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Especial | Especial


Por: Maggi Krause

A revista do professor está em transformação

Ela inspirou e apoiou gerações de educadores. Depois de 33 anos, esta é a última edição impressa de Nova Escola. Relembre conosco a sua trajetória

Ao seu lado: Em sua história, Nova Escola procurou principalmente valorizar o professor. Crédito: Roosevelt Cássio/NOVA ESCOLA

A revista Nova Escola, como você conhece, vai mudar: essa é a última edição impressa que você vai receber. Mas não se preocupe, continuaremos ao seu lado. Criamos, em parceria com os educadores, uma nova ferramenta digital para apoiá-lo no dia a dia da sala de aula. Ao longo de 33 anos, suas páginas, em papel ou virtuais, formaram um elo entre pessoas como você, leitor, e gente como eu, que escreve estas linhas. De um lado, professoras de escola pública como a Wilza, formadoras a exemplo da Selma e iniciantes na carreira, tal qual o Guilherme (leia os depoimentos a seguir). Dentro da redação, editores, repórteres, designers e especialistas. A missão era entregar para você conteúdos de qualidade, bem explicados e ilustrados. Na trajetória de 33 anos, Nova Escola foi gigante: em 2008, bateu a marca de 1 milhão de exemplares e graças a um pacote com o Ministério da Educação (MEC), durante alguns anos chegava de graça a escolas em todo o Brasil. O título acompanhou a batalha pelo acesso à educação, as mudanças da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e o Plano Nacional de Educação (PNE), valorizou a profissão docente, descreveu linhas pedagógicas, novidades em didáticas específicas e abordou temas polêmicos.

Nosso esforço foi recompensado em uma frase, dita por uma professora da Região Centro-Oeste: “Para mim, ler Nova Escola é contar com uma coordenadora pedagógica ao meu lado”. Neste texto não cabem todas as experiências de quem foi retratado, quem produziu, quem se inspirou nessas três décadas. Os relatos a seguir relembram momentos singulares junto à revista. O formato muda, mas seguimos com a mesma seriedade em modelos mais interativos que esse mundo digital permite. Quem esteve do lado de cá fecha um ciclo: não sem tristeza, mas com muita honra de ter apoiado você, leitor, na nobre tarefa de educar tantas crianças e jovens

“Guardávamos a Nova Escola como um tesouro” 
Professora há 25 anos na EM Vovó Dulce, Wilza Arantes recebeu a primeira revista em 1986, quando cursava o magistério 

Para ajudar: Wilza lembra a importância da revista em tempos de escassez de materiais. Crédito: Wiemer Carvalho/NOVA ESCOLA

“Ganhei minha primeira Nova Escola de meu pai, quando me matriculei no 1º ano do magistério, em 1986. Prestei concurso para professora em Senador Canedo, cidade-dormitório de Goiânia, onde a maioria das crianças vinha de famílias assentadas. No início, em 1994, faltavam materiais escolares e livros e por isso guardávamos a revista como se fosse um tesouro. Arquivávamos por data e sabíamos em que semestre usar os conteúdos. Meus projetos favoritos eram os de leitura e escrita. Nos anos 2000, cursei Letras na Universidade Federal de Goiás e me especializei em alfabetização. Começava as aulas contando histórias e lembro bem de um conto da Tatiana Belinky, “O caso do bolinho”, que veio nas páginas centrais da revista. De uma edição especial, fiz cópias e plastifiquei outro conto para todos poderem ler em sala. Sempre davam certo as adaptações que eu fazia nos planos de aula, e quando tive acesso à internet, eu os imprimia e colocava em prática. Trabalho com os alunos até hoje uma coletânea de poemas de Cecília Meireles, publicada na Nova Escola em 2009. Tem dez anos, mas tudo o que é bom vale a pena repetir.”

“Na 4ª série, fiz minha mãe comprar a revista”
Guilherme Udo dá aulas no Ensino Fundamental e na Belas Artes e tem uma história de infância com a revista 

Desde criança: Guilherme gostava de se imaginar na sala de ala e de esperar a revista chegar todo mês. Crédito: Patrícia Stavis/NOVA ESCOLA

“Minha turma da 4ª série da Escola Estadual Rodrigues Alves, na Avenida Paulista, foi fotografada para uma matéria de Nova Escola e por isso fiz minha mãe comprar a revista. Era 1997 e eu tinha só 10 anos, mas fiquei tão animado que ela assinou a publicação. Eu brincava com lousa, dava aulas para alunos imaginários em casa e guardava as revistas e os pôsteres com o maior cuidado, por achar que iria usar no futuro, quando fosse professor de verdade. Depois do Ensino Médio, cursei Rádio e TV, fiz mestrado em Comunicação, mas depois decidi fazer Letras e Pedagogia e agora estou no doutorado. Gostava de esperar a revista todos os meses, da sensação de abrir e ver as surpresas que ela me trazia. Para mim, Nova Escola é um símbolo, pois foi o primeiro material que tive em mãos feito para professores e que era acessível. Me fez entender melhor sobre esse ofício, pois a faculdade não discute a prática e o estágio é protocolar. Na primeira escola que entrei, defendiam o uso de tecnologia em sala, mas não tinham exemplos, então recorri ao site de Nova Escola para ver casos de sucesso que eu pudesse adaptar. Li muito sobre processo cognitivo e ensino-aprendizagem, e acho que a revista passa credibilidade, pois ao discutir temas polêmicos, não traz uma visão única, sempre apresenta contrapontos.” 

“Me sentia feliz, pois o retorno dos educadores era enorme”
Regina Scarpa foi responsável pela linha pedagógica da revista e lembra-se da seriedade e do empenho da redação

Só orgulho: Regina, hoje no Instituto Vera Cruz, vibrava quando a capa era muito lida e usada. Crédito: Patrícia Stavi/NOVA ESCOLA

“Em 2006, quando cheguei à redação de Nova Escola, percebi que os textos tinham tendência a colocar o professor como herói ou como vítima. Reforcei aos jornalistas que ensinar não era dom e sim ofício, e que o educador era um profissional que merecia ser bem formado e reconhecido. Na época, nem todas as redes de ensino tinham acesso à formação e por isso nosso objetivo era partilhar conhecimentos didáticos, mostrando ao professor o que e como ensinar. Vivíamos o desafio de levar práticas bem-sucedidas e pesquisas atualizadas de áreas específicas para todo o Brasil. Me sentia privilegiada e alegre, pois tínhamos um grande retorno dos educadores. Uma capa muito lida, comentada e utilizada era motivo de comemoração para todos nós. Preocupados com a gestão pedagógica das escolas, lançamos a revista Gestão Escolar em abril de 2009, com o objetivo de auxiliar coordenadores pedagógicos e diretores. Lembro que por trás de toda produção jornalística tinha muita seriedade, empenho e estudo para entregar matérias e conteúdo de alta qualidade para os leitores. Me orgulho de ter colaborado na formação dos jornalistas, muitos são meus amigos e não saíram da área de Educação.”

“A revista foi meu alicerce como formadora de professores”
Selma Monteiro conta 35 anos de docência na rede municipal de Jacareí, sempre acompanhada de Nova Escola 

NA ESCOLA: Selma sentia-se incentivada pela revista e guarda suas edições antigas com muito zelo. Crédito: Roosevelt Cássio/NOVA ESCOLA

“Conservo como uma relíquia minha primeira Nova Escola, de novembro de 1989, mas tenho outras edições guardadas, já gastas de tão utilizadas. A revista foi meu alicerce como formadora de professores, busquei ali referências e aprendi a fazer a transposição da teoria para a prática. Comprei especiais sobre brincadeiras, literatura, artigos de pensadores, que uso até hoje nas formações. A Gestão Escolar foi importante para explicitar o papel do coordenador pedagógico. Tudo o que lia, como as colunas da Heloisa Ramos e da Telma Vinha, embasava nossas discussões na rede. Em certa época, a revista era o único instrumento de comunicação que abordava o ofício, incentivava e valorizava os profissionais da educação. Era quase como um professor dizendo para outro: olha, deu certo pra mim, faz que dá!” 

10 CAPAS QUE FIZERAM HISTÓRIA 
Em 33 anos, assuntos essenciais e polêmicos da Educação Básica mereceram destaque em Nova Escola 

MARÇO /1986  
O sorriso da primeira edição 
Expandir a oferta de ensino era o desafio das redes em todo o país no período da redemocratização. O menino Adonilson, em Manaus, participava de um projeto em que barracas erguidas na praça serviam como sala de aula.  

MARÇO / 1995 
Construtivismo bem explicadinho
Não foi a primeira nem a última capa sobre essa concepção piagetiana, que influenciou a prática pedagógica e mudou a forma de olhar os alunos, reconhecendo seus conhecimentos prévios e seu potencial para aprender. 

JANEIRO – FEVEREIRO / 2000
60 sugestões para preparar aulas
Além de dar importância ao planejamento, trouxe uma entrevista com a especialista em alfabetização Telma Weisz, em que ela criticava o uso da cartilha e dizia que a culpa do fracasso não é do aluno.

OUTUBRO / 2006
Edição especial sobre inclusão
O tema, recorrente, sempre foi tratado em várias edições, com enfoques diversos. Essa chamada de capa continua atual: todos aprendem mais quando as crianças com deficiência vão à escola junto com as outras. 

DEZEMBRO / 2010 – JANEIRO / 2011
Assunto campeão de Gestão Escolar
Sempre que falava de PPP (projeto político-pedagógico), a revista virava material de consulta obrigatório. Esta edição trouxe estratégias para facilitar a preparação, a revisão e o acesso da equipe ao documento. 

JANEIRO – FEVEREIRO / 2011 
Alfabetizar é preciso
Flagrando uma escrita real dessa fase na capa, a matéria trouxe atividades para os alunos avançarem na leitura e na escrita. Na reportagem comemorativa dos 25 anos da revista, um balanço da Educação brasileira. 

SETEMBRO / 2012  
Educação Infantil em xeque
Com base na pesquisa A Gestão na Educação Infantil no Brasil, da Fundação Carlos Chagas (FCC), trouxe uma entrevista com Maria Malta Campos defendendo autoavaliações e monitoramento do serviço em benefício do aprendizado. 

JANEIRO – FEVEREIRO / 2013
Professores cada vez mais valorizados
A partir de 2012, Nova Escola passou a reunir todos os projetos do Prêmio Educador Nota 10 em uma mesma edição (antes eram publicados um ou dois por mês), dando ainda mais destaque à autoria dos vencedores. 

FEVEREIRO/ 2015 
Capa sobre gênero: polêmica e prêmio
Um menino vestido de princesa e uma pergunta que não queria calar bateram recordes de visualização nas redes sociais. A capa foi eleita a melhor do ano pela Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner). 

SETEMBRO / 2018
Ensino Médio e comportamento
Na fase atual, o projeto gráfico mudou, tornando-se mais limpo e destacando o assunto principal na capa. Mas Nova Escola continuou abordando em profundidade temas delicados, como a depressão e o suicídio entre os jovens

Imagens: Acervo NOVA ESCOLA