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Saiba | Coluna Felipe


Por: Felipe Bandoni

A receita para uma boa reunião de pais

O encontro com a família é um dos momentos mais delicados na escola. Como torná-lo produtivo

Poucas situações são tão delicadas na escola como as reuniões com as famílias. Em um mesmo ambiente estão mães e pais ansiosos por informações sobre seus filhos, professores em uma situação de exposição de seu trabalho e gestores tentando equilibrar as duas partes. A junção desses ingredientes pode formar parcerias que potencializam a aprendizagem, mas também, gerar animosidade entre os dois entes mais significativos para a criança. 

Não é uma boa ideia aproveitar o momento para passar sermão pelo mau comportamento: isso pode gerar afastamento ou confronto com os professores. Nem é produtivo resumir tudo o que foi feito em meses de trabalho. Em uma dessas reuniões malsucedidas, ouvi de uma mãe um raciocínio lúcido - e a receita para uma reunião produtiva. “Aqui nesta conversa disseram que minha filha se comporta mal e que não aprende. O que eu gostaria de saber é o que a escola está fazendo para ela avançar e como posso ajudar.” Ao Planejar encontros como esses, devemos ter em mente quais os desafios a serem superados pelos alunos e em quais a família pode ajudar. No 6º ano, por exemplo, é comum que as crianças se atrapalhem com os materiais. Os responsáveis poderiam auxiliar, em casa, na separação para cada dia da semana e conferir com a criança se o material de cada disciplina está devidamente identificado. Outro exemplo seria orientar os pais de crianças em alfabetização sobre se devem ou não corrigir os textos dos pequenos. Nos dois casos, espera-se da escola explicar os desafios que os estudantes estão enfrentando naquele momento, esclarecer qual é a abordagem proposta pelos professores e apontar como a família pode ajudar. Além disso, nesses encontros o coletivo deve ser valorizado em detrimento do individual. Dificuldades de aprendizagem e problemas sérios de atitude são mais bem conduzidos em particular. 

Cabe à equipe de professores, em conjunto com a coordenação e direção, determinar o foco da reunião com a família, levantar produções dos estudantes que dialoguem com ele e preparar um encontro que tenha como consequência a ampliação da aprendizagem dos alunos. 

Felipe Bandoni é professor de Ciências na Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Santa Cruz, em São Paulo

Foto: Tomás Arthuzzi/NOVA ESCOLA