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Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

Avaliação na Alfabetização: pode ir muito além da prova

Veja diferentes maneiras de avaliar a aprendizagem que passam, inclusive, por avaliar o seu trabalho

POR:
Mara Mansani
aluno de camisa azul sentado diante de mesa com lápis na mão escrevendo em uma folha de papel
Crédito: Getty Images

Recentemente participei do Encontro Redes que Transformam 2019, realizado pela Fundação Lemann e seus parceiros, que reuniu 600 pessoas envolvidas e engajadas com a construção de uma Educação pública de qualidade para todos, entre professores, gestores de escolas e de Redes de educação, secretários de Educação e representantes dos poderes Executivo e Legislativo. Foi muito bom conversar com tanta gente e conhecer seus projetos incríveis que estão fazendo a diferença em suas realidades por todos os cantos do Brasil.

Entre os temas debatidos, pude participar de dois mais de perto: Alfabetização e Avaliação. São assuntos complexos, cujo debate precisa sempre ser aprofundado. E podem se relacionar: uma avaliação bem feita pode encaminhar novas ações, novos rumos para uma alfabetização de qualidade. Mas ainda temos muita dificuldade de colocar isso em prática, não acham?

No encontro, levantei alguns pontos que precisamos aprender sobre o processo avaliativo na alfabetização. Entre eles, estão as nossas dificuldades como alfabetizadores em compreender o que é a avaliação e como ela deve acontecer. Vejam, por exemplo, algumas contradições nas nossas ações:

  • Chamamos provas de avaliações, pois confundimos instrumentos de avaliação com o processo avaliativo;
  • Damos mais importância aos finais dos ciclos e de outros períodos de aprendizagem para avaliar os alunos, em vez de pensar na avaliação como um processo que deve acontecer a todo momento;
  • Muitas vezes, acreditamos que aula dada é aula aprendida, e se alguém não aprendeu é porque não prestou atenção, sem levar em consideração os outros fatores que podem interferir na aprendizagem, que pode ser, inclusive, a nossa própria maneira de ensinar;
  • Aprendemos por diferentes maneiras, linguagens e metodologias, mas nossos instrumentos avaliativos, na maioria das vezes, se baseiam em uma única forma: perguntas e respostas;

Mas o que é avaliar?

Avaliar é refletir, provocar questionamentos, promover diferentes oportunidades e experiências educativas aos alunos com base na interpretação dos dados levantados, é estar preocupado, envolvido e focado no processo de ensino e aprendizagem.

A avaliação deve ter um caráter formativo, não punitivo ou de premiação. Formativo porque contribui no processo de aprendizagem, sendo também uma oportunidade para que o aluno reflita e avance a partir das devolutivas do professor. Avaliar é dialogar, perguntar e ouvir, refletir em conjunto (professor e aluno) sobre o objeto de conhecimento.

E o que fazer com os dados levantados no processo avaliativo? Será que estamos sabendo interpretá-los?

Penso que a avaliação é de responsabilidade de toda a equipe escolar. Em um primeiro momento, o que conta é a nossa análise (dos professores), mas precisamos também debater as nossas descobertas e conclusões com nossos pares. Um olhar externo, um outro ponto de vista pode ser esclarecedor, levando ao melhor entendimento do processo.

Na avaliação, como já sabemos, um dos instrumentos do processo avaliativo são as sondagens diagnósticas das hipóteses de escrita. Procuro sempre mostrar a escrita dos meus alunos aos meus colegas alfabetizadores e coordenadores, porque com o passar do tempo vamos perdendo aquele olhar mais cuidadoso e refinado para fazer a análise e a interpretação dos dados.

Em minha escola, a E.E. Laila Galep Sacker, temos um dia da semana reservado para o "Dia D". Nele, todas as turmas trabalham as habilidades que ainda não foram desenvolvidas pelos alunos, identificadas nas avaliações externas. Por exemplo: identificamos que o 2º ano tinha dificuldade em encontrar informações implícitas nos textos informativos científicos. Então, no Dia D, trabalhamos com mais ênfase na leitura e interpretação desse gênero textual. Essa ação vem dando bons resultados na aprendizagem dos nossos alunos.

Conheci uma experiência de observação da aula em Pernambuco em que não é o coordenador pedagógico que acompanha e faz sua análise para orientar o aprimoramento, e sim um colega professor que filma ou acompanha a aula. Esse professor ainda faz uma devolutiva ao professor regente sobre os pontos fortes, sensíveis e o que pode ser melhorado. 

Sei que não é fácil estar sob o olhar do outro, mas pode ser um momento de grande aprendizagem para todos nós professores. Já tive a oportunidade de assistir às minhas próprias aulas gravadas, e toda vez penso comigo mesma "nossa, eu podia ter feito melhor" ou "Por que será que eu fiz assim?"

Essas são algumas ações que podem contribuir no processo avaliativo das escolas, mas acredito que o ponto mais importante é o professor estudar para aprender a avaliar melhor. Uma boa avaliação já é um bom caminho para garantir a aprendizagem de todos.

E na sua escola, professor, como acontece o processo avaliativo? Como são tratadas as avaliações externas? Compartilhe suas experiências nos comentários!

Um abraço e até semana que vem,

Mara Mansani

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