Prêmio Educador Nota 10: conheça os vencedores

Cerimônia da premiação aconteceu nesta segunda (30/09) e elegeu o Educador do Ano e a categoria de voto popular #EsseProjetoÉ10

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NOVA ESCOLA

Atualizado em 01/10/2019 às 14:15

Os vencedores do prêmio Educador Nota 10 2019 durante a cerimônia em São Paulo
Foto: Mariana Pekin

A Sala São Paulo recebeu nesta segunda-feira (30/09) a cerimônia do Prêmio Educador Nota 10. Os 10 vencedores da 22ª edição maior e mais importante prêmio da Educação Básica brasileira foram escolhidos entre 4.876 projetos inscritos.

Os dez educadores tiveram seus projetos apresentados na premiação e puderam comentar brevemente o que o projeto representou para os docentes e para os estudantes. Dos dez vencedores, um deles é eleito o Educador do Ano, eleito pelos selecionadores do prêmio e outro pelo júri popular em uma votação intitulada #EsseProjetoÉ10.

Joice Lamb, coordenadora pedagógica e ex-colunista de NOVA ESCOLA GESTÃO foi eleita a Educadora do Ano. “Que todo mundo saiba que é importante mesmo aprender e compartilhar”, disse ela ao receber o prêmio. Patrícia Barreto, professora de Língua Portuguesa, foi a vencedora da categoria de voto popular com 24,22% dos votos. Conheça os projetos dos Educadores Nota 10 de 2019:

A Educadora do Ano 2019 Joice Maria Lamb
Foto: Mariana Pekin

Joice Maria Lamb, coordenadora pedagógica na EMEF Professora Adolfina J.M. Diefenthäler, em Novo Hamburgo (RS).

A coordenadora pedagógica articulou toda a comunidade escolar para avaliar as atividades pedagógicas, olhando para formação continuada e gestão de projetos. Nesse processo foram desenvolvidos projetos de inovação pedagógica com foco nos profissionais e também nos estudantes. Como uma ação coletiva, a comunidade teve oportunidade de propor encaminhamentos e melhorias. “Nós temos que ouvi-los, eles têm muito a dizer e muitas vezes nós não o ouvimos. Depois disso, propor atividade que o protagonismo e autoria sejam importantes, porque esses alunos conseguem muito”, disse. “Se eles não conseguem sonhar, a gente tem que sonhar junto com eles”.


Patrícia Barreto da Silva Carvalho, professora de Língua Portuguesa do 3º ano do Ensino Médio no Instituto Federal do Rio Grande do Norte, em Nova Cruz (RN).

A partir de registros fotográficos de problemas sociais identificados na cidade pelos alunos e outras imagens de denúncias sociais trazidas pela professora, Patrícia debateu essas questões aprofundando com os alunos estratégias de aprimoramento de argumentação, a produção de um artigo de opinião e a produção de um podcast para divulgar as ideias dos estudantes. “Eu sou o exemplo que a Educação pública de qualidade pode transformar vidas”, disse a educadora na premiação. “Não podemos matar a nossa juventude pela falta de uma escola pública de qualidade para todos. A vulnerabilidade social não pode tirar dos nossos alunos a dignidade humana. É essa a nossa bandeira e por isso que temos que lutar”.

Arabelle Barbosa Calciolari, professora de Língua Estrangeira do 4º ano do Fundamental na EMEB Maria Angélica Lorençon, em Jundiaí (SP). 

Em seu projeto, a professora trabalhou diferente estratégias de listening para apresentar oito canções dos Beatles. As letras das músicas não foram traduzidas, mas foram discutidas coletivamente, a partir dos diferentes elementos que as crianças haviam entendido da língua. Ao ter seu projeto apresentado na Sala São Paulo,  Arabelle relembrou que quando era estudante do Ensino Fundamental, ela não via sentido na escola e estava desistindo dos estudos, mas uma professora mostrou que ela podia aprender. “Resolvi fazer letras para eu poder mudar a vida de alunos assim como os professores mudaram a minha”, disse Arabelle.

 

Nilma Sladkevicius Castellani, professora de Língua Portuguesa da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em multisseriada da 1ª a 4ª do Fundamental, na EMEF Luiz Bortolosso, em Osasco (SP).

Com uma turma composta em sua maioria por migrantes do Nordeste, as histórias de preconceito, diferenças raciais e estigmas vivenciadas pelos estudantes de 24 a 71 anos viraram uma lista de palavras e abriram reflexões sobre o sistema de escrita. A professora também propôs a leitura coletiva de biografias de personalidades negras e estimulou a produção de autobiografias. “O preconceito racial era uma coisa muito enraizada na vida deles, deles e da sociedade em torno da escola e desses alunos”, apontou Nilma. “De repente, os alunos perceberam que estavam lendo e que a importância não estava apenas na leitura e escrita, mas estava também a transformação na vida deles e na vida da sociedade”.

Jussara Cristina Vandalen Schmitz, professora do 4º ano do Fundamental de Matemática na Escola de Educação Básica Frei Godofredo, em Gaspar (SC).

Para ensinar Matemática de forma contextualizada à realidade do aluno, a professora enviou um questionário para as famílias e os dados obtidos serviram de referência para a produção e leitura de tabelas e gráficos em sala de aula. Ao descobrir que 60% das mães eram costureiras, o trabalho foi aprofundado dentro deste tema para entender número de peças produzidas por dia e gastos com linhas e agulhas, por exemplo. “Eu acredito que para aprender a gente precisa estabelecer relações afetivas. O projeto ‘costurando a Matemática’ reuniu aprendizagem, relacionamento com as famílias e valorização do ofício das costureiras. Isso é afeto, um olhar sensível para a realidade social em que os meus alunos estão inseridos”, disse Jussara.

Luiz Gustavo Bonatto Rufino, professor de Educação Física, no 3º ano do Fundamental, na Escola Municipal Odete Emídio de Souza, em Paulínia (SP).

Ao descobrir, mediante uma pesquisa, que vários alunos tinham vergonha sobre seus corpos, o professor foi instigado a pensar como as crianças compreendem e se relacionam com seus próprios corpos. Essa investigação com os alunos passou pelos eixos “eu”, “meu corpo” e “minha história” e teve o objetivo de ressignificar as visões sobre o corpo. Em seu discurso, o professor falou sobre a inclusão de todos os alunos, com e sem deficiência. “Hoje a gente tem a possibilidade de fazer diferente, tem a possibilidade de estar com alunos com e sem deficiência na escola para construir uma visão melhor de mundo e a partir disso poder chegar o mundo cada vez melhor. É isso que dá sentido à Educação: poder transformar e ao mesmo tempo ser transformado.”

Mariana Martins Lemes, professora de Geografia do 9º ano, na Escola Estadual Professor Jácomo Stávale, em São Paulo (SP).

Uma pergunta guiou o desenvolvimento do projeto de Mariana: qual modelo agrário deveria receber mais incentivos do governo federal brasileiro nos próximos anos: o agronegócio ou a agricultura sustentável? A questão foi trabalhada sob diferentes vieses em um projeto transdisciplinar envolveu as áreas de Ciências, História, Língua Portuguesa e Artes. “Esse trabalho que foi construído a várias mãos teve como objetivo tentar garantir que os alunos pudessem refletir sobre um tema complexo a partir de vários conhecimentos científicos e eles se posicionaram muitas vezes de maneira diferente da minha”, relembrou Mariana. “Eu penso que trabalhar o pensamento crítico é uma maneira de desenvolver a autonomia intelectual dos alunos”.

Rodrigo Seixas, professor de Sociologia do 3º ano do Ensino Médio no CIEP 493 - Professora Antonieta Salinas de Castro, em Barra Mansa, Rio de Janeiro (RJ)

O projeto de Rodrigo fez os alunos do 3º ano do Ensino Médio refletirem sobre essas questões tendo como ponto de partida o conceito de “modernidade líquida” do sociólogo polonês Zygmunt Baumann. Foram trabalhados os comportamentos e valores da sociedade contemporânea e temas que afetam os jovens, como os amores e as redes sociais. Em seu discurso, Rodrigo fala sobre o papel da Educação em sua vida. “Sou filho de professora, cresci em uma família de professores e, com certeza, isso e fez um irremediável idealista. A Educação não só transforma, ela nos dá asas, ela nos liberta”.

Rutemara Florêncio, professora de História do 3º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Presidente Tancredo Neves, em Boa Vista, Roraima.

A professora queria que seus alunos vissem as mulheres como protagonistas na construção da História de Roraima e do Brasil, depois de constatar que elas são praticamente invisíveis nos livros didáticos e na rede. Para isso, Rutemara procurou enfocar profissionais em posições de liderança e luta, valorizadas por suas ações e seu trabalho. Em seu discurso, Rutemara falou sobre um dos grandes desafios da Educação: engajar os alunos. “Depois que passei a entender quem é esse aluno, que está querendo aprender de formas diferentes, eu consegui o engajamento. Quando eu consegui, 89 alunos fizeram esse trabalho, eles se engajaram em contar a história de Roraima pelo olhar da mulher roraimense”



Juliana Roshner Vianna Toniati, diretora da EEEFM Jones José do Nascimento (Ensino Fundamental 1 e 2 e EJA), em Serra (ES).

Quando Juliana assumiu a direção da Jones, a escola era considerada uma das mais violentas do Estado e enfrentava problemas crônicos de indisciplina, vandalismo e baixa aprendizagem. Para transformá-la, foi fundamental ouvir a comunidade interna e externa, observar e propor intervenções de forma respeitosa, aproximando-se das necessidades da comunidade e das expectativas dos pais. A diretora fortaleceu lideranças democráticas como o grêmio estudantil e o conselho escolar, mas sua maior vitória foi envolver os professores em um trabalho colaborativo para traçar ações pedagógicas e alcançar metas de aprendizagem. Os resultados das avaliações externas foram contundentes: dos 28,6% de alunos abaixo do básico em Língua Portuguesa em 2017 sobraram apenas 3,4% em 2018. Já os proficientes passaram de 7,1% para 31%. Em Matemática, 50% dos estudantes tinham resultados abaixo do básico em 2017. No ano seguinte, eram só 13,8%.