa, já tinha conquistado a comunidade no início da reunião, quando, antes dos trabalhos cívicos, os 42 presentes debatiam dois problemas que afetam a escola: as drogas e o grande número de faltas dos alunos. A ideia de fazer a reunião de pais periodicamente e avisar os familiares quando os filhos não comparecem às aulas (por escrito, em duas vias, uma delas assinada pelo responsável) teve a simpatia de 36 pessoas.

A secretária de Educação aprovou o resultado do pleito. "Aroldo é participativo e, como professor, é um dos que mais requisitam estrutura para a escola", explica. Assim que foi eleito, o novo diretor apresentou uma sugestão: "Poderíamos nos unir à EM Tancredo Neves, que é anexa à nossa escola e tem apenas 35 alunos. Vai ser difícil encontrar um diretor para lá". Os deslocamentos que teria de fazer e o aumento de responsabilidade seriam recompensados pela gratificação em dinheiro a que passaria a ter direito. "Vamos estudar a proposta o mais rápido possível", prometeu Vânia ao dinâmico gestor.

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EM Castelo Branco, tel. (92) 3283-2426

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