Prêmio Victor Civita 2013: seu relato é nota 10

Preparamos um guia para ajudá-lo a registrar sua experiência em sala. É hora de se inscrever

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Camila Camilo
Preparamos um guia para ajudá-lo a registrar sua experiência em sala. Ilustração: Mãos de Ariadne

Você já fez um balanço das atividades entre fevereiro de 2012 e maio de 2013, revisitou as melhores experiências e, dentre elas, escolheu o projeto que vai encaminhar à seleção do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. Agora, é hora de pôr no papel sua atuação em classe!

As inscrições vão até 7 de julho, mas é bom não deixar para a última hora: afinal, o relato escrito será o primeiro contato dos selecionadores com a sua prática em sala. No site premiovc.org.br, você encontra um modelo-base para a redação. Ele está estruturado em etapas que revelam "o que" e "como" você ensinou aos estudantes - e, obviamente, o que eles aprenderam. Para ajudá-lo, esta reportagem detalha os aspectos fundamentais das etapas. Os selecionadores da última edição da premiação e a coordenadora pedagógica da Fundação Victor Civita, Regina Scarpa, indicam o que não pode faltar e os equívocos mais recorrentes em cada item do relato.

Justificativa Nesse tópico, você descreve as necessidades de aprendizagem dos alunos e explica por que escolheu realizar o trabalho.

Erros mais comuns Textos muito amplos e sem indicação dos motivos (ligados à realidade da classe) que embasam a proposta. "Em Língua Portuguesa, disciplina que avaliei, alguns professores inscritos começavam dizendo que haviam abordado gêneros textuais com os estudantes, mas não explicavam se a escolha tinha efetivamente a ver com o contexto da turma", conta Rita Jover-Faleiros, selecionadora no ano passado.

Objetivos Explique com clareza o que você esperava que os alunos aprendessem com o projeto ou a sequência de atividades proposta.

Erros mais comuns Objetivos impossíveis de ser alcançados no tempo disponível ou que não poderiam ser resolvidos em um único projeto. Ainda mais graves são os casos em que são apresentadas metas não relacionadas aos conteúdos curriculares abordados.

Conteúdos curriculares Parte em que aparecem os temas escolares trabalhados.

Erros mais comuns Falta de foco. Diz Juliano Custódio Sobrinho, selecionador de História em 2012: "Às vezes, o projeto se baseia em um assunto muito amplo, como escravidão no Brasil. Em casos como esse, o mais adequado é determinar o recorte, indicando qual parte desse momento histórico tão abrangente foi tratado".

Metodologia Aqui está o desenvolvimento do trabalho, com a descrição detalhada de cada etapa, a relação entre elas e as intervenções usadas para orientar crianças e jovens.

Erros mais comuns Confundir metodologia com um plano de aula. Muitos professores redigem o relato com verbos no imperativo (faça, reúna, proponha etc.), com instruções para a realização do projeto. O que se espera é que o docente seja descritivo ao contar o que fez - até mesmo indicando equívocos e mudanças no planejamento diante de uma necessidade do grupo.

Adequação das propostas caso haja alunos com necessidades educacionais especiais (NEE) Informe as adaptações para estudantes com deficiência (se houver).

Erros mais comuns Não indicar o tipo de deficiência do aluno e a articulação com ações no Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Avaliação Descreva em quais momentos você aferiu o que a turma aprendeu, apontando os instrumentos e critérios usados.

Erros mais comuns Avaliações genéricas, como "processo contínuo e formativo". É preciso ser específico quanto aos meios usados para examinar (trabalhos, portfólios, provas etc.). É importante, ainda, registrar a evolução em relação à situação anterior ao projeto: os alunos compreenderam o que foi ensinado? E como você lidou com a diversidade presente em toda turma e com os diferentes ritmos de aprendizagem?

Autoavaliação Nessa parte, você avalia seu desempenho em sala de aula e conta o que aprendeu com o projeto inscrito.

Erros mais comuns Exagerar na biografia pessoal. Alguns inscritos se empolgam escrevendo sobre a própria trajetória profissional e acadêmica e esquecem de falar sobre o projeto apresentado. "Muitas vezes faltam detalhes fundamentais. É importante ter em mente que o cerne dessa reflexão deve ser o trabalho que está sendo avaliado", afirma Regina Scarpa.

Os maiores erros em projetos de gestão

Uma mudança nesta edição dá um destaque ainda maior aos coordenadores e diretores de todo o país: agora, um gestor pode ser escolhido o Educador do Ano. Por isso, a atenção para a redação dos projetos da categoria também precisa ser grande. Em linhas gerais, alguns erros que aparecem nos relatos dos professores se repetem, mas há equívocos específicos que precisam ser evitados:

- Falta de menção ao aprendizado dos alunos. Muitos descrevem uma iniciativa, contam que ela foi transformadora para a estrutura da escola ou para os funcionários, mas não dizem como o trabalho impactou na vida dos estudantes, o real foco da instituição.

- Resultados vagos ou não mensuráveis. Alguns trabalhos relatam que os professores "ficaram mais motivados" ou que "melhoraram as aulas". Não descrevem nem documentam, porém, o que de fato mudou na atuação desses profissionais: eles se tornaram mais assíduos? Colaboraram para atingir metas de aprendizagem? Reduziram a evasão? Participaram mais dos momentos de formação? Também é fundamental mostrar como as estratégias possibilitaram os avanços.

- Confundir projeto didático com projeto de formação. Enquanto o primeiro diz respeito aos alunos (e é tarefa do professor), o segundo visa o aprimoramento da equipe docente. Essa modalidade, sim, é função do coordenador, e tem como foco a gestão da aprendizagem.

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