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Brasil: Investimento por aluno em Educação Básica está abaixo da média de países desenvolvidos

Relatório informa que país investe 4,2% do PIB em Educação, mas gasto por aluno por ano é menos da metade da média da OCDE

POR:
Flavia Nogueira
Aluna vestindo blusa rosa escreve em um papel com um lápis laranja, sentada em uma sala de aula
Foto: Getty Images

O Brasil investe mais de seu Produto Interno Bruto (PIB) em Educação do que a média investida pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mas o investimento por aluno por ano ainda é menos da metade do que é gasto em média entre os países membros e parceiros da organização.

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As informações foram divulgadas nesta terça-feira (10/09) no relatório Education at a Glance 2019 (“Educação em Revista” em tradução livre). Os dados foram compilados a partir de análises dos sistemas educacionais dos 36 países membros da organização e outros dez países parceiros da OCDE como o Brasil, Argentina, Rússia e África do Sul, entre outros.

De acordo com o documento, em 2016 o Brasil gastou 4,2% do PIB no Ensino Fundamental 1 e 2 e Ensino Médio. Este índice está acima da média da OCDE, que é de 3,2% do PIB. Mas, é preciso lembrar que esse valor permaneceu basicamente o mesmo desde 2010, apesar de o PIB brasileiro ter crescido 2% neste período.

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No entanto, quando é analisado o gasto por estudante nestas etapas de ensino, o Brasil fica bem abaixo da média dos países da OCDE.

Por exemplo: em 2016, o governo brasileiro gastou cerca de US$ 3.8 mil por estudante do Ensino Fundamental 1. Isso é menos da metade da média do que é gasto por cada aluno da mesma etapa de ensino nos países membros da OCDE, que chega a US$ 8,6 mil.

A situação se agrava no Fundamental 2: o Brasil investiu por aluno US$ 3,7 mil, enquanto que a média da OCDE por aluno por ano foi de US$ 10,2 mil. No Ensino Médio e Técnico, o Brasil investiu US$ 4,1 mil e a média da OCDE chegou a US$ 10 mil.

Pouco gasto, salários baixos

“O pagamento dos professores geralmente é responsável pela maior parte do gasto por estudante, então, o gasto relativamente baixo por estudante no Brasil está refletido no baixo salário dos professores”, afirma o relatório.

Segundo a OCDE, os professores do Ensino Fundamental brasileiro ganham em média por ano US$ 22,5 mil. A média da OCDE é de US$ 36,2 mil. Já os professores de Ensino Médio ganham por ano US$ 23,9 mil, e a média de salário anual da OCDE para esta etapa do ensino é de US$ 45,8 mil.

De acordo com o documento, os salários dos professores aumentam à medida que eles ganham experiência, podendo até chegar perto dos US$ 30 mil por ano na faixa etária entre 55 e 64 anos de idade (a média da OCDE para esta faixa etária de professores chega perto dos US$ 50 mil por ano). No entanto, quase não há variação entre os valores de salários dos professores nas diferentes etapas de ensino.

A OCDE também apontou que o aumento de salário é considerado prioridade para 93% dos professores brasileiros.

O estudo da OCDE afirmou ainda que o salário médio dos professores também é mais baixo do que o salário médio de outros trabalhadores com Ensino Superior no Brasil, ao menos 13% menor.

Educação Infantil

O relatório da OCDE mostrou também um aumento considerável no número de matrículas na Educação Infantil do país. Segundo o documento, as matrículas de crianças com menos de três anos aumentaram de 10% em 2012 para 23% em 2017, mas ainda ficam abaixo da média da OCDE, que é de 36%.

Na faixa etária de 3 a 5 anos de idade, também foi registrado um aumento de matrículas, de 60% em 2012 para 84% em 2017, o que chegou perto da média da OCDE, que é de 87% das crianças.

A Educação Infantil é, em sua maior parte, pública no Brasil, de acordo com o relatório: 72% das crianças matriculadas estão no ensino público, em comparação com 66% que é a média nos países da OCDE.

As instituições públicas brasileiras de Educação Infantil têm em média 18 crianças para cada professor. Na Educação Infantil da rede privada a média é de 16 crianças por professor. A média nos países da OCDE é de 14 crianças por professor.

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